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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


Proteína protege células de infecção pelo HIV
Estudo mostrou que as células com a proteína são imunes ao vírus da Aids

A primeira reação do sistema de defesa do corpo humano infectado pelo HIV é tentar isolar o vírus causador da Aids. Essa resposta acontece por meio de um mecanismo complexo, explicado pela primeira vez por uma pesquisa publicada na revista científica "Nature Immunology".

A responsável por essa defesa é uma proteína chamada SAMHD1. Pesquisas recentes já mostravam que as células dendríticas – que identificam os corpos estranhos em nosso sistema de defesa – com essa proteína são imunes à infecção pelo HIV.

Quando um vírus como o HIV infecta uma célula, ele precisa sequestrar o DNA dela para se replicar. A partir daí, a célula incorpora genes do HIV e passa a produzir novos vírus dentro do corpo.

Nas células que contêm a SAMHD1, essa proteína destrói a estrutura do DNA que o vírus normalmente captura. Dessa forma, ele não se replica. "O vírus entra na célula e nada acontece", resumiu Nathaniel Landau, um dos autores do estudo, em material de divulgação da Universidade de Nova York, nos EUA.

Apesar dessa defesa, o vírus evoluiu e passou a infectar outras células do nosso sistema imunológico, que não têm essa proteína.

Para os autores, compreender a função dessa proteína tem o potencial de desenvolver tratamentos não só contra o HIV, mas também contra outros tipos de vírus que infectam as células com mecanismos semelhantes.(G1)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Aids: aumenta o número de jovens homossexuais infectados


Aids: aumenta o número de jovens homossexuais infectados
Perda do temor da morte eleva incidência, avalia especialista


SÃO PAULO - O distanciamento de uma realidade em que soropositivos morriam quase sem assistência, até meados dos anos 1990, e o desconhecimento sobre os cruéis efeitos colaterais do tratamento hoje disponível podem explicar o aumento do número de pessoas infectadas com Aids, especialmente entre jovens homossexuais. O diretor do Instituto Emílio Ribas, o infectologista David Uip, acredita que a nova geração banaliza a doença porque acredita que ela não mata.

- A geração atual não viu o que aconteceu até o meio dos anos 1990, então banalizou a doença. Tem gente que acha que existe prevenção pós infecção. Mesmo os que adquirem acreditam que não vão morrer. Claro que há um tratamento, e as pessoas vivem com qualidade, mas os efeitos são adversos - diz Uip, que há cerca de 30 anos trata de pacientes com a doença.


Para ele, a incidência aumentou entre gays ou heterossexuais pelo mesmo motivo: as pessoas acreditam que viverão normalmente com a doença, o que é um mito.

Embora soropositivos hoje vivam mais, o médico lista problemas decorrentes da infecção e do tratamento. Segundo ele, os pacientes sofrem síndromes metabólicas, de atrofia e hipertrofia, perdendo massa muscular e gordura nas extremidades e ganhando na barriga e pescoço. São ainda vítimas de aumento do colesterol e triglicerídeos e criam resistência à insulina. Para piorar o quadro de quem vive à base do coquetel, Uip lembra que os pacientes são mais vulneráveis a doenças cerebrovasculares e coronarianas e podem ter infarto ou derrame cerebral com idade inferior à média.

- O tratamento também provoca atrofia nas articulações, o que tem aumentado a colocação de prótese coxofemoral entre os pacientes - diz ele, lembrando que no Instituto Emília Ribas o registro é de um diagnóstico positivo a cada três dias.

Lembrando já ter perdido amigos, pacientes e familiares, o médico lamenta a comemoração da redução do número de mortes.

- Foram mais de 7 mil infecções em 2010 e mais de 34 milhões de jovens entre 15 e 24 anos morreram em todo o mundo. Não temos o que comemorar.

O Globo

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Aids. Retrovirais reduzem em 96% risco de transmissão de HIV

Retrovirais reduzem em 96% risco de transmissão de HIV, aponta estudo

O teste foi feito com 17 mil casais em que um parceiro era HIV-positivo

Uma pesquisa concluiu que é possível reduzir em 96% o risco de um HIV-positivo transmitir o vírus que causa a Aids para uma pessoa não infectada.

Divulgado nesta quinta-feira, o estudo mostrou que há uma queda drástica na transmissão se o parceiro não infectado estiver tomando retrovirais.

Os pesquisadores, do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, recrutaram em 2005 mais de 17 mil casais na África, na Ásia, na América Latina e nos EUA para participar do teste. Em todos os casos, apenas uma das pessoas do casal estava contaminada.

Os participantes do experimento foram divididos em dois grupos. No primeiro, os parceiros infectados receberam imediatamente um coquetel de retrovirais.

O segundo grupo recebeu o tratamento apenas quando a contagem de glóbulos brancos (leucócitos) caísse. Todos receberam camisinhas e podiam fazer testes de HIV gratuitamente.

Entre os pacientes do primeiro grupo, houve apenas um caso de transmissão entre parceiros. No segundo, foram 27 casos.

Retrovirais

O estudo foi finalizado quatro anos antes do previsto devido aos resultado animadores. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), o resultado foi um “avanço crucial” na luta contra a Aids.

Para o diretor do programa de Aids na ONU (Unaids), Michel Sidibe, as pessoas que vivem com o HIV agora têm uma nova maneira de proteger seus parceiros contra a infecção.

“Essa descoberta vai virar o jogo e acelerar a revolução pela prevenção”, disse Sidibe.

As conclusões do Instituto Nacional de Saúde dos EUA foram publicadas no mesmo dia em que foi divulgada a descoberta de uma nova vacina capaz de proteger macacos contra o equivalente em símios ao vírus HIV, indicando um novo caminho na busca por uma vacina para humanos.

