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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Suicídio. Funcionário da TV Globo tenta se matar e deixa carta culpando a emissora


Antigo sonoplasta de Xuxa tenta se matar e em carta culpa a Rede Globo

My Boy, que ficou conhecido por ser o sonoplasta de Xuxa na Globo (e de Chacrinha, anteriormente), enviou uma comovente carta a diretores e funcionários da Globo avisando que tentaria se suicidar.

O título do e-mail é "Não suporto mais".

Ele culpou a emissora por estar com depressão, dizendo que foi abandonado depois que ficou mais velho.

Segundo uma pessoa próxima, o sonoplasta tomou chumbinho e está internado no hospital Rio Mar, no Rio de Janeiro, e está em coma induzido.

A Central Globo de Comunicação diz: "A TV Globo está acompanhando e dando a ele todo o apoio necessário, como faz com todos os funcionários. Ele estava em licença para tratamento psiquiátrico".

Leia abaixo a carta na íntegra:

Minha família; Meus amigos; Gostaria apenas de pedir desculpas não pela covardia, apenas por não suportar mais viver em crise financeira e com injustiça de uma Empresa da qual dediquei metade da minha vida: 31 anos de bons trabalhos realizados...

Hoje por um erro de alguns Diretores com mais de 66 e 75 anos de idade, eles estão afastando quem tem 60 anos de idade da empresa como se 60 anos um ser humano perdesse o conhecimento aprendido durante toda a sua vida profissional.

E como pode eles que já passam dos 60 e chegando a casso dos oitenta (80) podem dirigir esta empresa e chutar um profissional de qualquer maneira sem o mínimo de carinho e humanidade? Estou sofrendo há muito tempo e lutando contra uma forte depressão “criada Pela Globo Participação” Rede Globo - Rio e com muitos traumas de tratamento Psiquiatras, Psicológicos, Hepatite C e Problemas com a visão ".

Com todos os laudos na medicina do trabalho do Projac" onde a cada dia me sinto mais doente e menos forças para lutar sozinho sem que a Rede Globo se preocupe com a minha vida dedicada a ela estes anos todos.

"Pura Covardia, injustiça e falta de humanidade" Nunca foi este o desejo de quem criou a Rede Globo aos 61 anos de Idade ( Gênio e Humano Dr. Roberto Marinho). Se ele hoje estivesse vivo ou o Boni no seu lugar nada disso estaria acontecendo: PURA DESUMANIDADE.

Se era esta a intenção da Rede Globo me levar a loucura e ao suicídio, eles conseguiram; Perdi o controle sobre os meus atos de vida e prazer de ver a vida da maneira que deve ser vista, estou há mais de 03 (três) anos apenas representando um papel que hoje não tenho mais forças para interpretar.

Tenho sofrido sozinho para não preocupar minha família amigos porque todos hoje vivem com suas dificuldades. Apenas hoje estou muito solitário, sozinho e vivo como não estivesse vivendo.... Sei que tirar a vida é um preço muito alto, mais não terei mais telefones tocando me cobrando e tendo que buscar solução com advogados onde tudo é muito lento e durante a minha vida passei por várias injustiças e sempre suportei com dignidade, sei que vou pagar um preço muito alto por esta minha decisão.

Hoje; Perdi as forças coragem e deixo como responsável a Empresa pela qual dei a minha vida, criatividade, dignidade e uma postura profissional e não estou suportando representar que tudo está bem, quando a realidade é outra bem diferente. Peço apenas aqueles que gostam de mim de verdade, que pudessem me entender e apenas rezar muito pela evolução do meu espírito, sei que vou sofrer bastante até o dia do meu resgate espiritual se é que eu mereço!

Gente comecei trabalhar com 14 anos de idade, sofri muito e tudo que eu conseguia, era para fazer outras pessoas felizes pela minha ignorância total de uma criação que eu não tive, e por conta disso estas pessoas nunca deram o Real valor ao grande sacrifico do meu suor. Hoje não posso reclamar e apenas assumir para mim mesmo que FRACASSEI.

Gostaria de deixar aqui registrado que: " Eu nunca fui feliz na minha vida toda." Hoje estou doente da pior de todas as doenças; Depressão e falta de amor próprio. Me sinto há muito tempo, um morto vivo que apenas sorri e representa, mais quando chega em casa chora todasas suas lágrimas e não sabe o motivo, Isto não é viver.

Quando vocês estiveram lendo este e-mail saibam; O meu espírito já não esta mais entre nos, apenas uma matéria deitada em sua cama no apartamento que até hoje morei. A porta esta destrancada para não ter problemas. Não quero piedade, apenas compreensão pela minha atitude e não me julguem porque somente eu e Deus sabemos o quanto tenho sofrido... Um detalhe apenas....

O meu estado de espírito e prazer deixou de existir já há três anos que não consigo um respeito, carinho e dedicação da empresa que dei a minha vida e suor para que eu tivesse apenas o mínimo de paz e viver sem dívidas e dignidade pelos trabalhos dignos e honrados que sempre fiz com amor e carinho A Globo Participações Rede Globo - Rio, é a mulher da minha vida que eu nunca pensei em ter que me separar dela, mais tendo consciência que um dia teria que ceder o meu lugar para os mais novos e pelo lado humano tendo um tratamento digno de alguém que dedicou sua vida e honestidade com sua contribuição de 31 anos de trabalhos bem feitos e de sucessos," todos" tratado como ser humano porque esta era a vontade do seu criador Dr. Roberto Marinho..

