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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Menino de 10 anos que se matou em escola em SP sofria bullying, diz polícia

Garoto que se matou em escola em SP sofria bullying, diz polícia

O garoto de 10 anos que atirou contra uma professora e depois se matou, nesta quinta-feira, em São Caetano do Sul (Grande SP), era manco e sofria bullying dos colegas por conta disso, segundo a polícia.

David Mota Nogueira, aluno do 4º ano da escola municipal Professora Alcina Dantas Feijão, disparou contra a professora Rosileide Queiros de Oliveira, 38, dentro da sala de aula, às 15h50. Na ocasião, 25 alunos estavam na sala.

Segundo a polícia, o aluno pediu para ir ao banheiro e, quando voltou, já estava armado. Depois de atirar contra Rosileide, o garoto se retirou da sala, sentou em uma escada e disparou nele próprio, na cabeça.

A polícia afirma que o garoto era filho do guarda municipal Nilton Nogueira e usou a arma do pai --um revólver calibre 38-- para fazer os disparos. Segundo o secretário municipal de Segurança Pública, Moacyr Rodrigues, a arma é particular e não pertence à guarda.

Ambos foram socorridos com vida. O aluno foi atendido no Hospital de Emergência Albert Sabin, em São Caetano. Ele teve duas paradas cardíacas e morreu às 16h50, ainda de acordo com a prefeitura da cidade.
Professora baleada dentro de escola em São Caetano do Sul (Grande SP) foi socorrida pelo helicóptero Águia da Polícia Militar

A professora levou um tiro nas costas, na altura do quadril e sofreu uma fratura na patela direita. Ela foi socorrida pelo helicóptero Águia da PM, recebeu os primeiros atendimentos em um hospital da região e foi transferida para o Hospital das Clínicas, em São Paulo. Seu estado de saúde é estável e ela não corre risco de morte, segundo a prefeitura de São Caetano do Sul.


O pai do aluno chegou a sentir falta da arma na manhã de hoje e procurou seu filho mais velho, que não estava com ela. A família soube que o garoto de 10 anos havia pego o revólver do pai somente após o ocorrido.

A escola --de ensino fundamental e médio da rede municipal-- fica na rua Capivari, na altura do número 500, no bairro Nova Gerty.

Imagens publicadas na internet mostram o momento em que ambulâncias deixaram a escola:





ANDRÉ CARAMANTE
JULIANNA GRANJEIA
MARIANA DESIDÉRIO
DE SÃO PAULO

domingo, 29 de maio de 2011

Rosie Huntington-Whiteley, eleita este ano a mulher mais sexy do mundo, diz que sofreu bullying por ser gorda

A modelo e atriz Rosie Huntington-Whiteley, eleita este ano a mulher mais sexy do mundo pela revista "Maxim", disse ter sofrido bullying no início da carreira por estar acima do peso.

Rosie, 24, afirma em entrevista à revista "Elle" que era pesada e voluptuosa quando começou a trabalhar como modelo. "Me disseram para entrar em forma, mas eu sou muito teimosa então eu não emagreci. Eu nunca briguei com meu corpo, mas eu lembro de me pedirem para perder peso e sofri com o conselho. Isso me magoou", conta.

A atriz conta que acabou emagrecendo naturalmente quando ficou mais velha. Conhecida por fazer parte do elenco da marca de roupas íntimas Victoria's Secret, ela estreia no cinema este ano no filme "Transformers: Dark of the Moon".

Chris Pizzello-11.mai.11/Associated Press

Rosie Huntington-Whiteley diz ter sofrido pressão para perde peso no início da carreira de modelo

Folha

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Justin Bieber terá que fazer comercial antibullying

A gravadora do cantor Justin Bieber, Island Def Jam, se declarou culpada nesta sexta-feira por uma confusão com fãs que aconteceu em 2009. As informações são do site TMZ.

 
Por conta do acordo, Bieber terá que estrelar um comercial antibullying do governo.

A confusão aconteceu em um evento em uma loja em Long Island, quando a massa de fãs do cantor começaram a sair do controle.