Clique Leia mais na BBC Brasil : Vacina contra HIV do macaco pode indicar caminho para humanos

Impacto

De acordo com a OMS, a transmissão sexual representa 80% de todas as novas infecções pelo HIV.

O papel dos retrovirais em evitar a transmissão vinha sendo cogitado há algum tempo, após alguns estudos preliminares.

No entanto, os pesquisadores afirmam que essa é a primeira vez em que os estudos foram comprovados por testes clínicos.

“Com esse estudo, não se pode mais ignorar a evidência de que o tratamento do HIV é uma forma poderosa de se prevenir a transmissão do vírus e pode ter um grande impacto nas epidemias da doença nos países mais afetados”, disse Keith Alcorn, da organização assistencial britânica NAN.


James Gallagher
Da BBC News

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

HIV: Vírus da Aids começou a se espalhar entre humanos há mais de 100 anos, diz estudo


HIV é centenário
2/10/2008
Agência FAPESP – Um estudo feito por um grupo internacional de pesquisadores indicou que a forma mais comum do vírus HIV começou a se espalhar entre humanos no período entre 1884 e 1924, e não durante a década de 1930, como havia sido relatado em estudos anteriores.

Anteriormente, os cientistas acreditavam que o a origem do vírus ocorrera perto de 1930. A Aids foi reconhecida formalmente em 1981, quando chamou a atenção das autoridades de saúde pública dos EUA.

O novo resultado "não é uma mudança brusca, mas significa que o vírus circulava antes do que prevíamos", apontou Michael Worobey, da Universidade do Arizona, um dos autores da pesquisa. Os pesquisadores assinalam que as novas datas levam em conta o crescimento de cidades da África, e sugerem que o desenvolvimento urbano pode ter promovido o estabelecimento inicial do HIV e sua propagação.

Os cientistas afirmam que o HIV é oriundo dos chimpanzés e passou a atingir seres humanos na África, provavelmente porque alguns africanos matavam esses animais. Muitos indivíduos se infectaram com esse contato, porém o vírus não conseguiu se estabelecer entre os humanos em um primeiro momento, apontaram os pesquisadores.


A origem mais antiga do vírus coincide com o estabelecimento de centros urbanos na África ocidental e central, região onde emergiu a epidemia desse tipo específico – o HIV-1 grupo M –, sugerindo que a urbanização e os comportamentos de alto risco a ela associados favoreceram a pandemia de HIV-Aids. A pesquisa foi publicada na edição desta quinta-feira (2/10) da revista Nature.

O estudo, coordenado por Michael Worobey, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, foi financiado pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (Niaid, na sigla em inglês), parte dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.

Para chegar aos resultados, a equipe de cientistas de quatro continentes rastreou amostras de tecidos múltiplos e descobriu a segunda seqüência genética mais antiga do mundo do HIV-1 grupo M, que data de 1960. Os cientistas a utilizaram então, juntamente com dezenas de outras seqüências de HIV-1 previamente conhecidas, para construir árvores genealógicas plausíveis para esse subtipo viral.

Os comprimentos dos ramos da árvore representavam os períodos de tempo em que os vírus divergiram geneticamente de seus ancestrais. A duração e o número dessas mutações genéticas permitiram que os cientistas calibrassem os prováveis intervalos de taxas em que as árvores genealógicas cresceram – o que corresponde provavelmente às taxas de evolução do HIV-1 grupo M.

Com base nessas taxas, os cientistas projetaram retroativamente o período em que as árvores genealógicas provavelmente estavam em suas raízes: por volta da virada do século 20. Isso marca a provável data de origem do HIV-1 grupo M, segundo eles.

Utilizando novas técnicas, os cientistas recuperaram os fragmentos do gene de HIV de 1960 a partir de uma biópsia de tecido de nódulo linfático de uma mulher de Kinshasa, na República Democrática do Congo. A seqüência genética mais antiga conhecida do HIV-1 grupo M, de 1959, foi retirada de uma amostra de sangue de um homem também de Kinshasa.

A comparação entre a mesma região genética dos vírus de 1959 e 1960 forneceu evidências adicionais de que seu ancestral comum existia em 1900. A análise revelou que o grau de divergência genética entre essas duas seqüências de HIV levou mais de 40 anos para evoluir.

De acordo com Worobey, o grupo conseguiu comparar, pela primeira vez, duas estirpes relativamente antigas de HIV. “Isso nos ajudou a calibrar a velocidade com que o vírus evoluiu e possibilitou algumas inferências robustas sobre quando ele passou para os humanos, com que velocidade a epidemia cresceu a partir daquela época e quais fatores permitiram que o vírus se tornasse um patógeno humano de sucesso”, afirmou.

As pesquisas mostram que o HIV passou dos chimpanzés para humanos no sudeste dos Camarões. Worobey afirma que, a partir daí, a epidemia entre seres humanos esteve sempre correlacionada ao crescimento de centros urbanos nessa área, especialmente no Congo, na República Democrática do Congo, na República Centro Africana, no Gabão e na Guiné Equatorial.

Por volta de 1960, um grande número de pessoas nessa região foi infectada com o HIV, o que se refletiu na considerável diversidade genética do vírus. “A partir daí, a epidemia se espalhou para diferentes partes do mundo. Em 1981, as pessoas começaram a perceber que algo preocupante estava acontecendo”, disse Worobey.

O artigo Direct evidence of extensive diversity of HIV-1 in Kinshasa by 1960, de Michael Worobey e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

Fonte: AGÊNCIA FAPESP e ESTADÃO