Desculpe a minha solidão,tristeza, depressão apenas responsabilizo uma empresa que hoje apenas olha os interesses de seus Diretores e nos que fazemos, somos descartados como um sapato velho, não da para suportar.....É assim que se trata a sua prata da casa quando querem afastar? Mais deixo esta culpa da minha atitude a falta de atenção para empresa que me casei há 31 anos atrás e hoje esta me traindo. Espero pelo menos que a Globo - Rio possa da como último ato, tratamento fúnebre e uma cremação que seria justa como seu grande ato final a mim como pessoa. Que Deus Possa me perdoar em sua infinita misericórdia! Estou saindo da vida por falta de forças e ajuda. Adeus. Moacil Filgueira Pinto My Boy -

ADEUS, REZEM POR MIM! DESCULPEM A DOR É MINHA
Fonte: olhardireto.com.br

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Trágica morte de garoto em escola de São Caetano. Casos de suicídio na infância são extremamente raros


Casos de suicídio na infância são extremamente raros  

'Nunca vi nada parecido', diz o pediatra Fábio Ancona Lopez sobre a trágica morte do garoto D.M.N., de 10 anos de idade, em São Caetano

A trágica morte do garoto David Mota Nogueira, de 10 anos de idade, nesta quinta-feira, em São Caetano do Sul, não se encaixa nos padrões conhecidos da medicina. Como alguém tão jovem pode atirar contra sua professora e pouco depois se matar?

A arma da tragédia
A única certeza no momento é que o caso é extremamente raro. "Nunca vi nada parecido. Suicídio é mais comum no final da adolescência, a partir dos 17 anos, motivado geralmente pela depressão ou por uma doença maníaco-depressiva (bipolaridade)", afirma o pediatra Fábio Ancona Lopez, professor da Unifesp e autor de vários livros sobre a infância.

Certamente não era o caso do garoto David Mota Nogueira. "Não dá para falar em causas, por enquanto. É preciso saber em que condições ele vivia e como era sua relação com a família",diz Lopez.

Tragédia — Nesta quinta-feira, por volta das 15h30, o garoto David Mota Nogueira. atirou contra a professora Rosileide Queiros de Oliveira, de 38 anos, dentro da sala de aula na Escola Professora Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul, na região metropolitana de São Paulo. Em seguida, saiu da sala e, no corredor, atirou contra a própria cabeça.

David Mota Nogueira chegou a ser atendido no Hospital de Emergência Albert Sabin, na Avenida Kenedy, em São Caetano do Sul. Depois de sofrer duas paradas cardiorrespiratórias, morreu por volta das 16h50. A professora, atingida na altura do quadril, foi socorrida pelo e não corre risco de vida. No momento dos disparos, 25 alunos estavam na sala de aula.


Veja

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Menino de 10 anos que se matou em escola em SP sofria bullying, diz polícia

Garoto que se matou em escola em SP sofria bullying, diz polícia

O garoto de 10 anos que atirou contra uma professora e depois se matou, nesta quinta-feira, em São Caetano do Sul (Grande SP), era manco e sofria bullying dos colegas por conta disso, segundo a polícia.

David Mota Nogueira, aluno do 4º ano da escola municipal Professora Alcina Dantas Feijão, disparou contra a professora Rosileide Queiros de Oliveira, 38, dentro da sala de aula, às 15h50. Na ocasião, 25 alunos estavam na sala.

Segundo a polícia, o aluno pediu para ir ao banheiro e, quando voltou, já estava armado. Depois de atirar contra Rosileide, o garoto se retirou da sala, sentou em uma escada e disparou nele próprio, na cabeça.

A polícia afirma que o garoto era filho do guarda municipal Nilton Nogueira e usou a arma do pai --um revólver calibre 38-- para fazer os disparos. Segundo o secretário municipal de Segurança Pública, Moacyr Rodrigues, a arma é particular e não pertence à guarda.

Ambos foram socorridos com vida. O aluno foi atendido no Hospital de Emergência Albert Sabin, em São Caetano. Ele teve duas paradas cardíacas e morreu às 16h50, ainda de acordo com a prefeitura da cidade.
Professora baleada dentro de escola em São Caetano do Sul (Grande SP) foi socorrida pelo helicóptero Águia da Polícia Militar

A professora levou um tiro nas costas, na altura do quadril e sofreu uma fratura na patela direita. Ela foi socorrida pelo helicóptero Águia da PM, recebeu os primeiros atendimentos em um hospital da região e foi transferida para o Hospital das Clínicas, em São Paulo. Seu estado de saúde é estável e ela não corre risco de morte, segundo a prefeitura de São Caetano do Sul.


O pai do aluno chegou a sentir falta da arma na manhã de hoje e procurou seu filho mais velho, que não estava com ela. A família soube que o garoto de 10 anos havia pego o revólver do pai somente após o ocorrido.

A escola --de ensino fundamental e médio da rede municipal-- fica na rua Capivari, na altura do número 500, no bairro Nova Gerty.

Imagens publicadas na internet mostram o momento em que ambulâncias deixaram a escola:





ANDRÉ CARAMANTE
JULIANNA GRANJEIA
MARIANA DESIDÉRIO
DE SÃO PAULO

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Países mais 'felizes' têm maiores taxas de suicídio, diz estudo

Países em que as pessoas se sentem mais felizes tendem a apresentar índices mais altos de suicídio, segundo pesquisadores britânicos e americanos.

Os especialistas sugerem que a explicação para o fenômeno estaria na tendência dos seres humanos de se comparar uns aos outros.

Sentir-se infeliz em um ambiente onde a maioria das pessoas se sente feliz aumenta a sensação de infelicidade e a probabilidade de que a pessoa infeliz recorra ao suicídio, a equipe concluiu.

