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domingo, 17 de março de 2013

'Chorei tinta por 2 dias', diz fanático por tatuagem que pintou olhos de preto

'Chorei tinta por 2 dias', diz tatuador que decidiu pintar os olhos de preto
Sãocarlense realizou método denominado nos EUA como 'eyeball tattoo'.
Para Sociedade Brasileira de Oftalmologia, procedimento é perigoso.


O sãocarlense Musquito pagou R$ 1 mil para pintar os olhos e ficar diferente (Foto: Fabio Rodrigues/G1)


Com 70% do corpo tatuado, Rodrigo Fernando dos Santos, conhecido em São Carlos (SP) como Musquito, resolveu inovar. Aos 39 anos, ele decidiu escurecer o branco dos olhos. A técnica, denominada “eyeball tattoo”, consiste em injetar tinta na camada de proteção dos olhos. O processo é irreversível. "Chorei tinta dois dias. Agora só mudando a cor para ficar branco de novo. Mas ainda assim acho que fica meio cinza", diz o sãocarlanse, que há sete anos trabalha como tatuador na cidade. "Não me inspirei em ninguém, fiz pela arte e para ficar diferente." Para a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, o procedimento invasivo é desaconselhável e pode causar inflamação interna, levando à perda da visão.

Musquito foi o 13º brasileiro a experimentar o “eyeball tattoo”, há três semanas. O procedimento difundido nos Estados Unidos foi realizado em Jundiaí (SP) pelo tatuador Rafael Leão Dias, de 31 anos, considerado o único apto a realizar esse tipo de trabalho no país. Segundo ele, a tinta usada para esse tipo de arte é importada e não é a mesma utilizada nas tatuagens convencionais. Há também uma agulha especial utilizada como se fosse uma seringa. Para colorir o olho, são necessárias três aplicações em cada um.

“Não há perfuração. A aplicação é feita entre a camada conjuntiva e a esclera, que protege o olho. Estudei a técnica durante dois anos e fiz a primeira aplicação em outubro de 2012. O procedimento não é proibido nem aqui nem fora do país. Não há risco nem dor devido ao uso de um colírio”, afirma Dias, tatuador há sete anos.

Musquito gastou até agora cerca de R$ 1,7 mil para
tatuar todo o rosto (Foto: Fabio Rodrigues/G1)
Método perigoso
O especialista João Alberto Holanda de Freitas, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, afirma que o método é inteiramente nocivo e não adequado.

“Isso pode dar alguma complicação, com uma uveíte (inflamação interna) e a pessoa perder a visão. A recomendação é não fazer. O consenso da oftalmologia brasileira é para que não se faça isso”, ressalta o médico.

Apesar de saber dos riscos, o tatuador diz que estava 100% confiante de que tudo ia dar certo.

“Cheguei lá e minha esposa disse: 'Se você quiser amarelar, por mim tudo bem, não tem problema. Eu prefiro que você desista do que fique cego'. Mas resolvi correr o risco”, relata.

Ele pagou R$ 1 mil pelo procedimento, que durou duas horas. “O pós também foi tranquilo. Teve um pouquinho de irritação, como uma conjuntivite, mas não atrapalhou em nada. Os olhos ficaram lacrimejando e chorei tinta dois dias”, conta.

Na volta para casa, Musquito sentiu o que a sua nova aparência causaria nas pessoas. O farol do carro queimou e a saída foi procurar um hotel para passar a noite, mas não deu certo. “A gente chegava à recepção, olhavam para a cara dele e diziam que hão tinha vaga, então a gente não conseguiu quarto", conta a mulher, Letícia Dias de Carvalho, de 35 anos.
Frase "Cuida da sua vida" foi tatuada na cabeça (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Preconceito
O tatuador diz que está acostumado a lidar com situações como essa. Segundo ele, há muito preconceito, mas nada o faz baixar a cabeça, parte do corpo em que tatuou a frase “Cuide da sua vida”. “Eu não dependo da opinião de ninguém. Tem evangélico que me para no supermercado, pergunta o meu nome e diz que vai colocá-lo na lista porque o Senhor vai me salvar. Eu respondo: 'Mas me salvar do quê?' Isso é a opção da minha vida. Você gosta de igreja, eu gosto de tatuagem”, conta Musquito, que não tem religião. “Não acredito em Deus, não acredito em diabo.”

