Mostrando postagens com marcador Itália. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Itália. Mostrar todas as postagens

domingo, 30 de janeiro de 2011

Itália: o país das cidades fantasmas

Monterano 
Localizada 50 quilômetros ao norte de Roma, Monterano já teve seus dias de glória. À época do Império, tornou-se referência cultural; na Idade Média, sua diocese estava entre as principais da Igreja Católica. Os séculos seguintes, no entanto, não foram tão generosos. A cidade murchou economicamente e, na década de 1790, comprou uma malfadada briga no comércio de grãos com comunas vizinhas. O atrevimento lhe custou a vida: tropas mercenárias francesas incendiaram suas construções tão rapidamente que boa parte da população sucumbiu entre as chamas. Um surto de malária incumbiu-se de acabar com os poucos sobreviventes. Monterano juntou-se, então, a um grupo de membros incontáveis: as cidades fantasmas da Itália. Um email com imagens das mais belas delas faz sucesso na internet.

Embora ninguém arrisque o tamanho desse contingente, pode-se afirmar que ele não é dos menores. Primeiro, pela quantidade de cidades minúsculas do país. A Itália tem cerca de 8 mil comunas (equivalente a municípios). O Brasil, com território 28 vezes maior, conta com cerca de 5,5 mil. Segundo, pela antiguidade das ocupações urbanas. Desde as colônias da Magna Grécia, são quase 30 séculos em que, ora a população habitava as planícies, ora deslocava-se para o alto de montanhas. Terremotos, guerras e pragas transformaram povoados em desertos séculos atrás; dificuldades econômicas cumprem o mesmo papel hoje.

- Há comunas que foram reduzidas a 70, 80 habitantes, porque eram comunidades de alto de montanha e seus habitantes se deslocaram para planícies ou grandes cidades, com maior capacidade de desenvolvimento e mercado de trabalho - conta Julio Cezar Vanni, historiador e pesquisador da imigração italiana. - As necessidades modernas fizeram até um vilarejo inteiro ser inundado, para dar lugar a uma hidrelétrica, em Careggine, na Toscana. De dez em dez anos, quando o reservatório é esvaziado, as casas reaparecem e os turistas vão visitá-las.
Careggine

Entre as dezenas de casos curiosos, há histórias como a de Ravello, encravada entre montanhas da Campania, no sul do país. Na Idade Média, a comuna estava entre as mais ricas e civilizadas da península itálica. Sua população chegou a 300 mil pessoas. Hoje, ela foi reduzida a tímidas 2.435.


- Cidades são animais sociais. Uma cidade, para prosperar, precisa estar inserida em uma rede complexa de outros assentamentos, pequenos e grandes, que garantam o seu sustento. Não foi o que ocorreu com Ravello - explica Guido Martinotti, professor de Sociologia Urbana da Universidade de Milano-Bicocca. - A Itália tem uma longa história de assentamentos urbanos, com várias superposições. Este processo foi visto várias vezes no país.

Queda do Império levou povo para as montanhas

A "primeira onda de cidades fantasmas", como chama o sociólogo Francesco Ranci, é anterior aos feudos medievais. Segundo o professor da Universidade do Sagrado Coração, de Connecticut (EUA), a queda do Império Romano foi o primeiro motor para que muitos povoados fossem deixados para trás.

- Nos séculos seguintes ao Império, a população sentiu que só poderia viver com segurança no topo das montanhas. As vilas próximas ao mar ou instaladas em vales foram abandonadas - assinala. - Guerras e epidemias também contribuíram para esvaziar muitas outras comunas. Demorou muito para que estas regiões fossem ressuscitadas.

Uma nova reviravolta ocorreu na Idade Média, que deu um golpe quase mortal nas cidades europeias. Roma, que tinha 1 milhão de habitantes no século I, viu sua população ser reduzida para pouco mais de 20 mil no século X, quando o sistema feudal atingiu o seu auge.

O Globo

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Moralismo à italiana: cidade quer proibir o uso de minissaias e trajes 'indecorosos'

Turistas que vão para um resort à beira-mar no Mediterrâneo não poderiam mais se vestir à vontade em  consequência de uma proposta de proibição de roupas "reveladoras".
Turistas de Castellammare di Stabi podem tratar de se encobrir, se a legislação for aprovada

Vestuário como blusas com decote, jeans de cintura baixa e minissaias poderá ser uma coisa do passado para moradores e visitantes da cidade litorânea Castellammare di Stabia, perto de Nápoles, segundo as novas regras que estão sendo elaboradas pelo prefeito conservador.