O estudo foi feito por especialistas da University of Warwick, na Grã-Bretanha, Hamilton College, em Nova York e do Federal Reserve Bank em San Francisco, Califórnia, e será publicado na revista científica Journal of Economic Behavior & Organization.

Ele se baseia em dados internacionais e em informações coletadas nos Estados Unidos.

Nos EUA, os pesquisadores compararam dados obtidos a partir de depoimentos de 1,3 milhão de americanos selecionados de forma aleatória com depoimentos sobre suicídio obtidos a partir de uma outra amostra, também aleatória, com um milhão de americanos.

Paradoxo

Os resultados foram desconcertantes: muitos países com altos índices de felicidade felizes têm índices de suicídio altos.

Isso já foi observado anteriormente, mas em estudos feitos de forma isolada, como, por exemplo, na Dinamarca.

A nova pesquisa concluiu que várias nações - entre elas, Canadá, Estados Unidos, Islândia, Irlanda e Suíça - apresentam índices de felicidade relativamente altos e, também, altos índices de suicídio.

Variações culturais e na forma como as sociedades registram casos de suicídio dificultam a comparação de dados entre países diferentes.

Levando isso em conta, os cientistas optaram por comparar dados dentro de uma região geográfica: os Estados Unidos.

Do ponto de vista científico, segundo os pesquisadores, a vantagem de se comparar felicidade e índices de suicídio entre os diferentes Estados americanos é que fatores como formação cultural, instituições nacionais, linguagem e religião são relativamente constantes dentro de um único país.

A equipe disse que, embora haja diferenças entre os Estados, a população americana é mais homogênea do que amostras de nações diferentes.

Utah e Nova York

Os resultados observados nas comparações mais amplas entre os países se repetiram nas comparações entre diferentes Estados americanos.

Estados onde a população se declarou mais satisfeita com a vida apresentaram maior tendência a registrar índices mais altos de suicídio do que aqueles com médias menores de satisfação com a vida.

Por exemplo, os dados mostraram que Utah é o primeiro colocado no ranking dos Estados americanos em que as pessoas estão mais satisfeitos com a vida. Porém, ocupa o nono lugar na lista de Estados com maior índice de suicídios.

Já Nova York ficou em 45º no ranking da satisfação, mas tem o menor índice de suicídios no país.

Ajustes

Para tornar mais justas e homogêneas as comparações entre os Estados, os pesquisadores levaram em consideração fatores como idade, sexo, raça, nível educacional, renda, estado civil e situação profissional.

Após esses ajustes, a relação entre índice de felicidade e de suicídios se manteve, embora as posições de alguns países tenham se alterado levemente.

O Havaí, por exemplo, ficou em segundo lugar no ranking ajustado de satisfação com a vida, mas possui o quinto maior índice de suicídios no país.

Nova Jersey, por outro lado, ocupa a posição 47 no ranking de satisfação com a vida e tem um dos índices mais baixos de suicídio - coincidentemente, ocupa a posição 47 na lista.

"Pessoas descontentes em um lugar feliz podem sentir-se particularmente maltratadas pela vida", disse Andrew Oswald, da University of Warwick, um dos responsáveis pelo estudo.

"Esses contrastes sombrios podem aumentar o risco de suicídio. Se seres humanos sofrem mudanças de humor, os períodos de depressão podem ser mais toleráveis em um ambiente no qual outros humanos estão infelizes".

Outro autor do estudo, Stephen Wu, do Hamilton College, acrescentou:

"Este resultado é consistente com outras pesquisas que mostram que as pessoas julgam seu bem estar em comparação com outras à sua volta".

"Esse mesmo efeito foi demonstrado em relação a renda, desemprego, crime e obesidade".

BBC Brasil

sábado, 23 de abril de 2011

Após morte da mãe, quatro irmãos se suicidam na Turquia

Quatro irmãos com idade entre 26 e 31 anos se suicidaram simultaneamente no sudeste da Turquia, logo após a morte da mãe, que ocorreu por cauda de um ataque de asma, segundo informou a imprensa turca.

Os quatro irmãos - dois homens e duas mulheres-- caíram em depressão profunda depois do episódio que vitimou mãe, uma pintora e escultora de 63 anos.

Eles se hospedaram na casa de campo da família e cometeram suicídio.

Necdet Sagocak, pai da família, disse que tinha pouco contato com os filhos --que teriam lhe dito na semana passada a inteção de se suicidarem.

Segundo os periódicos turcos, os quatro mortos eram muito dependentes da mãe, e tinham muito pouco contato com o mundo exterior.

Folha Uol

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Suicídio: Modelo que tinha maiores seios do mundo está em coma

Sheyla Hersheys 
A capixaba Sheyla Hershey, de 31 anos, famosa por ter tido os maiores seios do mundo, tentou se matar na noite de segunda-feira. De acordo com informações do jornal Extra, a modelo teria tomado uma overdose de medicamentos.

De acordo com Derik Hershey, marido de Sheyla, até a noite de ontem, ela estava em coma e os médicos não sabiam informar quando ela vai acordar. A capixaba, que já foi até estrela de um reality show, corre risco de morte.

A modelo sofre de transtorno bipolar, e estaria em depressão desde que precisou retirar os implantes de silicone que a fizeram tão conhecida por conta de uma forte infecção.

Cirurgias

Segundo Derik Hershey, ela afirmava que não se aceitava sem os seios gigantes. "Sem os meus seios eu me sinto feiaSem eles, eu não sei quem sou", teria dito a capixaba.

Sheyla já passou por mais de 30 cirurgias plásticas, sendo que nove delas foram para aumentar os seios. As últimas próteses colocadas pela modelo tinham 5,5 litros de silicone cada uma.