Ele diz ainda que, muitas vezes na rua, os idosos se assustam com a sua aparência. Uns atravessam de calçada e outros fazem até o sinal da cruz quando passam por ele, conta. Musquito afirma também que se engana quem pensa que ele é parado toda hora pela polícia devido à sua aparência.

“Muito pelo contrário. É super tranquilo aqui e fora da cidade. Eles sabem diferenciar quando é arte e quando é bandidagem. Tem muito ladrão e estuprador preso que têm Jesus Cristo e Nossa Senhora Aparecida tatuados no braço. Então o maior exemplo está em cada um mesmo”, analisa.

Musquito e Letícia trabalham juntos e são casados
há cinco anos (Foto: Fabio Rodrigues/G1)
Amor à arte
Pai de três filhos (Évora, de 2 anos, Lucas, de 7, e Maria Eduarda, de 10), Musquito trabalha com tatuagem há sete anos. O amor pela arte surgiu quando tinha 13 anos. Segundo ele, o ex-namorado da irmã tinha um dragão e uma serpente desenhados nos braços. “Acabei tatuando um cavalo alado, coisa de moleque mesmo. Meu pai não falou nada, mas apanhei da minha mãe. Ela só conseguiu me segurar até a primeira, porque 15 dias depois eu estava fazendo a segunda”, relembra.

Desde então, o sãocarlense foi pegando gosto pelos desenhos, começou a trabalhar na área e agora seu objetivo é tatuar 100% do corpo – ou melhor, 99%. Isso porque ele não pretende fazer uma tatuagem anal, procedimento que chamou a atenção dos visitantes da 17ª edição da South Florida Tatoo Expo, nos Estados Unidos, no ano passado. “Deve ser terrível, não vou experimentar. Esse é o 1% do corpo que não vou tatuar”, brinca Musquito.

A família dele e a da mulher entendem o gosto do casal pelos desenhos e não se incomodam com os excessos. As crianças também apreciam a arte, mas, segundo a mãe, só poderão fazer a primeira tatuagem, caso queiram, após atingirem a maioridade.

"A gente ama o que faz, logo a gente quer que eles sigam o mesmo caminho, mas não vamos impor nada. Como todos os pais, a gente espera que os filhos sigam os mesmos passos. Agora tatuar o próprio corpo somente depois dos 18 anos", diz a mãe.
Com os filhos Lucas, Évora e Maria Eduarda (Foto: Rodrigo Fernando dos Santos/Arquivo pessoal)

Veja Imagens de tatuagem
G1

domingo, 23 de setembro de 2012

Mexicana María José Cristerna. Com chifres, 'Mulher vampiro' bate recorde de mudanças no corpo

'Mulher vampiro' bate recorde com maior número de mudanças corporais
Entre as modificações, ela implantou chifres e presas.
María José Cristerna entrou para o Guinness, livro dos recordes.

Conhecida como "mulher vampiro", a mexicana María José Cristerna entrou para o Guinness, livro dos recordes, como a mulher com maior número de mudanças corporais das Américas. Entre as modificações extremas, ela implantou chifres e presas. No sábado (22), ela participou de um evento na Guatemala.
Mexicana María José Cristerna é conhecida como 'mulher vampiro'. (Foto: Johan Ordonez/AFP)
No sábado (22), ela participou de um evento na Guatemala. (Foto: Johan Ordonez/AFP)

Entre as modificações, 'mulher vampiro' implantou chifres e presas. (Foto: Ronaldo Schemidt/AFP)
Do G1

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Tatuagem anal com nome de ex-namorado vira moda em evento nos EUA

Tatuagem anal vira moda em evento nos EUA
Modalidade foi apresentada em evento que reúne tatuadores, na Flórida.
Participante diz já ter tatuado o nome de dois ex-namorados no ânus.

Uma modalidade de tatuagem pouco conhecida pode se tornar uma nova tendência segundo participantes de um evento sobre o tema realizado no fim de semana em um centro de convenções da Flórida, nos Estados Unidos.

A tatuagem anal chamou a atenção dos visitantes da 17ª edição da South Florida Tatoo Expo, evento que reúne anualmente, além de tatuadores, atrações musicais, carros, shows exóticos.

