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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Privação de sono está ligada à obesidade, diz estudo

Segundo estudo, hábitos do sono podem influenciar ganho de peso


Sono no Trabalho pode influenciar no ganho ou perda de peso. A informação vem de um estudo publicado no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, que se baseia na revisão de estudos anteriores, feitos num período de até 15 anos.

Conduzido pelo Departamento de Ciências Nutricionais da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, o levantamento aponta que 35% dos americanos são obesos e que 28% dormem menos do que seis horas por noite.

Enquanto mudanças no estilo de vida e na dieta, além da prática de exercícios devem ser aplicados para ajudar na perda de peso, alterações nos hábitos de sono também podem ter influência.

"Vários estudos apontam para mudanças no peso corporal como efeito da privação parcial de sono. A relação entre a falta de sono e o excesso de adiposidade é ponto de interesse no controle do peso, principalmente para a perda de quilos", disse a professora Sharon M. Nickols-Richardson.

Para o estudo, foram analisadas pesquisas realizadas entre 1996 e 2011 e dados de pacientes que apontavam o consumo de energia, o gasto energético durante o dia, as quantidades de hormônios, como insulina, glicose, cortisona, entre outros.

Foi identificado um padrão nos pacientes que dormiam poucas horas por noite: a maioria apresentava redução da sensibilidade à insulina, menores índices de leptina e aumento de grelina, conhecido como hormônio da fome. As duas últimas substâncias influenciam o consumo de energia entre os perfis estudados. "Essas alterações promovem maior sensação de fome", disse a especialista. [Autor: Fonte: Terra]


Perder duas horas de sono pode prejudicar a memória, diz estudo
Segundo pesquisadores, o cérebro consolida as lembranças do dia enquanto dorme

Já sentiu que uma noite mal dormida te deixou perdida no dia seguinte? Se sim, seu problema não é pura preguiça como você pode pensar. Na verdade, segundo uma pesquisa da Universidade da Pensilvânia divulgada no site "Daily Mail", perder duas horas de sono pode apagar algumas memórias para sempre.

Durante a conferência anual da Sociedade de Neurociência norte-americana, o pesquisador Ted Abel explicou que, ao analisar como ratos privados de dormir reagiam, percebeu-se que eles perdiam a capacidade de armazenar a memória. “Um curto espaço de tempo sem descansar poderia bloquear a consolidação da memória. Foram apenas três horas, o que para os ratos equivale a 20% do seu sono total. No caso dos humanos, seria como diminuir uma noite de oito horas para uma de seis, que é algo que fazemos normalmente”, diz Abel.

O estudo também mostrou que existe um período crítico depois de aprender algo em que as memórias são consolidadas, o que significa que perder o sono em certos pontos críticos pode ser mais danoso do que em outros. Abel destacou que qualquer informação perdida devido à essa privação está esquecida para sempre, ou seja, não adianta tentar recuperar o tempo perdido na noite seguinte.

Expert em sono, o médico inglês Neil Stanley conta que é importante dormir bem, pois nessa hora o cérebro pode fazer aquilo que estava ocupado demais para fazer durante o dia, “dormir é a hora calma e quieta que nos dá a oportunidade de preencher espaços”. Então, antes de brigar com alguém que esqueceu de atender um pedido seu, pergunte se essa pessoa tem dormido bem.

Marina Finco

domingo, 17 de junho de 2012

Homem perde memória por dois meses e se apaixona pela mesma mulher

Homem perde memória por dois meses e se apaixona pela mesma mulher
Na madrugada de 18 de fevereiro, Alcino acordou com vontade de ir ao banheiro, mas não sabia onde era o banheiro. Não sabia onde estava. Ele também não reconhecia a esposa e a filha, de 11 meses.


Um homem perdeu a memória durante dois meses e se apaixonou de novo pela mesma mulher.

Alcino já era pai de três filhos quando deu o primeiro beijo. “Na hora que eu estava me aproximando dela me deu vontade de desistir, foi um friozaço na barriga até”, conta.