Quando morava no Brasil, ela era conhecida com Sheila Almeida. Casada e mãe de dois filhos, atualmente, a modelo mora no Texas, Estados Unidos.

Fonte: A Gazeta

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Por que a maioria dos suicidas são homens?

A maioria dos suicidas são homens.
Os homens estão expostos à depressão devido a fatores médicos (transtornos depressivos, alcoolismo ou doenças crônicas dolorosas) e causas sociais (velhice, solidão, falta de apoio familiar, eventos estressantes).

O maior fator que leva homens ao suicídio está ligada à forma como os homens lidam com as suas dificuldades pessoais.

Homens geralmente são mais rígidos, inflexíveis, introvertidos e impulsivos que as mulheres. Quando um homem enfrenta uma grave dificuldade, ele pode escolher a maneira evasiva de agir e cometer suicídio. Os homens não podem ficar em solidão ou em separação matrimonial da forma como uma mulher e, geralmente, eles não falam sobre seus problemas, assim eles não se libertam da dor. É por isso que cerca de 7% dos homens podem desenvolver depressão, um importante fator de risco para cometer suicídio.

Além disso, os homens vivem com mais estresse e angústia no trabalho, gerando mais problemas de saúde e estados de ansiedade. Mulheres com depressão mostram tristeza e um sentimento de inutilidade, enquanto os homens demonstram irritabilidade, cansaço e comprometimento do sono. A depressão pode ser mascarada pelo álcool e consumo de drogas.

Os homens devem se comunicar mais e ter um projeto de vida que possa ser ajustado à realidade. Se ele é compartilhado, é melhor. E eles devem assumir de forma mais coerente a "resposta" a outras propostas que os outros querem se desenvolver.

news.softpedia.com

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Suicídio: É nos lugares mais felizes que ocorre com maior frequência

O suicídio é um fenômeno científico importante. No entanto, suas causas ainda permanecem pouco compreendidas. E um estudo documenta um paradoxo: os locais mais felizes têm maiores taxas de suicídio. O estudo combina os resultados de dois ricos e individuais conjuntos de dados de grande nível - uma na satisfação com a vida e outro sobre óbitos por suicídio - para estabelecer o paradoxo de uma forma consistente em estados dos EUA. Ele replica a conclusão de dados sobre nações industrializadas ocidentais e verifica se o paradoxo é não um artefato da composição populacional ou fatores de confusão. O estudo conclui com a conjectura de que as pessoas podem achar particularmente doloroso ser infeliz em um lugar feliz, de modo que a decisão de cometer suicídio é influenciado por comparações relativas.


A gente sempre ouve falar por aí que países considerados de “primeiro mundo”, como Dinamarca, Suíça e Suécia, têm a melhor qualidade de vida no planeta. E que, por consequência, seus habitantes estão entre os mais satisfeitos do mundo. A parte estranha é que esses “lugares felizes” têm taxas bem altas de suicídios. “Por causa do frio”, a gente brinca. Mas será? Pesquisadores dos departamentos de economia da Universidade de Warwick, do Hamilton College e do Banco Central de São Francisco, todos nos EUA, foram checar.

Eles combinaram dados de duas grandes pesquisas (a World Values Survey e a U.S. General Social Survey) para ver qual era a relação entre a felicidade do povo e a quantidade de pessoas que se mata em diferentes estados dos EUA. E a análise mostrou que a anormalidade é verdadeira: “os estados mais felizes têm maiores taxas de suicídio do que aqueles que são menos felizes”, aponta o estudo (que está disponível, na íntegra, aqui). “Por exemplo, Utah está em 1º lugar em satisfação com a vida, mas tem a 9ª maior taxa de suicídio. Enquanto isso, Nova Iorque é o 45º estado mais feliz, mas tem o menor índice de suicídios nos EUA”.

E a culpa, óbvio, não é do frio. “Pessoas infelizes em um lugar feliz podem se sentir especialmente maltratadas pela vida“, sugerem os pesquisadores.”Como somos sujeitos a variações de humor, as baixas podem ser mais toleráveis em um contexto – seja uma época ou um lugar – no qual outras pessoas também estejam infelizes“. Ou seja: choremos juntos.

www.frbsf.org/publications/economics/papers/2010/wp10-30bk.pdf
http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mãe de Adriano diz a jornal que atacante pensou em suicídio

Dona Rosilda afirma à 'Gazzetta dello Sport' que filho estava muito mal quando jogou no Inter de Milão e que o Roma o fez renascer

GloboEsporte.com

O período de depressão que Adriano passou nos últimos meses de Inter de Milão é conhecido por todos, mas a mãe do jogador, dona Rosilda, relembrou os difícieis momentos que o atacante passou em entrevista ao jornal italiano "Gazzetta dello Sport". Segundo ela, Adriano chegou a falar em se matar, por isso voltou para o Brasil (para as suas raízes, como disse à época), chegou a afirmar que abandonaria o futebol, mas pouco tempo depois assinou contrato com o Flamengo, onde ficou por cerca de um ano. Mas segundo a mãe do atleta foi o Roma que o fez renascer.

- Um dia, quando estava na Itália, ele me ligou e disse não aguentar mais, ele queria parar com o futebol. Ele me disse que estava pensando em suicídio. Agora ele está de volta e claro que eu tenho que agradecer ao Roma, que lhe deu uma oportunidade - disse ela.


Como o próprio jogador já havia revelado, dona Rosilda diz que a origem da depressão do filho foi a morte do pai:

- Isso nunca passou. Seus críticos falavam mal sem saber realmente o que estava acontecendo, e ele entrou em colapso. Eu lhe disse para agir com o coração, porque nada é mais importante que a sua felicidade. E se tivesse que desistir do futebol para obtê-la, não há problema.