Uma das participantes do evento contou ao site “New Times”, de Palm Beach, já ter tatuado o nome de dois ex-namorados no ânus e garantiu que tatuar o local é “muito, muito bom”.
Participante de evento de tatuadores na Flórida se submete à tatuagem anal (Foto: Reprodução / 'New Times')

A 17ª edição da South Florida Tatoo Expo reúne anualmente tatuadores, bandas e shows exóticos. A participante que fez a tatuagem extravagante contou ao site "Palm Beach" que escreveu o nome de dois ex-namorados no ânus e classificou de "muito, muito bom" tatuar no local.

Veja vídeo com reportagem do jornal New Times, de Palm Beach (em inglês)

domingo, 4 de março de 2012

Ressonância: cuidado com tatuagens


Ressonância: cuidado com tatuagens
Além de tatuagem, maquiagem e piercing exigem cuidados durante ressonância magnética

Tatuagem, maquiagem e piercing exigem cuidados durante ressonância magnética. Como se trata de uma espécie de ímã, quem tem aparelho nos dentes, piercing, tatuagem com tinta de metal, maquiagem definitiva e que contém metais, marcapasso e implante no ouvido devem avisar ao médico.

Como a tinta da maquiagem contém metais, é preciso usar uma toalha úmida sobre o desenho durante o exame. Caso contrário, há risco de queimaduras. O exame é proibido para quem tem marcapasso, que pode ser deslocado pelo campo magnético, e por quem tem implante auditivo.

O aparelho da ressonância emite vários sons, que às vezes assusta ou irrita os pacientes. Em enquete feita pelo site G1, 16% disseram que o que mais incomoda é o barulho. Outros 26% têm claustrofobia, 14% não gostam de ficar presos à mesa por cintos, 12% não veem problema e 32% nunca fizeram ressonância.(G1)

domingo, 21 de agosto de 2011

Novos lasers são mais precisos para remover tatuagem


'PASSA BORRACHA'. Novos lasers são mais precisos para remover tatuagem

O uso de raios laser especialmente calibrados aumentou muito as chances de remover com sucesso uma tatuagem, mas o processo está longe de ser perfeito.

Ainda é difícil lidar com desenhos de cores claras, e as tatuagens grandes (maiores que a palma de uma mão) são quase impossíveis de apagar --no máximo, o laser transforma o desenho em borrão.

"É algo a ser muito discutido com o médico antes do procedimento", diz o dermatologista Roberto Mattos, coordenador do Departamento de Laser da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia).

O risco de surgimento de cicatrizes ou de descoloração permanente da pele tratada existe, embora seja pequeno: ocorre em 1% dos casos, estima Alexandre Filippo, também membro da SBD. "Isso acontece se houver um erro técnico importante. O laser é bom e bastante seguro", afirma Mattos.

LÁ NO FUNDO

As mesmas características químicas que levaram à escolha de certas tintas para uso em tatuagens também dificultam a remoção dos desenhos mais tarde.

O aparelho usado por tatuadores deposita as tintas na derme média, camada que abriga os folículos dos pelos e as glândulas, por exemplo.

O pigmento inserido pelo tatuador é depositado a profundidades de 1 mm a 3 mm. Ele é formado por moléculas grandalhonas, que não conseguem ser "devoradas" pelas células de defesa da pele.

Por isso, o laser usado para atacar a tatuagem, do tipo conhecido como "Q-switch", tem como missão fragmentar os pigmentos em pedaços moleculares menores.

Ele faz isso emitindo pulsos muito rápidos, com duração de nanossegundos (bilionésimos de segundo).

A ação do laser é calibrada para que ele emita luz com comprimento de onda (ou seja, cor) cuja absorção seja otimizada para o pigmento que se deseja fragmentar.

Cada tom de pigmento absorve um comprimento de onda específico, o que exigiria alterar a emissão do laser dependendo da cor.

Para Filippo, as diferentes "cores" que podem ser obtidas com o laser (a luz vermelha é mais absorvida por pigmentos verdes e escuros, por exemplo) são uma boa ferramenta para atacar a tinta de forma seletiva.

Já Mattos afirma que o processo não é tão preciso. "Mas tons escuros absorvem mais e, por isso, são mais fáceis de remover da pele", diz.