Jack Guez/France Presse
O cantor canadense Justin Bieber, que terá que fazer comercial antibullying

Na ocasião, a polícia teria pedido ao empresário de Bieber, Scott Braun, que publicasse um comunicado no Twitter dizendo que o evento havia sido cancelado. Mas Scooter, como é conhecido, não obedeceu.

Após o incidente, ele foi preso por ter tomado uma atitude que poderia colocar crianças e jovens em perigo.

Agora, quase dois anos depois, ele e a gravadora concordaram em se declarar culpados e pagar US$ 8.000 para cobrir o custo de controlar a multidão.

Fonte: Folha

domingo, 17 de abril de 2011

Internautas cada vez mais bocas sujas

Em quatro dias, foram 38 mil postagens com insultos, quase metade do total analisado

A Gazeta  - Elaine Vieira       
A internet está mal-educada. Em apenas quatro dias de monitoramento, a empresa MITI Inteligência levantou mais de 38 mil postagens com palavrões e insultos, a maioria deles em redes de relacionamento como o Twitter e o Facebook. O número equivale a quase metade de tudo o que foi analisado nesse período, cerca de 71 mil mensagens.
Palavrões

Diversas palavras de baixo calão atribuídas a marcas, empresas,
produtos ou pessoas foram monitoradas durante quatro dias em diversas
redes sociais

Twitter: Dos 38.979 posts analisados, 20.846 tinham palavrões, ou seja, 53.96%

Facebook: Dos 28.540 posts monitorados, 15.881 tinham palavrões, ou seja, 41,11%

Outros 1.906 posts ofensivos foram encontrados em blogs, YouTube, fóruns

e sites de reclamações, totalizando 38.633 em 4 dias

Assuntos
No período foram levantadas 233 notícias sobre bullying

Sobre preconceito, foram 6.456 interações

Racismo é a segunda palavra com maior volume de menções, com 4.504 citações


E são diversos os alvos dos insultos. As mensagens analisadas estão relacionadas a empresas, marcas, personalidades e até pessoas comuns, sempre atribuindo nomes e referências.

"Pessoas comuns abrem seus perfis nos canais de relacionamento, criam identidades virtuais e expõem opiniões e experiências de forma aberta e muitas vezes intempestiva. Os comentários na rede estão cada vez mais inflamados, e os usuários não se intimidam ao se referir a qualquer um utilizando os mais diversos termos pejorativos", comenta Elizangela Grigoletti, gerente de Inteligência e Marketing da MITI Inteligência e responsável pela pesquisa.

Para ela, na internet é muito comum ver pessoas ultrapassando a tênue linha que separa a liberdade de opinar da intolerância. "De certa forma, essa possibilidade (de ser ouvido nas redes e não ser ouvido nos órgãos convencionais) cria uma falsa sensação de liberdade. É como se nas redes tudo pudesse ser dito sem nenhuma consequência. Por isso comentários e discussões que normalmente apresentam um tom mais neutro nas conversas pessoais agora geram reações intensas nos bate-papos virtuais ou perfis sociais", alerta.

Para ela, esse comportamento deve causar preocupação. "Até onde vai o seu direito de expressar sua opinião e onde começa o direito do outro de não ser exposto?", questiona.

A internet também é palco de conscientização sobre os problemas que ajuda a disseminar. Na pesquisa, também foram detectadas várias conversas sobre temas como bullying, preconceito e racismo, a maioria motivada por notícias relacionadas.

"Esses termos são comentados diariamente em todas as redes sociais em grande volume. Os internautas não deixam de opinar sobre o assunto, mostrando que aos poucos os valores da sociedade se alteram de forma geral, quando colocadas à prova em alguns casos polêmicos."