Apesar de o pior momento ter acontecido quando Adriano jogava pelo Inter de Milão, ela agradece ao clube:

- Nós seremos sempre gratos ao Inter. O clube marcou a sua vida e tornou-o rico e famoso. Mas, de acordo com ela, agora é hora de virar a página e começar de novo para voltar a ser um dos grandes atacantes do mundo:

- Meu filho vai fazer isso, tenho certeza. Vai vencer o desafio, ele e seu Roma ressuscitarão. Adriano hoje é um novo homem, uma pessoa com a cabeça no lugar.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Jovens com acne têm mais ideias suicidas, diz estudo

A acne afeta glândulas no rosto que produzem gordura. Resulta em manchas, espinhas e inflamação, além do risco de cicatrizes

Cara de Chokito, rei da bereba, casca de abacaxi. Adolescentes podem ser cruéis quando resolvem "zoar" com o amigo que tem muita acne.

Um estudo feito com milhares deles na Noruega mostra que esse "bullying" pode ser perigoso. Os pesquisadores encontraram uma nítida associação entre muita acne e pensamentos de suicídio.

Os resultados podem inocentar a droga isotretinoína, cujo uso contra acne severa já foi associado ao aumento de depressão e tendências suicidas em adolescentes.

"Eventos adversos incluindo ideação de suicídio que foram associados com terapias para acne podem refletir o fardo de ter muita acne em vez dos efeitos da medicação", escreveram os autores na revista "Journal of Investigative Dermatology".

"Ideação de suicídio", lembram os autores, é um termo médico que significa "qualquer pensamento reportado pela pessoa de comportamento suicida" e está associada a planos e tentativas. Inclui já uma "arquitetura" de um possível suicídio, sendo um passo além de meramente refletir a respeito.

A equipe de Jon Anders Halvorsen, da Universidade de Oslo, Noruega, enviou questionários a jovens de 18 e 19 anos. Quase um em cada quatro adolescentes com muita acne reportou ideação de suicídio. Em garotas com muita acne, a prevalência de ideação de suicídio foi mais do que o dobro do que entre aquelas com nenhuma ou pouca acne e, entre os garotos, foi três vezes mais alta.

A acne é um problema de pele comum entre adolescentes; quase todos podem ter alguma forma dessa doença inflamatória. Os casos mais severos atingem entre 10% e 20% dos "teens".

A acne afeta glândulas no rosto que produzem gordura. Resulta em manchas, espinhas e inflamação, além do risco de cicatrizes.

Para Halvorsen, a possibilidade de que a depressão venha da doença e não da droga pode auxiliar os dermatologistas que relutam em receitar isotretinoína.

"Há remédios disponíveis nas farmácias que podem ser tentados primeiro. Para aqueles com acne suave, isso é em geral OK", disse Halvorsen à Folha. "Há muitas opções de tratamento e todos podem melhorar da acne com o tratamento correto", acrescenta o pesquisador.

Ele dá um conselho a adolescentes e pais: "Não esperem muito para entrar em contato com o médico ou dermatologista, pois a acne pode causar cicatrizes difíceis de tratar".

O demartologista Marcelo Arnone, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, diz que nunca teve problemas em usar a isotretinoína: "Na minha experiência pessoal, e tenho uma grande casuística, não tive nenhum caso de depressão".

Os estudos ligando a droga à depressão são só "relatos de casos", diz ele. "Há a suspeita, mas é um nível muito baixo de evidência, de acordo com a medicina baseada em evidências", diz Arnone.

O ideal seria fazer um estudo controlado de uso da droga em jovens, afirma Arnone.

Ele lembra que doenças que comprometem a imagem causam impactos psicológicos e sociais fortes, "ainda mais em adolescentes".

VIDA SOCIAL

A adolescência é um momento delicado, quando o indivíduo se torna mais autônomo, muda o relacionamento com família e pares, e quando podem surgir relacionamentos duradouros.

Segundo Arnone, o adolescente com muita acne tende a diminuir suas atividades sociais -deixa de frequentar clubes, festas, até a escola.

O estudo também vinculou a acne a pior desempenho escolar, falta de namorado e não ter feito sexo.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Dezenas de suicídios nos últimos anos na empresa telefônica francesa France Telecom. O que explica isso?

Cinco funcionários da France Telecom cometeram suicídio nos últimos 15 dias, segundo afirmou ontem um membro do sindicato local, sem especificar se havia relação entre as atividades profissionais dessas pessoas.

Com a informação do sindicato, chega a 23 este ano ano o número de funcionários da France Telecom que se suicidaram, superando o número de todo o ano passado, quando houve 19 suicídios na empresa. A companhia de telecomunicações tem atualmente 181 mil empregados, sendo 100 mil deles na França.

"Houve cinco suicídios em 15 dias na France Telecom, cometidos fora do local de trabalho", disse Sébastien Crozier, do sindicato. A France Telecom, que colocou em prática um plano para melhorar as condições de trabalho após uma série de suicídios entre seus funcionários, confirmou que empregados haviam tirado suas próprias vidas nas últimas semanas, mas não confirmou o número.

"Foi com grande tristeza que soubemos que alguns empregados cometeram suicídio", disse um porta-voz da empresa. "Esses trabalhadores, que não se conheciam e não tinham qualquer relação entre si, trabalhavam em diferentes áreas em diferentes regiões da França."

"Neste momento, não é possível estabelecer qualquer relação entre os incidentes", disse o porta-voz. "Mas vamos analisar cada caso para tentar determinar o que aconteceu."

Depois de ser afetada por uma série de suicídios entre seus funcionários, que se intensificaram em 2009, a France Telecom nomeou Stéphane Richard no início de janeiro como presidente executivo. Seu plano estratégico de cinco anos, apresentado em julho, também continha medidas para aumentar o moral dos trabalhadores.