É que, aos 34 anos, algo muito estranho aconteceu na vida dele. Na madrugada de 18 de fevereiro ele acordou com vontade de ir ao banheiro, mas não sabia onde era o banheiro. Não sabia onde estava. Pediu para pessoa que dormia ao lado dele para guiá-lo.

Depois disso, voltou pra cama e fingiu que dormia. “Aí estava já dando umas 10 horas ele não levantava, fui conversar com ele e fui lá chamei disse: Alcino,vamos levantar, e ele assim: ‘mas que nome é esse que você está me chamando?’”, conta Priscila.

Alcino acordou sem memória. “Eu não sabia o que estava passando. Não sabia onde estava, não sabia quem eu era, é como se você entrasse em outro planeta”, diz alcino.

“Aí eu perguntei: você sabe quem sou eu? E ele: ‘não, não sei’”.

Alcino ouviu um choro que o assustou. Quando viu a criança, ele não sabia quem era. “Eu não sabia o que fazer, não sabia o que pensar. Olhando para ela eu não sentia nada”, conta

E Cristina, a filha de 11 meses também não o reconheceu. “Ela vinha para o meu colo e meio que chorava”, lembra Alcino

Priscila resolveu tentar fazer Alcino se lembrar. Ela mostrou as fotos do casal.

“A gente junto, viagens, passeios, as fotos da gravidez, então ele foi sentindo um pouco mais seguro”, diz Priscila.

Mas ele ainda não se lembrava de nada. Alcino começou então a escrever um diário, com medo de esquecer também da nova vida. “Levei ele a vários médicos, psiquiatra, neurologista, clinico geral, psicólogo. Até então a única resposta que a gente tinha é que era uma crise de estresse que ia passar”, lembra Priscila.

Os dois largaram o emprego. Começaram a viver em função do esquecimento. Procuravam um médico, um especialista, que desse a resposta, a solução para o problema. Foi aí que o Alcino lembrou, que antes de tudo, ele precisava reaprender a viver.
Alcino perdeu a memória e contou com o amor de Priscila para reconstruir a vida e a família (Foto: Rafael Zambe/ G1 ES)

“Eu falei: estou cansado, vamos passear, vamos em algum lugar que eu possa fazer mais ou menos o que fazia.

Eles foram até a uma praia. Lá, tentaram conversar sobre outras coisas, relaxar.

Foi o momento em que Alcino se aproximou da mulher que conhecera há um mês.

“Foi como se fosse o primeiro. Eu não tinha lembrança. E agora eu tenho lembrança dos dois e garanto que meu segundo beijo com ela foi melhor foi mais carinhoso.

“Ali naquele momento a gente era a Priscila e o Alcino, marido e mulher.

Ele se apaixonou duas vezes pela mesma mulher. “Eu percebi que era muito mais difícil para ela do que pra mim, que não lembrava. Eu comecei a olhar para ela com outros olhos”, revela.

E a vida mudou. Tudo ficou um pouco mais leve. Ele viu como se fosse pela primeira vez os filmes que antes eram os seus favoritos. E reaprendeu uma antiga paixão.

“Olhava o Ronaldinho jogando no Flamengo e a Priscila dizia: ‘é seu time’. Mas pra mim era indiferente”, lembra.

Mas afinal, o que aconteceu com Alcino? Por que ele perdeu a memória por dois meses?

O médico que atendeu Alcino já tem um primeiro diagnóstico: “A gente chama de amnésia global transitória. Você pode perder a memória por algum tempo, 4h, 6h 12h e recuperar a memória pro progressivamente”, analisa o neurocirurgião Élcio Machado.

Para o coordenador do departamento científico de neurologia cognitiva da Academia Brasileira de Neurologia, o caso de Alcino tem peculiaridades, por isso não poderia ser chamado de amnésia global transitória.