Análise
Efeitos reais para ações virtuais




Luciana Nunes

Psicóloga, especialista em relações pela internet. Responsável pelo site psicoinfo.com.br

É preciso analisar as relações na internet pelo tripé anonimato, descarga emocional e acessibilidade. Esses três fatores são os responsáveis pelos comportamentos exagerados nas redes sociais. O fato de permitir o anonimato ou a criação de uma nova personalidade virtual acaba deixando as pessoas mais à vontade para fazer coisas que não fariam num contato real. A internet vem se juntar ao riso, ao choro e ao sexo como situações que provoca alívio emocional, garantindo o equilíbrio do ser humano. Além disso, o fácil acesso a empresas e pessoas acaba dando essa impressão de proximidade e favorecendo exageros. Muita gente acha que, por não estar fisicamente presente, as ofensas não serão levadas para o lado pessoal, o que não é verdade. É preciso aprender a minimizar os conflitos, pois as consequências daquilo que é feito no mundo virtual são tão reais quanto as outras, como quebra de relacionamentos.

Comentários podem virar casos de polícia

É difícil controlar publicações na internet, mas a polícia já consegue localizar, retirar do ar e punir os responsáveis por comunidades ou comentários indevidos. Um exemplo aconteceu na última semana, quando surgiram comunidades no Orkut manifestando apoio ao atirador de Realengo, Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, que matou 12 crianças em uma escola no Rio de Janeiro. A primeira comunidade a surgir, criada por um adolescente, foi tirada do ar, mas outras foram criadas em seguida. Os responsáveis estão sendo chamados para prestar depoimento.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Em vídeo, atirador diz que lutava contra covardes e bullying‎

Em dois vídeos gravados antes de matar 12 crianças em uma escola no Rio de Janeiro, Wellington Menezes de Oliveira disse que lutava contra "covardes", além do bullying. Segundo reportagem do Jornal Nacional, que teve acesso a dois arquivos de vídeo (supostamente gravados pelo próprio jovem) nos quais ele aparece sem barba, na frente do que parece ser um muro, dois dias antes do atentado, afirmou: "a luta pela qual muitos irmãos no passado morreram, e eu morrerei, não é exclusivamente pelo que é conhecido como bullying. A nossa luta é contra pessoas cruéis, covardes, que se aproveitam da bondade, da inocência, da fraqueza de pessoas incapazes de se defenderem".



O jovem deu ainda detalhes do planejamento da ação e disse por que tirou a barba de forma premeditada. "Os irmãos observaram que eu raspei a barba. Foi necessário, porque eu já estava planejando ir ao local para estudar, ver uma forma de infiltração. Eu já tinha ido antes, há muitos meses. Eu fui. Eu ainda não usava barba. Eu fui para dar uma analisada". Ele também disse ter ido à escola dias antes do massacre. "Eu fui ontem, segunda. Hoje é terça-feira, dia 5. E essa foi uma tática para não despertar atenção. Apesar de eu ser sozinho, não ter uma família praticamente... eu vivo sozinho".




Laudo do IML confirma que atirador de Realengo se suicidou, diz polícia
Informação foi divulgada nesta terça-feira (12) pela Polícia Civil.
Rapaz de 23 anos matou 12 crianças na Escola Tasso da Silveira.
Laudo do IML aponta que o 
atirador Wellington se matou 
(Foto: Reprodução/TV Globo)

A assessoria da Polícia Civil informou, na tarde desta terça-feira (12), que o laudo cadavérico feito por peritos do Instituto Médico Legal (IML) no corpo do atirador Wellington Menezes de Oliveira, que matou 12 crianças na Escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, apontou como suicídio a causa da morte.

O laudo, feito por peritos que estudaram a trajetória do disparo, afirma que a arma estava encostada na cabeça ("tiro encostado"), o que comprova que foi ele mesmo quem atirou e não foi baleado à queima-roupa. Mas o confronto balístico ainda será finalizado, informou a polícia.

Ainda de acordo com a polícia, o laudo informa que o atirador "teve ferimentos penetrantes e transfixantes de crânio (têmpora direita) e abdômen com lesão de encéfalo, fígado e rim direito, com ação de perfuração contudente por arma de fogo".

Para poupar os familiares das crianças, os laudos cadavéricos das crianças não serão divulgados, por determinação da chefe de Polícia Civil, Martha Rocha.