Ueslei Marcelino - 29.jan.09/Folhapress
Homem durante sessão de tatuagem; processo ainda é demorado e pode levar meses até desenho ser concluído

PROCESSO É AINDA DEMORADO E DOLORIDO

O interessado em se desfazer de seu exemplar de arte corporal tem de se armar com paciência e resistência à dor, dizem os médicos.

A aplicação do laser permite que os fragmentos de tinta sejam devorados pelos macrófagos, células do sistema imune. A tinta também pode vazar pela pele.

Ao longo do processo, a energia do laser produz pequenos estalos na pele. É preciso aplicar um anestésico local cerca de uma hora antes, mas mesmo assim o procedimento é dolorido.

É comum a formação de uma casca, que deve ser tratada com cuidado. Também há o aparecimento de áreas esbranquiçadas na pele, que normalmente somem em um ou dois meses.

A duração das sessões depende do tamanho e tipo da tatuagem, indo de cinco minutos a quase uma hora.

A não ser que a tatuagem seja muito pequena, é preciso realizar cerca de dez sessões, uma a cada mês, para concluir o tratamento. O preço pode ficar em torno de R$ 400 por sessão.

De acordo com Alexandre Filippo, o melhor desempenho para tatuagens multicoloridas tem sido obtido com uma variante do "Q-switch", o Quanta Plus.

Folha

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Tatoo 3D. Tatuagem que salta da pele

Cada vez mais presente no dia a dia, o 3D agora chegou às tatuagens. Para conseguir o efeito tridimensional é preciso tatuar duas camadas de cor sobrepostas, usando uma técnica conhecida como anáglifo. Na internet, dá para encontrar imagens de desenhos feitos para serem vistos em três dimensões. Para enxergar o efeito, não dá para fugir dos óculos com uma lente vermelha e outra azul.

A Gazeta

domingo, 14 de agosto de 2011

Bactéria rara contamina quem faz tatuagem


NOS EUA. Bactéria rara contamina quem faz tatuagem 
A bactéria é da mesma família das que causam tuberculose e lepra

Um dos cuidados básicos é ter certeza de que o
estúdio de tatuagem está dentro dos padrões sanitários
Uma bactéria que normalmente ataca pessoas com sistema imunológico frágil está afetando indivíduos saudáveis que estão fazendo tatuagens nos EUA. Já surgiram casos de infecções de pele causadas pela Mycobacterium haemophilum em Seattle, na costa oeste americana. A bactéria é da mesma família das que causam a tuberculose e a lepra.

Como as infecções são muito raras, pesquisadores afirmam que não é preciso se preocupar demais, mas ter cautela. Não se sabe exatamente como a contaminação ocorreu. As infecções podem levar meses para serem tratadas.

Para evitar o problema, pessoas que querem fazer tatuagens devem ter certeza de que o estúdio procurado atende às exigências sanitárias e que o tatuador recebeu o treinamento apropriado.

gazetaonline.globo.com

domingo, 29 de maio de 2011

Se a tatuagem e o piercing viraram moda, eles buscam algo além para ser diferentes

Vale tudo para ser único
Se a tatuagem e o piercing viraram moda, eles buscam algo além para ser diferentes


A tatuagem, que já foi símbolo de rebeldia, hoje é lugar-comum. Tanto, que respeitáveis vovôs as exibem sem fazer corar os netinhos. Da mesma forma, os piercings, que eram coisa de gente "estranha", viraram moda. E já que todo mundo resolveu ser diferente, como fazer para se destacar nessa multidão?

foto: Gildo Loyola

Lorena Velten, 24 anos, se diz uma colecionadora de arte, só que no próprio corpo
A receita - que encontra na pop star Lady Gaga seu maior ícone - tem sido exagerar, levando o corpo ao extremo. Mas se para ela tudo não passa de maquiagem e um figurino exótico (sim, os chifres e os ombros pontudos exibidos nos últimos shows são apenas cosméticos), para os "monstros", como a cantora os chama, a transformação é real. E permanente.

Para se sentir único, vale tatuar o rosto, transformar os caninos em pontiagudos dentes de vampiro e colocar implantes (de verdade) por debaixo da pele. Ou, ainda, recorrer a técnicas de tatuagem que lembram a marcação de gado: no lugar da tinta e das agulhas, as figuras aparecem na pele por meio de uma queimadura feita com um molde de ferro quente.

