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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

“Escuela Caribe”. Reformatório evangélico tenta “curar gays e outros jovens problemáticos”

Reformatório evangélico tenta “curar gays e outros jovens problemáticos”
Documentário sobre escola cristã que usava tortura causa polêmica
Reformatório evangélico tenta “curar gays e
outros jovens problemáticos”

Kiddnaped for Christ [Sequestrados por Cristo] é um documentário que mostra as histórias de vários adolescentes americanos enviados para uma escola cristã evangélica localizada numa região remota da República Dominicana.

Chamado “Escuela Caribe”, o internato é dirigido por evangélicos americanos e é anunciado como um local “cristão terapêutico”, cuja missão é “ajudar os jovens problemáticos a transformarem-se em adultos cristãos e saudáveis” ​​.

Embora muitos tenham elogiado a escola, que afirma ter recebido centenas de adolescentes problemáticos nos últimos anos, muitos ex-alunos começaram a fazer denúncias contra a escola, alegando que sofreram abuso psicológico e físico durante seu tempo lá.

A diretora do filme, Kate Logan, começou a documentar as experiências dos alunos desta escola e teve acesso sem precedentes para filmar no local durante sete semanas durante o verão.

Através de entrevistas francas com os alunos em dificuldades, filmagens de professores impondo uma disciplina dura e punições físicas, além de registrar a tentativa de resgate de um aluno maior de idade que diz estar sendo detido contra sua vontade.

O filme é centrado na história de Davi, uma estudante do Colorado enviado para Escuela Caribe depois de dizer aos pais que era gay. Como muitos outros, David foi levado de sua casa durante a noite, sem aviso prévio, por um “serviço de transporte”. Ele não sabia para onde seria levado ou quando voltaria para casa.


Enquanto esteva na Escuela Caribe, David não podia comunicar com seus amigos nem com a  família. Quando os cineastas chegaram, ele pediu que levassem escondidos uma carta que ele havia escrito em segredo, endereçada ao seu melhor amigo. Quando a carta chegou ao conhecimento dos amigos de David, contando o que havia acontecido com ele, muitas pessoas se uniram para tentar libertá-lo.
Tirar David da escola, no entanto, acabou por ser uma tarefa muito mais difícil do que se imaginava. Suas tentativas mostram como a Escuela Caribe age para impedir que um aluno possa sair.

O documentário não tem uma data oficial de lançamento previsto e seus produtores têm recorrido à internet para levantar o dinheiro que ainda precisam para terminar o processo de edição e publicidade.

Organizações que lutam pelos direitos dos homossexuais tem feito uma campanha para que o filme possa ser lançado em breve e entendem que ele mostra uma faceta radicalmente homofóbica dos evangélicos. Nos Estados Unidos, como na maioria dos países, é proibido tratar o homossexualismo como uma doença que pode ser curada.

Assista ao trailer:




Traduzido e adaptado de Instinct Magazine e Matthew Paul Turner

Fonte: noticias.gospelprime.com.br

domingo, 2 de outubro de 2011

Fé virtual: evangélicos marcam presença na internet

Em cinco meses o número de visitas mensais aumentou de 300 para mais de 7 mil. Não é site de compras, nem rede social; a página é de uma igreja evangélica de Vitória. Esse é apenas um dos exemplos que reforçam os dados da pesquisa recente feita pela Revista Comunhão, que apontou que metade dos evangélicos do Estado tem acesso ao mundo virtual, e 86% estão nas redes sociais.

No caso da igreja o aumento de visitas veio depois que a comunidade assumiu o espaço - que andava meio parado - e o modernizou. Agora ele é atualizado diariamente com notícias da comunidade, tem uma novelinha interativa e ainda promove gincanas via Facebook. E tudo isso para ajudar a evangelizar e levar a palavra a mais pessoas.