O prefeito de Castellammare di Stabia, Luigi Bobbio, diz que o objetivo é "restaurar o decoro urbano e facilitar uma melhor convivência civil" e teria como alvo aqueles que são "desordeiros, indisciplinados ou simplesmente mal comportados".
Então, minissaias serão coisas do passado: trajes reveladores poderão ser banidos se o prefeito da cidade for atendido em seu desejo


A lista de 41 novas regras proibitivas também incluem dizer palavrões em público e jogar futebol nos parques e jardins.

"Eu acho que é a decisão certa", disse o pároco local, o padre Paulo Cecere, ao jornal Cronache di Napoli. "É também uma forma de combater o aumento do assédio sexual.


Mas essas não são as únicas regras todos os "bons cidadãos" nesta cidade devem obedecer. Se aprovada, as pessoas não serão capazes de jogar futebol em parques públicos e pronunciar palavrões em público, que também pode acabar uma multa de entre 25 e 500 Euros. A Câmara Municipal deverá se reunir na segunda-feira para aprovar o conjunto de regras.

Don Paolo Cecere, um padre da cidade local, é a favor da proibição porque "É a decisão certa. Desta forma podemos combater a disseminação do abuso sexual ", disse a um jornal local, o Cronache di Napoli.

Muitas cidades na Itália já proibiram o beijo em carros, alimentar gatos vadios e construir castelos de areia na praia, o que torna o Shariah muito mais complacente na Arábia Saudita do que na Itália (Shariah é o código de leis do islamismo). Conservadores muçulmanos devem se sentir muito confortáveis em uma cidade como essa, por isso espero que eles não vão reclamar quando a burca for proibida na Itália, também.

Com informações do site Travel News


Castellammare di Stabia fica próximo da antiga cidade romana de Stabiae , que foi destruída pela erupção do Vesúvio no ano 79 dC. O castelo da cidade leva o nome foi erguido por volta do século 9 sobre uma colina de comando do lado sul do golfo de Nápoles. Foi restaurado durante o reinado de Frederico II de Hohenstaufen e ampliado pelo rei Carlos I de Anjou .

O município, anteriormente chamado Castellamare, assumiu o nome Castellammare em 22 de janeiro de 1863, e o nome atual em 31 de maio de 1912.

Castellammare foi a cidade natal de Gabriele Capone, pai de Al Capone . Outras pessoas nascidas aqui incluem:
Luigi Denza (1846-1922) autor da famosa música " Funiculi, Funicula "
Gennaro Iezzo , goleiro de futebol.
Mario Merola , o cantor napolitano
Fabio Quagliarella, jogador de futebol
Romeu A. Serrapica (1921-1995), artista comercial americano, ilustrador fotografia, Cooper União aluno. Os pais nascidos e criados em Castellammare di Stabia e Gragnano. Irmão mais novo de John Serry, Sr.
John Serry (1915-2003), músico norte-americano, arranjador, compositor e educador. Nascido como Giovanni Serrapica , seus pais foram criados em Castellammare di Stabia e Gragnano.
Tito Ettore (1859-1941) pintor italiano
Luigi Vitale , o meia do futebol
Raffaele Viviani (1888-1950), escritor, dramaturgo, ator e músico

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sensacional (ismo): Mãe é informada ao vivo na TV de assassinato da filha desaparecida

Uma fotografia sem data de Sarah Scazzi, 15, cujo
corpo sem vida foi encontrado perto da cidade de
 Avetrana, sul da Itália / AP Fonte: AP
Cerca de 3,5 milhões de telespectadores assistiam, ao vivo, ao programa Chi l'ha visto? (Quem viu?), da TV pública RAI, dedicado a pedir ajuda para desvendar casos de pessoas desaparecidas. Neste dia, tratava do desaparecimento da adolescente italiana de 15 anos Sarah Scazzi. A mãe dela, Concetta Serrano, aceitou participar do programa na esperança de obter alguma notícia sobre sua filha. Quem sabe alguém poderia dar informação sobre a desaparecida ao ver a mãe na televisão?


A mãe da adolescente italiana desaparecida foi informada que sua filha havia sido assassinada e que seu cunhado havia confessado o crime durante sua participação ao vivo num programa de TV.

A mãe participava do programa com uma câmera colocada na casa do próprio cunhado, Michele Misseri, o qual a polícia disse ter confessado o assassinato.

A filha de Serrano, Sarah Scazzi, de 15 anos, desapareceu no dia 26 de agosto quando caminhava até a casa do tio na cidade de Avetrana, no sul da Itália, onde ela se encontraria com um primo para ir à praia.