E toda essa transformação é para atingir uma mudança que, segundo quem faz, já aconteceu há muito tempo. "Tudo que fiz com meu corpo foi o resultado final de uma adaptação que já tinha acontecido. O físico apenas expõem o que pensamos ser de verdade", conta a tatuadora Michele Simão, 27 anos.

O chefe e colega de trabalho Carlos Alberto, o Carlos Tattoo, 40, vê nessa constante mutação apenas a vontade de não ser igual aos outros, ou de não querer seguir o padrão comum. "É uma busca pela individualidade", resume o tatuador.

Três corações no corpo, e ela ainda quer mais Lorena Velten se diz uma colecionadora de arte, só que no próprio corpo. Aos 24 anos, exibe sete tatuagens. Mas o que chama mais a atenção são os implantes que tem sob a pele. As peças, em formato de coração, foram colocadas em São Paulo. "Dói menos do que a tatuagem", diz.


O que doeu mesmo foi a experiência de suspensão. Ela teve ganchos presos nas costas e esperava ser levantada, por esses ganchos, com ajuda de uma corda. Mas a pressão caiu e ela desmaiou. "Ainda não desisti, e quero tentar de novo", promete.

Tantas experiências ela explica dizendo ser apaixonada por mudanças e por novas sensações. A família, de Domingos Martins, sempre entendeu. "Sempre tive essa personalidade muito forte", explica.

Para ela, modificar o corpo é uma forma de mostrar ao mundo quem se é de verdade. "Isso sim é belo", defende. "Sou a única mulher no mundo que tem três corações. É muito amor", brinca Lolo, que ainda quer mais dois - um no braço esquerdo e outro, menor, no direito.

Ele ainda quer "ser diferente", e aos 40 anos "A primeira tatuagem eu fiz aos 14 anos, ainda com a intenção de ser diferente. Era o auge no movimento punk e sentia necessidade de ter algo que os outros não tinham. Acho que essa é a mesma vontade que me faz continuar", conta o empresário Carlos Alberto, mais conhecido como Carlos Tattoo. Hoje, aos 40 anos, ele tem 70% do corpo tatuado - os dois braços e as duas pernas, por inteiro, além das costas, do peito e da barriga. Mantém o piercing na boca, mas já teve na sobrancelha, no nariz, nos mamilos, no queixo... Só não furou as orelhas. "Estou me preparando para usar alargadores", conta. Sim, Carlos ainda tem espaço para mais mudanças em seu corpo. Para ele, essa é uma forma de arte. 


Ele, que não enfrentou resistência da família, conta que no meio punk, entre seus amigos, ter tatuagens é natural. Tanto que aos 17, quando comprou uma máquina para tatuar, os amigos foram os primeiros da fila. "Hoje, o estranho é não ter uma tatuagem. O diferente é o desenho, o local, a quantidade... Amo essa arte, mas entendo o modismo que há por trás. No final das contas, procuramos por algo exclusivo, só nosso", analisa.



Em busca da beleza, ela não cansa de mudar
Quando olha as fotos da menina loira, de pele clarinha - características da região onde nasceu, em Santa Teresa - Michele Simão, 27 anos, não se reconhece. Nos últimos seis anos os cabelos ficaram negros, o corpo ganhou várias tatuagens -inclusive no rosto - e no sorriso exibe, orgulhosa, dentes de vampiro. A imagem de mulher forte - que começou a construir aos 17 anos - contrasta com a voz baixa e o jeito tímido. Já nem sabe quantas tatuagens tem. Parou de contar quando fez a 30ª.

Os olhares curiosos na rua - quando está só ou na companhia do marido e do filho - não a afetam. "Estou mais bonita hoje", frisa. E explica: "Busco ser diferente. Quando alonguei os caninos eu queria mudança. É o que eu sempre quero", explica.