Os representantes dos trabalhadores afirmam que os suicídios estão ligados às condições de trabalho do grupo, em particular, à obrigação de mudar de postos de trabalho ou de região a que os empregados foram submetidos por Didier Lombard, o presidente anterior a Richard.

Família de funcionário da France Telecom que se suicidou participa de seu funeral, em outubro de 2009

Os sindicados consideram que os suicídios estão ligados às condições laborais do grupo e à obrigatoriedade de mudar de local de trabalho ou de região, na sequência de uma restruturação levada a cabo pelo antigo diretor, Didier Lombard, substituído por Stéphane Richard devido à polêmica causada pelos suicídios.

Os sindicatos divulgaram que entre 2008 e 2009 35 funcionários da empresa cometeram suicídio, mas a France Télecom não confirma os números.

/ AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Problemática, preconceituosa e infeliz, Brigitte Bardot tentou suicídio várias vezes

Brigitte Bardot atualmente
Ser uma das maiores divas do cinema - daquelas de tirar o fôlego e parar o trânsito, cortejada pelos homens mais ricos, bonitos e famosos do showbiz - não era o suficiente para fazer de Brigitte Bardot uma mulher feliz. A atriz francesa revelou, em entrevista ao tabloide "Daily Mail", que pensou muitas vezes em se suicidar.

"Você pode não ter maiores obrigações e ainda assim ter problemas. Eu realmente estive à beira do suicídio por várias vezes. É um milagre que eu ainda esteja viva", contou a estrela, aos 75 anos. Diferentemente de muitas artistas de sua idade, Brigitte rejeita intervenções cosméticas como botox e cirurgia plástica. Apesar de admitir que foi uma das mulheres mais sexies do mundo, a atriz hoje não dá a mínima para a aparência.

"Eu sou chocante, impertinente e arrogante", definiu-se a ex-atriz, sem papas na língua. "Nunca me arrependo de nada, mas fui mal interpretada por idiotas politicamente corretos. A política me enoja", completou.

Bardot se aposentou do cinema aos 39 anos, para se concentrar a seu amor pelos animais e seu ativismo político cada vez mais estranho. Ela vendeu sua casa, suas jóias e outros objetos de uso pessoal em 1986 para iniciar a Fundação Brigitte Bardot, que trabalha pelos direitos dos animais em todo o mundo. Ela foi ao ponto de causar ofensa internacional sobre o nome dos animais, e uma vez roubou um pássaro mainá em uma rua francesa, porque o seu proprietário, a quem bateu com um guarda-chuva, porque o dono do animal "abusou", dando-lhe um hambúrguer e batatas fritas .

Brigitte Bardot jovem
Bardot tem sido perseguida nos últimos anos, sendo multada pelo governo francês, nada menos que quatro vezes nos últimos anos por "incitação ao ódio", com seus livros. No seu ponto de vista os gays são "aberrações feirantes", que os casamentos racialmente mistos são uma abominação e que a França está a ser "islamizada" têm sido problemáticos, como sua denúncia do abate ritual de ovinos durante a festividade muçulmana de Eid. Bardot foi uma franco defensora do não fascista da França candidato presidencial Jean-Marie Le Pen .

"Eu realmente queria morrer, em certos períodos da minha vida. A morte foi como o amor, uma fuga romântica. Tomei comprimidos, porque eu não queria me jogar da minha varanda para ser fotografada morta por pessoas conhecidas."

Em seu aniversário de 26 ela tentou a sua tentativa de suicídio mais conhecido publicamente, engolir um frasco de pílulas para dormir e cortando os pulsos.


O Globo e nndb.com

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Suicídio pela Web, a face sombria e triste da internet

"Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios’’

Essa frase é de um adolescente de 16 anos. Um garoto que amava Radiohead, Mutantes e Vitor Ramil. Foi escrita no dia de seu suicídio. Era parte de sua carta de despedida. Ele dizia aos pais que a música era a melhor maneira de enfrentar o desespero que viria. Antes de começar a morrer, colou a carta no lado externo da porta do banheiro. Acima dela, um cartaz: “Não entre. Concentrações letais de monóxido de carbono”. Vinícius ligou o aparelho de som – “porque é bom morrer com música alegre” – e entrou.

Essa frase escrita na morte se transformou num legado de vida ao ser impressa no encarte do CD que será lançado ainda em fevereiro pela Allegro Discos, com 23 músicas de sua autoria. Parte delas foi entregue aos pais na forma de uma herança às avessas: “Deixei na mesa do computador um envelope vermelho da Faber-Castell que contém um CD com algumas de minhas músicas”. Yoñlu, o título do CD, é o nome com o qual batizou a si mesmo no mundo em que circulava com mais desenvoltura: a internet.


Ambos, Vinícius e Yoñlu, morreram por asfixia por volta das 15h30 de uma quarta-feira de inverno, 26 de julho de 2006. Vinícius foi estimulado ao suicídio e auxiliado por pessoas anônimas na internet. Ele é a primeira vítima conhecida no Brasil de um crime que tem arrancado a vida de jovens de diferentes cantos do mundo – uma atrocidade que poderia ser chamada de Suicídio.com.