Corpo

Concetta Serrano deixou o programa após a confirmação da confissão

Durante o programa na noite de quarta-feira, assistido por 3,5 milhões de pessoas, a âncora Federica Sciarelli informou Serrano de que agências de notícias diziam que a polícia procurava um corpo que poderia ser de sua filha.

Ao lado de familiares e de um advogado, a mãe permanecia praticamente calada, aparentemente em estado de choque.

Após vários minutos nos quais foram lidas outras notícias com o desdobramento do caso, a âncora finalmente deu a Serrano a informação de que o dono da casa onde ela estava, e que não participava do programa por estar sendo interrogado pela polícia naquele momento, havia confessado o assassinato.

Sciarelli então sugeriu a Serrano: "Talvez seja melhor a senhora ir para casa".

A transmissão era feita diretamente da casa do cunhado de Concetta, onde estava a família. Até que em determinado momento a apresentadora do programa leu a informação de que a adolescente havia sido encontrada morta e, pior, assassinada pelo tio, o cunhado dono da casa. A mãe ficou petrificada enquanto a transmissão seguia informando que, naquele momento, o cunhado já estava preso e havia confessado. O programa seguiu por longos oito minutos, fixado na reação de Concetta que permanecia imóvel enquanto a apresentadora falava. Até que, esta, finalmente perguntou se a mãe desejava terminar o programa e ir para casa, ao que ela responde "acho que é melhor". Ainda assim, a transmissão continuou por mais três minutos, enquanto Concetta saía da sala.

A mãe saiu então de cena, mas o programa continuou com um repórter descrevendo a cena na casa, com uma das filhas do acusado em prantos e alegando a inocência do pai.

Caixa d'água

O promotor do caso, Franco Sebastio, afirmou depois em uma entrevista que a polícia havia encontrado o corpo de uma adolescente loura em uma caixa d'água após Misseri levá-los ao local.

Um teste de DNA será realizado para comprovar se o corpo era mesmo de Sarah.

O tio da garota teria confessado tê-la assassinado após ela ter recusado suas propostas sexuais.

Concetta Serrano após ser informadona
TV  sobre o assassinato da filha de 15 anos:
"meu cunhado é inocente", e "Eu não 
posso acreditar"
Apesar da polêmica gerada pelo programa, o diretor-geral da RAI, Paolo Ruffini, defendeu a emissora.

"O programa procurou lidar com um evento muito trágico da maneira mais delicada possível, e tenho que dizer que a apresentadora conseguiu", afirmou.

Sarah desapareceu em 26 de agosto, enquanto ela andava a curta distância até a cidade de Avetrana para a casa do tio, onde ela deveria encontrar um primo para ir à praia ao longo do Mediterrâneo na região de Puglia.

Segundo a polícia, o tio da menina, Misseri, confessou que tinha matado Sarah logo depois que ela desapareceu. O noticiário disse Misseri confessou ter estrangulado a menina depois que ela se recusou seus avanços sexuais.

A polícia está aguardando os resultados dos testes de DNA para confirmar se o corpo do tio levou-os a se Sarah.

O tio levantou suspeitas de cerca de uma semana atrás, quando ele deu à polícia de telefone celular queimado Sarah afirmou ter encontrado enquanto as folhas a arder perto de sua casa.

O programa de TV pediu a mãe de Sarah, se ela concordasse em ir na TV ao vivo em uma transmissão de casa Misseri, com o seu cunhado e outros membros da família reunida.

Horas antes do show foi ao ar, a polícia começou a interrogar o tio ea transmissão conti

O caso chocou a Itália e provocou uma onda de protestos. Muitos especialistas e telespectadores censuraram o comportamento da emissora RAI e o aproveitamento sensacionalista do caso. A emissora respondeu as críticas dizendo que "tentou reagir a uma situação muito trágica da forma mais delicada possível".

Considerado uns dos pontos negativos do "novo jornalismo", a imprensa sensacionalista tem como único objetivo prender a atenção do público a qualquer custo, visando sempre a audiência, esse tipo de jornalismo torna-se cada vez mais evidente com a guerra do capitalismo que vivemos hoje em dia, na busca exarcebada pela audiência, o sensacionalismo empobrece cada vez mais o jornalismo.

Preocupado apenas em falar o que o público quer ouvir, esse tipo de jornalismo esquece que a verdadeira função vai além de relatar os fatos, mas também propor soluções que ajudem a resolver os problemas apresentados.

A partir de Informações da BBC e heraldsun