Vítima dorme com os pais
Na primeira noite em casa após ter alta do Hospital Estadual Albert Schweitzert, o menino Carlos Matheus, de 13 anos, foi paparicado e dormiu junto com seus pais. Ele foi uma das vítimas do ataque à Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio.

"Dormiu todo mundo junto no quarto. Eles dormiam em cama separadas, mas a gente fez questão de dormir junto", diz a mãe, Carla Daniele Vilhena de Souza, que lembrou: "agora ele tem dois aniversários, 18 de dezembro e 7 de abril".

Jovem se recupera de ferimentos no braço e no
peito (Foto: Patrícia Kappen/G1)
Terça-feira de visitas
Na manhã desta terça-feira (12) os amigos de Carlos foram visitá-lo em sua casa. Ele era amigo de dez das doze vítimas do atirador Wellington Menezes de Oliveira. Duas das vítimas que permanecem internadas são amigos que estavam do seu lado na hora em que foi atingido.


Menino tem medo de voltar para escola
Carlos Matheus estudava há três anos no mesmo colégio, que fica a duas quadras de onde mora. Agora, está com medo de voltar para a escola e seus pais não sabem como resolver o problema.

“A gente conversou com as autoridades, e eles falaram: ‘a gente transfere ele para outra escola da região’. Mas aqui não tem nenhuma escola que preste”, disse Carla de Souza.

'Foi aterrorizante', diz mãe
A mãe contou ficou sabendo pelo sogro que o filho tinha sido atingido. “Quando cheguei na escola ele já tinha ido para o hospital. Fui a primeira mãe a chegar lá. Foi aterrorizante. Mas graças a Deus a gente já está em casa".

Enquanto estava no hospital, Carlos Matheus lembra de se preocupar com as outras vítimas da tragédia. “Só queria melhorar e falar com meu amigo Diego”, disse, explicando que um colega também está internado no hospital. “Eles não me deixaram ver ele, mas ele está melhorando, está bem melhor do que estava. Espero que isso não aconteça nunca mais”, resumiu.

G1

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Massacre em escola no Rio pode ter motivação no bullying e no fanatismo religioso

Wellington de Menezes de Oliveira, 24, invadiu por volta das 8h desta quinta-feira (7) a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio, e matou com disparos 10 estudantes e feriu mais de vinte, entre estudantes e funcionários. Em seguida se suicidou. Ele entrou na escola dizendo que ia dar uma palestra.

No total, o número de mortos está em 13, incluindo Oliveira, um ex-estudante da escola. Dez estudantes estão em estado grave internados no Hospital Albert Schweitzer, em Nilópolis.

O coronel Ibis Pereira, porta-voz da PM, disse que Oliveira estava tomado por uma "demência religiosa". Informou que ele deixou uma carta onde acusa as crianças de serem impuras. "Era um fanático religioso."

Pereira afirmou que o atirador estava armado com um revólver de calibre 38 e outro de 32. Tinha muita munição e equipamento para recarregar as armas. O coronel disse que Oliveira estáva com intenção de matar muito mais.

Fanatismo Religioso

Uma irmã de criação de Oliveira disse que ele sofria de transtornos mentais, estudava o islamismo e por algum tempo usou barba cumprida, como os fundamentalistas de Maomé.

Uma merendeira disse: “O cara entrou, foi para o terceiro andar e começou a atirar”, disse uma funcionária. “Vi muitas crianças carregadas, desacordadas, baleadas”.

Evaldo Machado, vizinha da escola, disse o que viu pela janela: "Eu estava tomando café na janela quando houve uma correria de várias crianças saindo da escola. Contei pelos menos 13 crianças feridas. Elas foram retiradas em carros particulares".


O ataque de fúria de Oliveira está sendo noticiado por sites e redes de TV de todo o mundo.
O ataque de fúria Oliveira está sendo noticiado por sites de jornais de todo o mundo. A presidente Dilma disse estar chocada. O ministro Fernando Haddad (Educação) comentou que nunca houve no Brasil esse tipo de assassinato em massa.