Yoñlu anunciou na internet que seu suicídio começaria a partir das 11 horas de 26 de julho


Video: Teen Suicide


Encobertos pelo anonimato da rede, internautas de diferentes nacionalidades têm dito em várias línguas a pessoas muito frágeis, a maioria delas adolescentes: “Mate-se”. O suicídio de Simon Kelly, de 18 anos, em Cornwall, na Inglaterra, foi um dos primeiros sinais de que algo de macabro estava acontecendo no reino da internet. No verão de 2001, o garoto aproveitou uma viagem dos pais para acessar sites sobre suicídio com detalhes técnicos de como poderia se matar. Morreu de overdose enquanto conversava com “amigos” virtuais em uma sala de bate-papo. A banalidade dos diálogos travados enquanto o adolescente tirava a vida é chocante. Ninguém tentou dissuadi-lo ou buscou ajuda. Um internauta procurou apenas convencê-lo a dar uma última olhada no mar antes do fim. Simon respondeu: “Fiz isso no domingo. Vejo vocês do outro lado”. A morte foi transmitida pela câmera do computador.

Somente em 2005, 91 pessoas, a maioria entre 20 e 30 anos, suicidaram-se no Japão, estimuladas por sites na internet. Apenas em um mês, março de 2006, houve três casos de suicídios coletivos combinados em fóruns virtuais no país: 13 internautas morreram. Desde o ano passado, 14 jovens da região de Bridgend, no sul do País de Gales, se mataram. Alguns deles estavam ligados por um site de relacionamento que difundia uma idéia “romântica” do suicídio. O mais velho tinha 26 anos. Nos últimos seis anos, a Papyrus, entidade dedicada à prevenção do suicídio, registrou 27 mortes incentivadas pela internet apenas na Grã-Bretanha. A vítima mais jovem tinha 13 anos.


LEGADO PRECOCE

Yoñlu compunha, fazia os arranjos, tocava piano e violão. Acima, a capa do CD póstumo que será lançado neste mês pela Allegro Discos
No mundo virtual não há nenhuma perversão nova, apenas as velhas modalidades que já assombravam as ruas da realidade. A diferença é que, na internet, qualquer um pode exercer seu sadismo protegido pelo anonimato, na certeza da impunidade. Basicamente, a idéia é: “Se ninguém sabe quem eu sou, não só posso ser qualquer um, como posso fazer qualquer coisa”. Megan Meier, uma adolescente americana de 13 anos, foi uma vítima da mais banal das maldades, cuja potência de destruição foi multiplicada na internet. Depois de receber mensagens hostis de um “amigo” virtual no site de relacionamento MySpace, Megan subiu ao 2o andar da casa e se enforcou com um cinto no closet. Josh Evans, um garoto musculoso de 16 anos, louco por pizza, tinha dito a ela: “Você é uma pessoinha de m.... O mundo seria bem melhor sem você nele”. O detalhe: Josh nunca existiu. Era uma criação coletiva de suas vizinhas para se divertir com a menina gordinha.

O brasileiro Vinícius Gageiro Marques deixou o inventário de seu suicídio. Documentou sua morte na carta de despedida impressa em papel e no registro virtual da internet. Seguindo seus passos, é possível chegar ao impasse de uma época em que adolescentes habitam dois mundos – mas os pais só os alcançam em um.

Como Yoñlu, ele marcou seu suicídio no mundo virtual para as 11 horas de 26 de julho de 2006. No mundo real, Vinícius estava havia dois meses em internação domiciliar por determinação de seu psicanalista. Ele era um garoto superdotado, descrito como “extraordinariamente inteligente” e “extremamente sensível”. Filho único do casamento de um professor universitário que foi secretário de Cultura do Rio Grande do Sul com uma psicanalista, ele teve todo o estímulo para desenvolver inteligência e sensibilidade. Alfabetizou-se em francês quando a mãe fazia doutorado em Paris com a historiadora e psicanalista Elizabeth Roudinesco, biógrafa de Jacques Lacan. Mas o mundo doía em Yoñlu, como mostram as letras de muitas de suas músicas. Sua questão não era morrer, mas fazer a dor parar.

Os fones de ouvido eram o caderno dele. Não levava nada, não ouvia o professor e depois passava por média em tudo’’GENOVEVA GUIDOLIN, orientadora educacional do Colégio Rosário
Vinícius criou uma fantasia para enganar os pais: a de um adolescente “normal”. Disse a eles que queria fazer um churrasco para os amigos, que estava interessado numa “guria”, que preferia não ter os pais por perto. Dias antes, pediu ingresso para um show que aconteceria depois de sua morte, iniciou um tratamento de pele, foi ao supermercado comprar a carne. Simulou um futuro onde não pretendia estar.

Vinícius parecia “curado” no mundo real. Na internet, porém, Yoñlu pedia instruções sobre o melhor método de suicídio. Em 23 de junho, comentou que adiaria sua morte porque muita gente estava elogiando suas músicas. A faixa 10 do CD, “Deskjet Remix”, em parceria com um DJ escocês, tocava em festas eletrônicas de Londres. O mundo virtual de Yoñlu alcançava gente de vários países em sites de suicídio e fóruns de música, com quem conversava num inglês desenvolto.

Enquanto Vinícius tecia uma fantasia no mundo real, a realidade estava onde os adultos de sua vida não esperavam encontrá-la: no mundo virtual. A mãe arrumava a mesa para o churrasco de ficção. Bem ali perto, o computador anunciava a morte do filho pelo método conhecido como “barbecue”. Por volta de 11h15, os pais saíram do apartamento que ocupa três andares de um prédio da família, num bairro de classe média de Porto Alegre. Por volta das 12 horas Vinícius ligou para o celular da mãe, avisando que os amigos tinham chegado e que estava “tudo bem”. Às 13 horas, os pais deixaram o violão, que estava no conserto, na portaria do prédio. Vinícius foi buscá-lo. Três horas depois, os pais leriam: “Para garantir uma margem segura de tempo, inventei a história do churrasco, pedindo para que vocês saíssem de casa durante todo o dia. (...) Essa medida fez com que o churrasco de hoje parecesse um grande progresso no que tange a minha condição psíquica, quando na verdade era justamente o contrário”.