“Ela geralmente tem uma duração curta, em horas, minutos no máximo horas. Ele conhece as pessoas que o cercam: conhece esposa, filhos, mas não sabe o que está fazendo, não sabe onde está”, explica o neorologista Ivan Okamoto.

Foi isso que aconteceu com Wilson. “Eu me lembro de estar fazendo a barba, e a partir daí eu praticamente não me lembro mais do que aconteceu até me levarem ao hospital e lá que eu percebi que eu estava no hospital.Isso demorou talvez oito ou nova horas até eu em recuperar”, lembra Wilson Teixeira.

Agora, o caso do Alcino é muito raro. Ele não ficou oito ou nove horas, mas dois meses sem memória!

Depois de um monte de exames, o que o médico dele já conseguiu descobrir é que a irrigação sanguínea no cérebro não funcionava bem.

O Alcino agora precisa fazer uma cirurgia para implantar um stent numa veia que não deixava o sangue passar. Só que, mês passado, como mágica, ele começou a lembrar de tudo.

“Minha cabeça deu um: sabe como se tivesse vindo tudo de uma vez. Como se eu fosse um garoto, começasse a falar sem parar”, lembra.

Alcino se sente hoje outra pessoa. “Eu tenho que ser mais carinhoso, mais atencioso, mais afetivo”, relfete Alcino.
 (Site do Fantástico)


A primeira lembrança
Depois de dois meses, alguns flashes de memória começaram a aparecer. E a primeira lembrança que Alcino teve de Priscila foi do dia em que a viu pela primeira vez.
"Lembrei-me da escada. Eu trabalhava em uma gráfica, ela é jornalista e toda semana a gente se falava por telefone para resolver coisas de trabalho. A primeira vez que ela foi lá na gráfica, eu saí para atendê-la. Lembro que desci a escada e a vi pela primeira vez. Fiquei bobo, não sabia o que dizer. E quando lembrei, tudo voltou à tona, fiquei bobo novamente", diz.
Os flashes foram ficando mais frequentes e as conversas o ajudavam a ter cada vez mais lembranças. "Lembranças e não só esperança. Isso foi o mais surpreendente no começo, porque é agoniante perder a memória. Como tentar lembrar uma palavra que você conhece, ou o nome de um ator, e não conseguir. Imagina isso o tempo todo, para tudo. Eu tinha esperança de lembrar sempre que as pessoas falavam comigo. E quando comecei a lembrar, ficava em dúvida se era lembrança mesmo ou esperança".
Com medo de perder a memória novamente, Alcino passou a anotar tudo o que fazia durante o dia, em um diário. "Peguei um caderno e escrevia nele tudo o que fazia. Quase compulsivamente. Tinha muito medo de perder a memória novamente e escrever me dava uma certa segurança. Notei que minha caligrafia é diferente de antes da perda de memória", conta.
O presente
Até hoje não se sabe ao certo o que causou a perda de memória de Alcino. Os médicos atribuem ao estresse e ao psicológico. Um diagnóstico recente mostrou que ele tem uma veia entupida na cabeça, que provoca dores constantes e prejudica o sono. O médico investiga se há ligação entre os casos, mas Alcino deve passar por cirurgia nos próximos dias.
"Nossa filha está com 11 meses, nós mudamos de casa, para ficar mais perto da família. Alcino não pode andar sozinho, porque pode ter vertigem ou até mesmo perder a memória novamente, segundo os médicos. Mas estamos juntos e felizes. Hoje, nosso relacionamento está mais forte. E eu espero que nosso amor dure para sempre", diz Priscila.
Casal afirma que o relacionamento está mais forte (Foto: Rafael Zambe/ G1 ES)

sábado, 31 de dezembro de 2011

Especialista ensina a mudar hábitos para melhorar a memória

Fim de ano e a lista de compromissos só aumenta. Na correria para finalizar projetos, fazer compras e participar de eventos, o cérebro acaba esquecendo alguma coisa. Para aliviar o estresse mental é preciso selecionar informações e investir em uma vida saudável, ensina a neuropsicóloga Gislaine Gil, que acaba de lançar o livro "Memória - tudo o que você gostaria de saber mas se esqueceu de perguntar" (Campus/Grupo Fleury).