A Primeira Igreja Batista de Bento Ferreira (PIBBF), dona do tal site, é apenas uma das centenas de milhares de igrejas que buscam seu espaço no mundo virtual. Afinal, os fiéis estão no MSN, no Twitter, no Facebook... E, principalmente, trocando e-mails, muitos e-mails.

   foto: Carlos Alberto Silva
2.300% de aumento
É o percentual de crescimento de visitas no site da Primeira Igreja Batista de Bento Ferreira, entre março e agosto deste ano, após as mudanças no site.
CrescimentoA pesquisa da Revista Comunhão revela que entre os evangélicos que têm acesso à internet o Facebook foi a maior atração: o número de usuários do site pulou de 4,5% em 2010 para 26% em 2011.

"A internet é o grande meio de comunicação do momento. Não vamos ignorá-la. A saída é usar e saber usar", avalia o pastor Simonton Araújo, da Igreja Missão Praia da Costa, que fica em Vila Velha.

A partir deste ano, eles começaram a transmitir quatro cultos durante a semana: os de quarta e quinta-feiras, às 20 horas; além dos dois de domingo, às 17h30 e às 20 horas.

Além disso, para melhor divulgar as transmissões e outras atrações da igreja, a Missão resolveu participar das redes sociais: são mais de 3 mil amigos no Facebook, em meses de atuação.

"Esses espaços são ótimos para aproximar a igreja do nosso fiel, independentemente de onde ele esteja. Além de divulgar nossa agenda", ressalta o jovem Frederico Mazioli, de 26 anos, responsável pela comunicação do grupo.

Seguidores


Na Igreja Batista de Bento Ferreira, a internet é usada para evangelizar e expandir o número de fiéis. Tem até gincana, no Facebook, com sorteios de brindes. "Isso atrai muita gente nos espaços virtuais", diz Samuel Paganoto, webdesigner e fiel da igreja.

"A internet é usada como mais um instrumento de vivência, assim como é a igreja. Nós percebemos a demanda, vinda da comunidade, e entendemos que a conexão com o virtual nos ajudaria no dia a dia da nossa igreja", diz o pastor da Primeira Igreja Batista de Bento Ferreira, Washington Vianna.

Os evangélicos e a internet

Acessos
Cerca de 58% dos entrevistados disseram que usam computador e 50% acessam a internet

Onde usam
A maioria - 80% - acessa a rede na própria casa. Outros 10% têm acesso à internet no trabalho e 8,7% utilizam lan houses

E-mail e MSN
A maioria deles usa a internet para ver e-mails, com quase 86% dos entrevistados; além de usar o MSN (para bate-papo virtual) ou visitar os sites das igrejas

Mais acessos
Houve aumento de 79,75% para 85,96%, no uso dos e-mails, de 2010 para 2011. Os blogs também são mais visitados: subiu de 10,38% para 13,80% de acessos; assim como os sites das igrejas, saindo de 21,7%, em 2010, e chegando a 34,38%, neste ano

Contatos
O MSN é o preferido, e o percentual dos que usam foi de 47,09% para 74,58%, em um ano. O Twitter teve aumento de 5,57% para 15,25%; e o Facebook, de 4,56% para 26,63%

Ainda tímido
Os evangélicos ainda não compram muito via internet. Apenas 36% deles disseram que já compraram algo que viram em algum site

Mais procurados
Entre os que já fizeram alguma compra, 23,26% compraram livros; 12,4%, CDs; e outros 14,73% adquiriram passagem aérea. Na lista ainda estão roupas, com 8,53%; programas de computador, com 3,88%; jogos, 6,2%; e ingresso de shows, 3,1%

Entrevistados: a pesquisa foi feita com evangélicos do Espírito Santo, a pedido da Revista Comunhão, e divulgada neste mês

Mundo virtual, mas com valores reais
Os valores defendidos pelas igrejas têm o mesmo peso na vida real e na vida virtual. Na hora de acessar a internet, os pastores aconselham que os fiéis mantenham o equilíbrio, sem desrespeitar os preceitos religiosos.