Mas nem todas as mudanças ficam. Michele já tirou alguns piercings e está cobrindo com uma tatuagem no peito a marca de uma experiência que não quer mais ter. Há dois anos ela queimou a pele com uma chapa de metal quente - uma forma mais radical de fazer uma tatoo.
foto: Carlos Alberto Silva

Márcio Vago, 41 anos


Para ele, a perfeição está nos músculos
A dor para alcançar o corpo perfeito não vem somente com a ajuda de tinta, cortes ou queimaduras. No caso de Márcio Vago, 41 anos, fisiculturista profissional, essa mudança veio depois de 23 anos de malhação, sete deles com um objetivo: estar com o corpo preparado para as competições. m 2009, a terceira colocação no Campeonato Brasileiro de Fisiculturismo e a 17ª no mundial reforçaram o sonho do atleta em ter o corpo mais bonito do mundo. Para alcançar o ideal, ele assume: é preciso levar esse corpo ao extremo. "Chego a ter de 3,5% de gordura no corpo", conta Márcio. Abaixo dos 3%, começam a surgir riscos ao organismo, e ele sabe disso. Até anabolizantes ele já utilizou para alcançar tal corpo. "Usei para alcançar o peso e a musculatura necessária, mas não faço mais isso", confessa. Ele prefere seguir o treinamento, que começa três meses antes da competição. Nesse período, ele sai de 105 quilos para pouco mais de 90. "Prefiro acreditar que sou um exemplo de dedicação. Sei que nem todos acham esse tipo de corpo o mais bonito, mas, no mundo fisiculturista, é isso que agrada. E eu gosto", destaca.

Análise

"O corpo é uma forma de consumo"

Kirlla Dornelas - Psicóloga especialista em relacionamento interpessoal
'Hoje, não consumimos apenas o produto que está à venda. Nós queremos mais e consumimos o que esse produto representa, o significado dele. Tudo tem que ter um motivo. Nesse mundo pós-moderno, onde a ideia de consumo passa uma falsa imagem de liberdade de escolha, levamos esse modelo de consumismo até ao nosso corpo. Hoje, a gente também consome o nosso corpo, e é essa maneira de consumo que transforma nossa imagem. Mas há casos extremos em que a mudança ajuda a construir um personagem. O ser humano vira um avatar, um desenho animado. Ele cristaliza uma máscara e encarna um outro eu. Nessa hora, vira uma obsessão, uma doença, já chamada de vigorexia. A pessoa tem uma imagem tão distorcida de si própria que nunca está satisfeita. E o personagem pode perder o sentido."

Branding. 
Técnica nova de tatuagem que queima a pele em vez de usar tinta. O desenho é marcado com queimadura de terceiro grau, deixando uma cicatriz. Pode ser feito com uma placa de metal, no estilo marcador de animal

Scarification.
 
A técnica é de cicatrização de um corte, com a intenção de formar uma quelóide (cicatriz alta). Além de cortar a pele, é retirado um pedaço bem fino dela, deixando um espaço maior para a cicatrização para a formação da cicatriz

Cauterização branding. 
Nesse caso, a pele é cortada por um bisturi quente, deixando a cicatriz: usa-se
as duas técnicas anteriores

Implante transdermal. 
Uma espécie de tatuagem em alto relevo. São implantados objetos por debaixo da pele, por meio de uma intervenção cirúrgica. Pode ser com material feito de aço cirúrgico ou de titânio. O metal também pode ficar exposto: há quem implante um metal que permita o encaixe de outros. É usado por quem quer ter chifres, por exemplo

Alargadores.
 
Mais usados nas orelhas, os alargadores também podem ser vistos no nariz, nas bochechas e no lábio inferior (lembrando figuras indígenas). Ainda há quem os coloque nos mamilos

Pocketing.
T
écnica diferente do piercing tradicional. Em vez das extremidades da joia ficarem à mostra (como em orelhas e mamilos) elas ficam dentro da pele e o corpo do piercing fica visível (como em bochechas e no peito ou nos braços)

Caninos. 
O objetivo é alongar os caninos - feitos com a ajuda de algum dentista - para ficarem parecidos com os de um vampiro ou felino. É um implante sobre outro dente

Bifurcação. 
Por meio de uma cirurgia, a ponta da língua é cortada e separada, ficando parecida com a de uma serpente

Suspensão. 
Não chega a mudar o corpo, já que a experiência dura alguns minutos. Na suspensão, são grudados ganchos, no corpo. Neles são presos uma corda, um cabo ou qualquer material resistente que suporte o peso do praticante e o levante içado como uma bandeira

Tatuagem extrema.
 Há quem tatue os olhos. Insere-se uma tinta na parte branca do olho. Há registros da técnica sendo feita com agulha, igual à usada para marcar a pele, e com seringa.

Maurílio Mendonça
A Gazeta