No livro, ela ensina a melhorar a capacidade de memória e explica que o esquecimento quase sempre é decorrente de falta de atenção, não de memória.

- Muitas vezes a memória está funcionando perfeitamente e o problema é a falta de atenção, que pode ser causada pelo excesso de informações e de tarefas diárias - diz a neuropsicóloga, que destaca o papel das emoções na capacidade de memória: nutrir informações positivas, por exemplo, ajuda a memorizar.

Estresse e maus hábitos
Selecionar o que realmente importa evita o estresse mental, que prejudica o funcionamento do cérebro. E os maus hábitos também atrapalham a nossa memória: beber álcool em excesso pode levar à deficiência de vitamina B1, essencial para o cérebro; o uso de tranquilizantes interfere na capacidade de formar novas memórias; o consumo de drogas como ecstasy é tóxico para os neurônios; e fumar afeta a circulação de sangue e nutrientes no cérebro.

- Levar uma vida saudável ajuda a prevenir as falhas de memória - reforça Gislaine.

A perda de memória, especialmente na terceira idade, pode estar associada a doenças neurológicas, distúrbios psicológicos e problemas metabólicos. Neste caso é importante procurar um especialista para se submeter a uma avaliação médica e neuropsicológica, para mapear e investigar todos os tipos de memória, e investigar qual está em pane.

- Isso vale ainda para saber se a perda de memória está dentro de padrões esperados para a idade ou se há alguma doença, como demência, por trás da queixa. Os acidentes vasculares cerebrais, por exemplo, causam alteração de memória e muitas vezes um quadro degenerativo chamado síndrome demencial vascular - diz a neuropsicóloga.

Alimentação
Quanto ao uso de ervas e suplementos de vitaminas para melhorar o funcionamento da memória, não há nada comprovado, mas alguns alimentos ajudam. A neuropsicóloga recomenda o consumo daqueles que contêm tiamina, ácido fólico e vitamina B12, encontrados em pães, cereais, frutas e outros vegetais. Os frutos oleaginosos, como castanhas e nozes, são ricos em vitaminas E e selênio, antioxidantes importantes para estimular a memória. Beber bastante água também ajuda.

- A falta de água no organismo desidrata e causa confusão mental. E dormir bem é imprescindível porque a aprendizagem é melhor quando seguida de um bom período de sono - diz Gislaine. - Também a prática de atividade física amplia a capacidade de aprender e memorizar, segundo estudo publicado há cinco anos na revista Neuroscience.

O Globo 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Nova droga poderia desenvolver super-memória!


Estudos neurológicos realizados em camundongos levou à descoberta de uma molécula que permite a supressão de um desenvolvimento surpreendente da memória.

Especialistas dizem que estes resultados podem abrir caminho para encontrar um tratamento eficaz contra a doença de Alzheimer.

Especialistas da Baylor University descobriram que os ratos têm uma molécula chamada PKR , que realiza duas funções essenciais no cérebro. Em circunstâncias normais, a molécula regula a interação entre os neurônios relacionados à memória executar atividades. No entanto, na presença de um vírus, PKR desencadeia uma resposta ao estresse que alerta o cérebro (este processo também é encontrada em pacientes que sofrem de Alzheimer).

Durante seu estudo, os peritos trabalharam com camundongos que tinham molécula PRK geneticamente reprimida. Em sua ausência, uma outra molécula imune, conhecida como interferon gamma , ativada a fim de garantir a conexão entre os neurônios.

O que surpreendeu os especialistas foi a que esta molécula levou a uma maior comunicação entre os neurônios e para o desenvolvimento dos centros de memória, ainda mais eficaz do que no caso da PKR.