"Há quem defenda que o novo, o moderno, é libertinoso. Mas dá para manter o equilíbrio, assim como fazemos com tudo em nossa vida. Algo pode ser moderno sem ser proibido, o que altera é a forma como você o usa. Nessa caso, a forma como o fiel vai usar a internet", relata o pastor Simonton Araújo, da Missão Praia da Costa.

Segundo ele, a Bíblia traz exemplos claros de que a palavra e os ensinamentos devem seguir a evolução social. "Paulo, o maior missionário, usou até navios, os mais moderno da época, para divulgar a palavra e levá-la a novos lugares. Ele usou de tecnologia de ponta, e é o que devemos fazer", defende o pastor Simonton.

A opinião é dividida com o pastor Washington Vianna, da Primeira Igreja Batista de Bento Ferreira. "Os valores cristãos não mudam, nem devem mudar", defende ele.

Os dois acreditam que o maior cuidado que o fiel deve ter são as informações noticiosas. "Muita coisa que se vê na internet é fofoca, mentira, não tem embasamento. Assim como buscamos a verdade em nosso dia a dia, devemos ter o mesmo cuidado no mundo virtual", reflete o pastor Washington.




A Gazeta

domingo, 10 de julho de 2011

Evangélicos são Sinistros – Disse Papa João Paulo II em documento‎

Evangélicos são Sinistros – Disse Papa João Paulo II em documento


João Paulo 2º classificava assim atividade no Brasil. Sem revelar fontes, o documento obtido pelo WikiLeaks diz que o papa João Paulo 2º descreveu as atividades evangélicas como “sinistras.-Confira documento no final do post…

Documento obtido pelo WikiLeaks e divulgados nesta quarta-feira (29) mostram que, na época da visita do papa Bento 16 ao Brasil, em 2007, o Vaticano estava preocupado com o crescimento dos evangélicos no país e recebeu críticas do monsenhor brasileiro Stefano Migliorelli, que questionou sobre a falta de padres na América Latina.

O telegrama enviado a Washington em 6 de maio de 2007 relata conversas entre diversos membros do Vaticano e o ex-embaixador americano Francis Rooney, um empresário republicano do ramo de construção e um dos maiores doadores de campanha do ex-presidente americano George W Bush.

O diplomata americano faz um comparativo entre a primeira viagem de João Paulo 2º ao Brasil em 1980, quando os católicos representavam 89% da população e o censo de 2000, quando o número de católicos era de 74%.
“A cada ano, milhões de católicos latino-americanos deixam suas igrejas para se juntar a congregações evangélicas incentivados pelos pastores destes novos rebanhos”, disse Rooney.

Ainda segundo ele, de acordo com uma análise, enquanto a Igreja Católica concentra-se em “salvar almas”, muitas igrejas evangélicas fazem o possível apenas para matar a sede latino-americana para o misticismo.
Sem revelar fontes, o documento diz que João Paulo 2º descreveu as atividades evangélicas como “sinistras” e que uma das principais tarefas de Bento 16 seria despertar a comunidade católica e encorajar a resistência ao que o papa anterior teria chamado de “caçada por seitas”.

Já Migliorelli, na época chefe da seção brasileira da Secretaria de Estado do Vaticano, reclamou ao diplomata americano sobre o fato de a América Latina não ser uma região prioritária para a Igreja Católica.
Para Migliorelli, o Brasil e a América Latina seriam como “território de missão” — terras que não foram expostas “de maneira consistente” à fé católica. “Temos que ver isso como uma evangelização — começando do zero”, disse Migliorelli.
Hoje no Brasil, mais de 20% da população se diz evangélica. Um crescimento estrondoso desde 1940, quando esse número era de 2,6% subindo para 15,4% em 2000 e hoje está com mais de 20%. Há projeções de que este número chegará em 50% em 2020.