O que aconteceu depois foi gravado por Yoñlu no computador. Às 14h28, ele postou num grupo de discussão, sempre em inglês: “Estou fazendo esse método CO (suicídio por inalação de monóxido de carbono) neste momento e tenho duas grelhas queimando no banheiro. Aqui está a foto. Alguém pode me dizer se há carvão suficiente e quando eu posso entrar no banheiro e me deitar? Por favor, por favor, me ajudem! Eu não tenho muito tempo”.


Uma canadense avisou a polícia gaúcha que um garoto se suicidava na internet

A foto mostra duas churrasqueiras portáteis com chamas, uma ao lado da outra, num banheiro. Às 14h42, alguém diz: “Como você está se virando? Espero que você consiga o que quer. Talvez você volte daqui a pouco tossindo”. Dois minutos depois, Yoñlu escreve: “Ah, meu Deus. Eu não consigo suportar o calor, está tremendamente quente naquele banheiro. O que eu devo vestir para se tornar mais suportável? Eu tomei uma ducha antes, mas não adiantou nada. O que eu posso fazer? E o que eu devo fazer para desmaiar, por Deus?”.

Um bombeiro aposentado de Chicago, segundo o inquérito policial, orientou Yoñlu a retirar as roupas, encharcar algum pano e se enrolar nele para suportar o calor até o momento de desmaiar. O último post de Yoñlu, de Gay Harbour, como ele chamava causticamente Porto Alegre, foi às 15h02. Muito tempo depois, alguém escreveu: “Acho que funcionou, já que ele não entrou mais em contato”.

Às 15h45, o policial federal Enrico Canali, de Porto Alegre, foi chamado ao telefone porque era fluente em inglês. No outro lado da linha estava o policial Ken Moore, de Toronto, no Canadá. Lindsey, uma universitária canadense, amiga virtual de Yoñlu, procurou a polícia de sua cidade para avisar que alguém no sul do Brasil estava se suicidando. Deu o endereço de Vinícius, obtido com outro amigo virtual. Canali acionou a Polícia Militar.

Os PMs Volmir da Silva Ramos, sargento, e Fernando Hermann Heck, soldado, tentavam conter uma mulher em surto psicótico debaixo de um viaduto quando foram chamados pela central. Eram 16h10. A zeladora do prédio demorou 15 minutos para deixá-los entrar, assustada com a presença da polícia narrando uma história que soava absurda. Chamou o avô de Vinícius, que morava em outro apartamento do mesmo prédio. “Não é possível. Só meu neto está aqui, e ele está com os amigos, numa festa”, ele teria dito aos policiais. A cena que encontraram não precisa ser descrita.

Durante cerca de uma hora, o serviço médico tentou reanimar Vinícius. Ele explicou aos pais na carta: “O método que escolhi foi intoxicação por monóxido de carbono, é indolor e preserva o corpo intacto, mas demora, e se a pessoa é resgatada antes de morrer fica com graves lesões cerebrais e torna-se um vegetal”.

Eu dizia que ele era um velho brincando de adolescente na rede. Dizia sai, deixa para os netos. Então ele me mandava a voz para provar que era jovem’’
FELIPE DI MELO, de 19 anos,
amigo virtual


Quando o sargento constatou que estava tudo acabado, puxou o pai e a mãe do menino para que ficassem juntos – “porque agora só teriam um ao outro” – e foi embora. Os pais nem precisariam ter lido a carta para entender: “Não houve churrasco, não havia colegas nem guria que eu goste. Peço desculpas pela maneira trapaceira com que arranjei meu suicídio. Peço desculpas também pela maneira assustadora com que a notícia chegará a vocês. Foi a maneira que encontrei de garantir um dia inteiro sozinho a fim de conduzir o procedimento da maneira mais segura”.

Vinícius era um garoto de 1,83 metro de altura, magro e bonito. Mas não era essa a imagem que via. Em alguns momentos, segundo o inquérito, sentia que seu corpo se desintegrava, que seu rosto estava deformado. Procurava então um espelho para ter certeza de que estava ali. Na escola, quando tinha essa sensação, levava um CD para poder se olhar sem chamar a atenção. Aos 12 anos, ele já lia Kafka.

Parte da reportagem da Revista Época, intitulada Suicídio.com, de 11/02/2008 - Edição nº 508

Não é tudo culpa da internet. No livro Ponto de Desequilíbrio de Malcolm Gladwell, existe um capítulo que trata das epidemias de suicídio. Segundo o autor, em estudos notou-se um relação proporcional lógica: logo após a glamourização dos eventos de suicídio, segue uma onda de outras pessoas tirando sua vida. E a matéria da Época traz ilustrações do autor, informações do blog, fala de músicas disponíveis para download. Colocaram um ícone na capa da revista! Talvez seja pior do que alguns gatos-pingados ajudando-o no seu intento. Desta forma, seguindo uma lógica de capa de revista, eventos no futuro serão culpa da mídia tradicional. Não, não serão. Não é fácil explicar porque uma pessoa tira sua própria vida.


É uma análise de mídia do estilo "por favor, venda revista". Uma interpretação mais cautelosa da relação entre internet e suicídio poderia levantar outros dados como: será que pessoas solitárias encontraram companhia através da rede e deixaram de pensar em tirar sua vidas? Quantas pessoas aflitas não conheceram outras com os mesmo problemas e puderam ajudar-se? Enfim, será que a internet não salvou a vida de alguns futuros suicidas?


Talvez este tipo de reflexão não venda.
(navegantes.org)