Como resultado do estudo, os investigadores encontraram um inibidor para bloquear a molécula PKR, quando injetado no estômago camundongos. Portanto, os cientistas viram a possibilidade de criar uma droga ingerida com este efeito.

Ao testar a capacidade de memória destes ratos, os neurocientistas descobriram que os ratos têm resolvido os exercícios mais rapidamente, em comparação aos camundongos que tinham PKR molécula geneticamente reprimida, o que levou vários dias para resolver os exercícios de memória mesmo.

Até agora, os peritos não identificaram quaisquer efeitos adversos sobre os ratos testados.

Embora provavelmente levará anos antes de pesquisa poderia ser feito em seres humanos, os neurocientistas esperam encontrar, com base nesses resultados, uma cura para a doença de Alzheimer.

Ao mesmo tempo, alguns especialistas temem que esse tipo de medicamento, uma vez aprovado, poderia ser usado para estimular a memória a níveis sobre-humanos.

Fonte: io9

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Velhice. Perda de memória pode ser recuperada

Perda de memória na velhice pode ser recuperada, diz estudo
Pesquisa feita nos Estados Unidos com macacos mostrou que é preciso restabelecer as necessidades moleculares dos circuitos neurais para recuperar a memória



A pesquisa mostrou que o disparo de neurônios durante o período de atraso tem uma grande redução com a idade.

Londres - A perda de memória na velhice pode ser recuperada se atenderem as necessidades moleculares dos circuitos neurais, segundo explicaram especialistas dos Estados Unidos, que estudaram a atividade dos neurônios de primatas.

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Yale, liderados por Amy Arnsten, avaliaram as respostas de seis macacos jovens, de média idade e velhos de acordo com as tarefas atribuídas pelos cientistas para medir a memória dos primatas a curto prazo.

Segundo publicam os analistas na última edição da revista "Nature", nos macacos de idade avançada faltou o constante disparo de neurônios no córtex pré-frontal (PFC), uma área do cérebro muito importante para o funcionamento da memória.

Essa redução dos níveis de disparo de neurônios pode ser contornada se conseguir situar o PFC em um meio ambiente neuroquímico bom como o encontrado nos macacos mais jovens.

Assim, a integridade fisiológica dos neurônios velhos pode ser restabelecida se forem atendidas as necessidades moleculares dos circuitos neurais, insistem os cientistas.

Arnsten lembra que o funcionamento da memória é importante para as tarefas diárias, inclusive para planejar coisas com tempo e para a aprendizagem.

No processo de envelhecimento habitual, essas funções diminuem, o que acarreta problemas cognitivos como o esquecimento e a distração, mas não se conheciam as mudanças moleculares associados a este envelhecimento natural.

Para observar as mudanças fisiológicas, Amy Arnsten e seus colegas gravaram as tarefas atribuídas aos macacos e descobriram que a resposta dos padrões de ativação dos neurônios do PFC à apresentação dos sinais não variavam com a idade.

No entanto, o disparo de neurônios durante o período de atraso - o tempo entre a apresentação de um sinal e a resposta - mostrou uma grande redução com a idade.

Contudo, esses neurônios podiam ser parcialmente restabelecidas aos níveis de disparo de jovens adultos quando os analistas bloqueavam dois circuitos neurais específicos nos neurônios do PFC.

exame.abril.com.br

sexta-feira, 4 de março de 2011

Mortos há 15 anos, Mamonas Assassinas serão lembrados em filmes, na Sapucaí e por gravadora