O monsenhor ainda criticou a quantidade e a qualidade do clero latinoamericano.

“A falta de padres em grande parte da América Latina é muito pior do que nos Estados Unidos”, disse. Migliorelli disse também que “o nível de educação dos padres é muito baixo e que muitas vezes eles não aderem aos padrões de disciplina clerical (celibato, ofertas de sacramentos etc)”.

Em um tópico chamado de “A ameaça da teologia da libertação”, o diplomata americano comenta que o papa João Paulo 2º teria feito grandes esforços para acabar com “esta análise marxista da luta de classes” promovida “por um número significativo de clérigos e católicos leigos que, por vezes, em nome de um compromisso político sancionou a violência em nome do povo”.

Migliorelli comentou que o Vaticano não pretendia tocar no tema durante a visita do papa. O documento prossegue: “A chave é simplesmente que o clero seja treinado mais efetivamente para explicar a posição da Igreja para o povo, ele concluiu”.

Segundo o diplomata, João Paulo 2º combateu com a ajuda de Bento 16 a teologia da libertação mas, nos últimos anos, ela estaria ressurgindo em várias partes da América Latina.

Confira parte do documento onde o Papa se refere as atividades dos Evangélicos como sinistras.
———————————– Growth of Evangelical Protestantism —————————–7. (SBU)
When John Paul II made his first trip to Brazil in 1980 Catholics accounted for 89 percent of the population. According to the 2000 census, they had fallen to 74 percent, with the total in some major cities under 60 percent.
Each year, millions of Latin American Catholics leave their churches to join mostly evangelical congregations – a departure actively encouraged, according to the Catholic Church, by the pastors of these new flocks.
According to one analysis, while the Catholic Church focuses on “saving souls,” many of the evangelical churches tackle day-to-day problems while making just enough doctrinal demands to satisfy the Latin American thirst for mysticism.
Pope John Paul II described their activity as “sinister”. One of Benedict’s main tasks will be to reawaken the Catholic community and encourage resistance to what he has called “poaching” by “sects”.
Tradução Google:
———————————– Crescimento do Protestantismo Evangélico ———– —————— 7. (SBU)
Quando João Paulo II fez sua primeira viagem ao Brasil em 1980 os católicos representavam 89 por cento da população. Segundo o censo de 2000, haviam caído para 74 por cento, com o total em algumas grandes cidades com menos de 60 por cento.
Cada ano, milhões de católicos latino-americanos deixam suas igrejas para se juntar congregações evangélicas em sua maioria – a partida incentivada, de acordo com a Igreja Católica, pelos pastores desses rebanhos novo.
De acordo com uma análise, enquanto a Igreja Católica concentra-se em “salvar almas”, muitas das igrejas evangélicas enfrentar dia-a-dia problemas ao fazer apenas o suficiente doutrinária exigências para satisfazer a sede latino-americana para o misticismo.
Papa João Paulo II descreveu a sua actividade como “sinistro”. Uma das principais tarefas de Bento XVI será o de despertar a comunidade católica e encorajar a resistência ao que ele chamou de “caça” por “seitas”.

Fonte: UOL – via Creio.com.br – Veja docmento na integra no R7.com – post inforgospel.com.br

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Evangélicos americanos anunciam fim do mundo em 21 de maio


Family Radio, um grupo evangélico cristão com sede na Califórnia, lançou uma campanha mundial na qual adverte que só os verdadeiros crentes se salvarão


O grupo cristão evangélico americano Family Radio comprou dezenas de outdoors nas principais cidades dos Estados Unidos e Canadá para anunciar que o Dia do Juízo Final será no dia 21 de maio. Desta forma, Family Radio, um grupo evangélico cristão com sede na Califórnia, lançou uma campanha mundial na qual adverte que só os verdadeiros crentes se salvarão.