Veja o momento em que atirador invade sala de aula

terça-feira, 5 de abril de 2011

Vídeo de vítima de bullying vira hit na internet

Vítima de bullying faz vídeo contra
agressões e vira hit na internet

O vídeo que Alye Pollack fez para dividir
sua história já foi visto por mais de 400 mil pessoas
Na mensagem da adolescente ela diz que palavras machucam mais que agressões físicas

Depois de dois anos sofrendo agressões verbais diárias dos colegas do colégio Bedford Middle School, em Connecticut, nos Estados Unidos, a adolescente Alye Pollack resolveu dar um basta e postou na internet um vídeo em que conta um pouco da sua história. A adolescente também faz um apelo antibullying.

O que Alye não esperava é que o vídeo- postado em meados de março - fosse fazer tanto sucesso. Até esta terça-feira (5) cerca de 400 mil pessoas já tinham visto o filme no Youtube.,

Em entrevista a um canal local a adolescente diz que esperava no máximo umas 200 visualizações e que percebeu que o vídeo já afetou seus colegas de escola.

- Um monte de gente já veio falar comigo e disse que agora sabe que não é legal falar coisas ruins e que machuquem as pessoas eles dizem que agora pensam antes de falar alguma coisa. Isso é maravilhoso eles realmente entenderam o vídeo.

A menina não fala nada durante os quase três minutos de filme, apenas mostra cartazes feitos a mão e que aos poucos vão revelando a sua trajetória.
Entre as mensagens a menina diz que já pensou em se automutilar para lidar com a depressão e que passa mais tempo na terapia do que nas aulas.

Veja o vídeo em Inglês: 


Words are worse than Sticks and Stones por thevideos no Videolog.tv.

No final do vídeo um cartaz em que ela afirma que na hora de machucar palavras são piores que pedras e porretes. Ela pede que as pessoas pensem na história dela para que isso não se repita.

domingo, 27 de março de 2011

Bullying: Psiquiatra afirma que 90% das crianças que sofrem não contam para os pais

Esta semana, as imagens de uma briga num colégio australiano caíram na internet e rodaram o mundo. Um aluno cansou de ser provocado - e reagiu com violência.


Depois de apanhar muito, o jovem de 15 anos finalmente reage com um golpe assustador. O rapaz que parece ter começado as agressões, chamado Richard, se defendeu na TV australiana. Disse que, antes da cena que foi parar na internet, ele tinha levado um soco.

Já o garoto que revidou virou herói na escola. E contou que vivia sendo agredido e chamado de gordo. "Eu estava totalmente sozinho. Eu era um alvo fácil", disse Casey.

Foi um caso típico de Bullying: agressões físicas e morais comuns nas escolas. E, normalmente, mantidas em segredo.

A história que o rapper Emicida guardou por mais de 15 anos começa sem palavras, com uma cena apavorante numa escola de São Paulo. Meninos maiores, zoando, debochando. E depois batendo no magrinho tímido, de nove anos, que não tinha dinheiro para andar na moda.

“Os caras me zoavam porque eu não tinha um tênis. Os caras me zoavam por causa do meu cabelo”, conta Emicida.

Quando atravessou os portões para sair da escola, o ataque ficou ainda mais violento.

“Aí, os cara pegaram, vieram me batendo, me batendo. Aí os cara me cataram e me jogaram”, diz Emicida.

Os agressores foram suspensos pela direção. Mas foi a vítima que desapareceu.

“Eu parei de vir na escola a partir de então”, lembra o rapper.

Emicida confessa que pensava em vingança.

“Eu tive vontade de matar os caras. Não sei, acho que não tive oportunidade, graças a Deus não tive”, diz Emicida.

Criamos um espaço para as pessoas contarem suas histórias de bullying, e avisamos pela internet. Em apenas dois dias, foram quase cem telefonemas. Alguns exemplos:

“Era um grupo de meninas que não me batiam, não me perseguiam, mas me humilhavam. Eu estou estudando em casa porque eu não tenho condições de ir para o colégio. Eu tomei um monte de comprimidos”.

“Sempre me chamaram de veado, bicha, gay. Você acaba se sentindo mal, acha que ninguém é seu amigo”.