RIO - Há 15 anos, no dia 2 de março de 1996, um terrível acidente aéreo pôs fim à meteórica carreira dos Mamonas Assassinas, banda que misturava com muito bom humor o rock, o punk e gêneros populares. Do lançamento do primeiro e único disco até o dia do acidente, a trajetória do vocalista Dinho, do guitarrista Bento Hinoto, do tecladista Júlio Rasec, do baixista Samuel Reoli e do baterista Sérgio Reoli pela fama durou pouco mais de nove meses, tempo suficiente para emplacaram quase todas as suas músicas nas paradas de sucessos, entre elas "Pelados em Santos", "Robocop Gay", "Sabão crá-crá" e "Vira-vira". E essa história será contada no cinema, no documentário "Mamonas pra sempre", do diretor Claudio Kahns, que será lançado no dia 27 de maio. Kahns também é produtor de um outro filme, este de ficção, ainda no papel, sobre a banda. Além disso, os Mamonas são enredo da Inocentes de Belford Roxo, que desfila este sábado no Grupo de Acesso A, e objeto de projetos especiais, ainda sigilosos, da gravadora EMI.

O documentário de Kahns é o primeiro filme oficial sobre a banda que vendeu mais de três milhões de cópias do seu único disco e arrastou mais de dois milhões de espectadores aos 300 shows que teve a oportunidade de fazer. Para se ter uma ideia da popularidade dos Mamonas: eles têm hoje outros dois milhões de fãs nas redes sociais, instrumento que não existia na época em que viveram, e sua música "Pelados em Santos" é lembrada no esquenta da bateria da Mangueira na Avenida, tendo ganhado versões nos estádios de torcidas como a do Flamengo e do Internacional de Porto Alegre.

- A repercussão do documentário foi muito bacana em lugares distintos como Tiradentes, Paulínia, Belo Horizonte. Aí, percebi, pela emoção das pessoas de todas as idades, o porquê de eles terem marcado uma época, sobretudo para quem era criança e adolescente e hoje está na faixa dos 25, 30 anos. E eles têm muitos fãs que nem nascidos eram. Viraram cult mesmo - nota o diretor.

Kahns lembra que a ideia inicial era fazer o longa de ficção "Mamonas, de muvi", que ele pretende produzir ainda este ano:

- O documentário surgiu por acaso. Filmamos as entrevistas que fizemos durante a pesquisa para a elaboração do roteiro e, olhando o material, achei divertido, interessante. E esse foi o ponto de partida para fazermos o roteiro e sairmos em busca do material de arquivo. E conseguimos boas imagens, porque eles tinham o hábito de se filmar o tempo inteiro.

Já a homenagem da escola de Belford Roxo, que no ano passado ficou em segundo lugar e por muito pouco não subiu para o Grupo Especial, vai lembrar a trajetória desde os tempos em que os músicos ainda buscavam o sucesso com a banda Utopia até a adoração que despertam ainda hoje. O carnavalesco Cristiano Bara já causa polêmica ao vestir a sua bateria de Robocop Gay e ao citar em uma das alas, de forma sutil, a morte dos rapazes.

- Eles eram meninos sonhadores, que saíram do povo para a glória e, por isso, falavam e entendiam como ninguém a sua linguagem. Por isso eram tão amados. E foi por isso também que na época muita gente torceu o nariz. Mas suas músicas, se por um lado eram engraçadas, por outro também eram críticas ao seu cotidiano e ao cotidiano do nosso povo - diz Bara.

Na Avenida, várias passagens serão lembradas, como a gravação do primeiro disco, suas fantasias de Chapolin, Batman, Robin, presidiários, o sucesso nacional e, claro, suas canções e personagens. Em um dos carros, o da Brasília amarela, referência à música "Pelados em Santos", virão o alemão de "Lá vem o alemão", o Jumento Celestino, o Cabeça de bagre e outros.

- No princípio eu enfrentei muita resistência com o enredo, porque diziam que a vida deles tinha sido curta, que cairia num vazio. Depois, os ritmistas fizeram cara feia por causa da minha ideia de pegar a ala mais masculina da escola e vesti-la de Robocop Gay, para falar do preconceito. E também não queriam que eu lembrasse o terrível acidente aéreo, mas através dele eu pude falar da eternidade de suas canções e do carinho que até hoje despertam nas pessoas - conta o carnavalesco.

O Globo