Em seu site, assim como nas ruas, Family Radio adverte que "O Dia do Juízo Final é o dia 21 de maio de 2011. A Bíblia garante. Faltam 11 dias".

Segundo o grupo, o presidente da Family Radio, Harold Camping, chegou à conclusão que o fim do mundo será em 21 de maio de 2011 após estudar a Bíblia e porque é exatamente 7 mil anos depois do episódio que Noé se salva do Dilúvio Universal segundo, o texto religioso.

"A Sagrada Bíblia dá mais provas incríveis que no dia 21 de maio de 2011 é exatamente o momento do Juízo Final" acrescenta no site do grupo. Family Radio considera que os não crentes sofrerão um poderoso terremoto que provocará vários meses de caos na Terra

Terra.

sábado, 30 de abril de 2011

“Deus nos Livre de um Brasil Evangélico”. Pastor Ricardo Gondim afirma ser a favor da união gay: “Nem todas as relações homossexuais são promíscuas”

‘Deus nos livre de um Brasil evangélico!’ Quem afirma é um pastor, o cearense Ricardo Gondim. Segundo ele, o movimento neopentecostal se expande com um projeto de poder e imposição de valores, mas em seu crescimento estão as raízes da própria decadência.

Os evangélicos, diz Gondim, absorvem cada vez mais elementos do perfil religioso típico dos brasileiros, embora tendam a recrudescer em questões como o aborto e os direitos homossexuais.


Aos 57 anos, pastor há 34, Gondim é líder da Igreja Betesda e mestre em teologia pela Universidade Metodista. E tornou-se um dos mais populares críticos do mainstream evangélico, o que o transformou em alvo. “Sou o herege da vez”, diz na entrevista a seguir.


Carta Capital: Os evangélicos tiveram papel importante nas últimas eleições. O Brasil está se tornando um país mais influenciável pelo discurso desse movimento?
RG: Sim, mesmo porque, é notório o crescimento no número de evangélicos. Mas é importante fazer uma ponderação qualitativa. Quanto mais cresce, mais o movimento evangélico também se deixa influenciar. O rigor doutrinário e os valores típicos dos pequenos grupos se dispersam, e os evangélicos ficam mais próximos do perfil religioso típico do brasileiro.


CC: Como o senhor define esse perfil?
RG: Extremamente eclético e ecumênico. Pela primeira vez, temos evangélicos que pertencem também a comunidades católicas ou espíritas. Já se fala em um “evangelicalismo popular”, nos modelos do catolicismo popular, e em evangélicos não praticantes, o que não existia até pouco tempo atrás. O movimento cresce, mas perde força. E por isso tem de eleger alguns temas que lhe assegurem uma identidade. Nos Estados Unidos, a igreja se apega a três assuntos: aborto, homossexualidade e a influência islâmica no mundo. No Brasil, não é diferente. Existe um conservadorismo extremo nessas áreas, mas um relaxamento em outras. Há aberrações éticas enormes.


O senhor escreveu um artigo intitulado “Deus nos Livre de um Brasil Evangélico”. Por que um pastor evangélico afirma isso?


Porque esse projeto impõe não só a espiritualidade, mas toda a cultura, estética e cosmovisão do mundo evangélico, o que não é de nenhum modo desejável. Seria a talebanização do Brasil. Precisamos da diversidade cultural e religiosa. O movimento evangélico se expande com a proposta de ser a maioria, para poder cada vez mais definir o rumo das eleições e, quem sabe, escolher o presidente da República. Isso fica muito claro no projeto da igreja Universal. O objetivo de ter o pastor no Congresso, nas instâncias de poder, pode facilitara expansão da igreja. E, nesse sentido, o movimento é maquiavélico. Se é para salvar o Brasil da perdição, os fins justificam os meios.