“Eu era chamado de dentuço, de robocop. Para mim, escola era o terror”.

“Eu era gordinha. Para eu não apanhar das minhas colegas, eu dava caneta, dava lápis de cor”.

“Já teve caso de meninas da turma saírem da fila que a gente formava pra ir medir a minha perna, pra ver se a minha perna era muito fina. E ficavam com fita métrica, essas coisas, entendeu?”

“Não tenho nenhuma amizade do colégio. Pelo contrário, são pessoas que eu tenho um profundo desprezo até hoje”

Em meio a tantos casos de vítimas, apareceu também a surpreendente história de um agressor:

“Ninguém, acho, que praticou o bullying que nem eu. Hoje, com 47 anos, eu olho isso aí e me envergonho de tanto bullying que eu fiz, cara. Poxa, se eu tivesse a oportunidade de pedir desculpa para essa gente aí”.

Mas por que, afinal, é tão difícil detectar e combater esse problema que acontece com muita frequência? Para discutir o bullying, reunimos em uma sala de aula em uma escola na Zona Sul de São Paulo pais, alguns deles professores, o diretor da escola e a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva.

“Bullying é toda violência que ocorre em território escolar, e para ser bullying tem que ser intencional, ela tem que ser repetitiva, no mínimo três vezes, e a pessoa que sofre, a vítima, ela tem que estar sempre em uma situação desfavorável para fazer frente a essa agressão. E as agressões são difíceis de detectar. E 90% das crianças que sofrem bullying não falam para os pais”, aponta Ana Beatriz.

Os pais demonstram total confiança no diálogo com os filhos. Mas os sinais nem sempre são claros.

“As crianças que sofrem bullying em geral são isoladas no recreio, elas não participam das brincadeiras, elas não participam dos passeios”, diz a psiquiatra.

Durante o bate-papo, uma surpresa.

“Me chamavam de vampira”, diz uma mãe.

Dois pais revelaram que foram perseguidos e nunca disseram nada para a família.
“Doía muito, e é um fantasma. Fica gravado em você. Fica como se fosse uma tatuagem”, diz um pai.

Às vezes, as vítimas resolvem dar o troco. Em 2007, nos Estados Unidos, o coreano Cho Seung-Hui matou 32 pessoas na universidade e se matou. Sofria bullying por causa de uma enorme dificuldade para falar.

E veja só quantas vítimas entre os famosos. O "gordo" da escola virou o bilionário Bill Gates. Quem era mesmo a girafa? Gisele Bundchen.

Como os pais normalmente demoram a perceber que os filhos são vítimas de bullying, o problema acaba aumentando e, muitas vezes, as marcas ficam para a vida inteira. Pela primeira vez em mais de 15 anos, o rapper Emicida voltou à escola onde tudo aconteceu.

“É um sentimento de solidão quando eu olho. Sentava na escada, sentava na quadra”, diz Emicida.

O rapper foi direto para o fundo da quadra.

Enquanto a garotada jogava, ele se distraía desenhando. Até mudar de escola, viveu três anos de solidão.

“Sentar aqui, olhar, ver essa molecada brincando me lembra exatamente de estar aqui nesse lugar com a minha mochila no chão, com lápis aqui, e eu desenhando uma coisa qualquer. Mas desenhando com vontade de estar jogando, de estar rindo”, lembra Emicida.

Quem diria que o magrinho de sandálias seria um rapper famoso, convidado para tocar nos Estados Unidos e no Rock in Rio?

Repórter: deixa eu te fazer uma proposta aqui: volta lá no campo e faz o que você provavelmente gostaria de ter feito naquela época.

"Estou mostrando como trabalha um verdadeiro MC junto com as crianças que é o brilho amigo, é a pura esperança", canta o rapper.

Depois de ser aplaudido no palco de suas maiores tormentas e de reencontrar a inspetora dos tempos da escola, o rapper Emicida saiu com uma rara sensação de alívio.

“Acho que foi importante. Eu tinha essa parada guardada em mim”, acredita Emicida.

Site do Fantástico