O movimento americano é a grande inspiração para os evangélicos no Brasil?
O movimento brasileiro é filho direto do fundamentalismo norte-americano. Os Estados Unidos exportam seu american way of life de várias maneiras, e a igreja evangélica é uma das principais. As lideranças daqui Ieem basicamente os autores norte-americanos e neles buscam toda a sua espiritualidade, teologia e normatização comportamental. A igreja americana é pragmática, gerencial, o que é muito próprio daquela cultura. Funciona como uma agência prestadora de serviços religiosos. de cura, libertação, prosperidade financeira. Em um país como o Brasil, onde quase todos nascem católicos, a igreja evangélica precisa ser extremamente ágil, pragmática e oferecer resultados para se impor. É uma lógica individualista e antiética. Um ensino muito comum nas igrejas é de que Deus abre portas de emprego para os fiéis.


Eu ensino minha comunidade a se desvincular dessa linguagem. Nós nos revoltamos quando ouvimos que algum político abriu uma porta para o apadrinhado. Por que seria diferente com Deus?


O senhor afirma que a igreja evangélica brasileira está em decadência, mas o movimento continua a crescer.
Uma igreja que, para se sustentar, precisa de campanhas cada vez mais mirabolantes, um discurso cada vez mais histriônico e promessas cada vez mais absurdas está em decadência. Se para ter a sua adesão eu preciso apelar a valores cada vez mais primitivos e sensoriais e produzir o medo do mundo mágico, transcendental, então a minha mensagem está fragilizada.


Pode-se dizer o mesmo do movimento norte-americano?
Muitos dizem que sim, apesar dos números. Há um entusiasmo crescente dos mesmos, mas uma rejeição cada vez maior dos que estão de fora. Hoje, nos Estados Unidos, uma pessoa que não tenha sido criada no meio e que tenha um mínimo de senso crítico nunca vai se aproximar dessa igreja, associada ao Bush, à intolerância em todos os sentidos, ao Tea Party, à guerra.


O senhor é a favor da união civil entre homossexuais?
Sou a favor. O Brasil é uni país laico. Minhas convicções de fé não podem influenciar, tampouco atropelar o direito de outros. Temos de respeitar as necessidades e aspirações que surgem a partir de outra realidade social. A comunidade gay aspira por relacionamentos juridicamente estáveis. A nação tem de considerar essa demanda. E a igreja deve entender que nem todas as relações homossexuais são promíscuas. Tenho minhas posições contra a promiscuidade, que considero ruim para as relações humanas, mas isso não tem uma relação estreita com a homossexualidade ou heterossexualidade.


O senhor enfrenta muita oposição de seus pares?
Muita! Fui eleito o herege da vez. Entre outras coisas, porque advogo a tese de que a teologia de um Deus títere, controlador da história, não cabe mais. Pode ter cabido na era medieval, mas não hoje. O Deus em que creio não controla, mas ama. É incompatível a existência de um Deus controlador com a liberdade humana. Se Deus é bom e onipotente, e coisas ruins acontecem., então há aluo errado com esse pressuposto. Minha resposta é que Deus não está no controle. A favela, o córrego poluído, a tragédia, a guerra, não têm nada a ver com Deus. Concordo muito com Simone Weil, uma judia convertida ao catolicismo durante a Segunda Guerra Mundial, quando diz que o mundo só é possível pela ausência de Deus. Vivemos como se Deus não existisse, porque só assim nos tornamos cidadãos responsáveis, nos humanizamos, lutamos pela vida, pelo bem. A visão de Deus como um pai todo-poderoso, que vai me proteger, poupar, socorrer e abrir portas é infantilizadora da vida.


Mas os movimentos cristãos foram sempre na direção oposta.
Não necessariamente. Para alguns autores, a decadência do protestantismo na Europa não é, verdadeiramente, uma decadência, mas o cumprimento de seus objetivos: igrejas vazias e cidadãos cada vez mais cidadãos, mais preocupados com a questão dos direitos humanos, do bom trato da vida e do meio ambiente.

Fonte: Carta Capital