terça-feira, 10 de agosto de 2010

HPV: 25% das adolescentes que praticam sexo são portadores do vírus

Uma em cada quatro adolescentes sexualmente ativas está contaminada pelo HPV - um vírus transmitido pelo sexo e pode causar câncer de colo de útero.

A constatação é de uma pesquisa feita pela Fundação Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro. A infecção foi detectada em meninas que tinham iniciado a vida sexual há apenas um ano. Quando chegam a cinco anos de atividade sexual, a porcentagem de infectadas sobre para 40%.

No Espírito Santo, a situação não é diferente, garante o ginecologista Otto Baptista. "Os adolescentes estão iniciando sua vida sexual muito cedo, sem proteção e com uma grande variedade de parceiros. Como a doença demora a se manifestar, o infectado continua a ter relações, multiplicando os casos", detalha.

O mais preocupante, segundo o médico, é que a maioria das adolescentes não tem o costume de procurar o médico, mesmo quando já são sexualmente ativas. "Elas só procuram, quando a doença dá sinais, como corrimento ou verrugas", alerta o médico.

No Brasil, estima-se que 3% das mulheres infectadas pelo vírus poderão desenvolver câncer de colo uterino. "Isso depende muito do estado imunológico do paciente. Algumas vezes, a doença só se manifesta na gravidez, mas a menina continua infectando os parceiros", ressalta Otto.

Além de um tratamento doloroso, que pode incluir até a retirada do útero, a doença pode voltar a qualquer momento, mesmo depois de tratada.

"Da mesma forma que se expõem ao HPV, as meninas também estão suscetíveis a outros tipos mais graves de doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids, além do risco de uma gravidez indesejada", lembra o médico.

há vacinas disponíveis no mercado, voltadas especialmente para mulheres mais jovens, mas o mais completo meio de prevenção é o uso da camisinha, ressalta Otto.

Para todas as mulheres sexualmente ativas, recomenda-se visitas regulares ao ginecologista, pelo menos uma vez por ano, para a realização do exame preventivo, o Papanicolau, capaz de detectar o HPV. "Quem varia muito de parceiro deve procurar o médico a cada seis meses", ressalta Otto.

Prevenção
Tratamento. O tratamento é caro e demorado - são três doses que em intervalos de seis meses. Elas custam R$ 400,00 cada uma

Eficácia. É de quase 100% na prevenção do câncer de colo de útero, e de 99%, no caso de verrugas genitais

Idade. A vacina é restrita a mulheres entre 9 e 26 anos, para as quais as pesquisas já comprovaram a eficácia

Proteção. A vacina, conhecida como Gardasil, é quadrivalente ? protege de quatro dos mais de 200 tipos existentes do vírus ? dois deles causam verrugas e outros dois o câncer de colo de útero

Mais barato. Há também um outro tipo, que protege apenas dos vírus que causam o câncer, e que custa R$ 350

Efeito colateral. A vacina não tem efeitos colaterais, podendo causar apenas febre baixa e uma leve dor no braço, onde é aplicada. Grávidas não podem ser vacinadas

Onde tomar. Em clínicas particulares, como Centro de Vacinação da Praia: 3235-1188 e SIS Vacinações: 3227-1743

Saiba mais sobre a doença
O que é. O papilomavírus humano (HPV) é um vírus adquirido durante as relações sexuais

Câncer. A infecção é a maior causa do desenvolvimento do câncer de colo de útero

Gravidade. Esse é o terceiro tipo da doença que mais acomete as mulheres, ficando atrás somente dos cânceres de pele e de mama.

Infecção. A infecção ataca a pele e as mucosas e pode causar corrimento e verrugas na região vaginal, que podem demorar anos para aparecer, quando a doença já estiver muito grave

Tratamento. O tratamento é dolorido. É preciso usar ácidos e fazer cauterização (uma espécie de choque quente)

Infertilidade. Em estágio avançado é preciso amputar o cólo do útero ou até retirar o órgão, o que leva à infertilidade

Mortes. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de colo do útero é responsável por cerca de quatro mil mortes por ano no país.

Infecções estão mais graves
As infecções no cólo de útero, além de mais freqüentes em adolescentes, têm aumentado em todas as faixas etárias, e com mais gravidade.

Um estudo desenvolvido por pesquisadoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fiocruz detectou que, entre os exames feitos em mulheres adultas (com idade igual ou superior a 20 anos), 5,6% revelaram alguma alteração no colo do útero. Já entre as adolescentes (de 10 a 19 anos), esse percentual chegou a 9%.

Mas o tipo de lesão varia de acordo com a idade. Na faixa de 10 a 19 anos, prevaleceram as lesões de baixo grau ? com menor chance de evoluir para câncer. Lesões mais graves atingiram, sobretudo, mulheres com idade igual ou superior a 20 anos.

Para o estudo, as pesquisadoras utilizaram o banco de dados do Serviço Integrado Tecnológico em Citopatologia, do Inca, com cerca de 1,5 milhão de exames Papanicolau, realizados em moradoras do Rio entre 1999 e 2005.(Fonte: A Gazeta)



O HPV é encontrado na pele e nas mucosas genitais de homens e mulheres, pode ser transmitido pelos três tipos de sexo: vaginal, anal e oral. Seu diagnóstico é difícil, pois muitas vezes o vírus permanece adormecido no corpo da pessoa, e só se manifesta quando a imunidade está baixa. “Ele evolui de maneira discreta e atinge a pele e mucosas.

Muitas vezes o vírus é visível através de verrugas no local contaminado, mas é importante realizar uma avaliação médica, no qual o ginecologista além de examinar, se necessário, solicitará a confirmação do vírus através de exames como papanicolau, colposcopia e biópsia”, conta Carolina Costa Fernandes, psicóloga especialista em sexualidade pelo Instituto Paulista de Sexualidade.

“De acordo com a especialista Carolina, o sucesso do tratamento é garantido. Se ele for realizado corretamente, em sua grande maioria obtém-se a cura”
nos homens, o diagnóstico é mais complicado, pois nem sempre as verrugas aparecem no local infectado. Caso a parceira apresente HPV, é necessário que o homem procure um urologista e verifique a doença.


Existem alguns exames específicos para procurar o vírus no corpo das pessoas. A colposcopia, que examina a vagina; a peniscopia, que é feita no pênis; a vulvoscopia, na vulva; e a anuscopia, que é realizada no ânus. O material é colhido e analisado para que possa ser feito o diagnóstico. “Também é feito um exame de HIV, para garantir que nenhuma outra doença tenha sido transmitida”, explica Fasano. A primeira lesão pode aparecer no local infectado entre cinco e quarenta dias após o contágio.

O tratamento é feito de acordo com o paciente, sua idade e a evolução da doença. Uma gravidez também pode alterar os procedimentos. “Pode ser medicamentoso, mas geralmente é utilizado um tratamento local com cauterização. Existem atualmente vários métodos como laser ou ácido colocado na lesão, realizados no próprio consultório médico”, conta Carolina. A duração depende do progresso da doença.

A estudante de arquitetura Fernanda Martins* pegou a doença de sua irmã, que foi infectada por um ex-namorado. “Eu só tinha tido relação com meu namorado, e ele comigo. Ele achou que eu tinha traído ele e eu achei que ele é quem tinha me traído, por eu ter pego a doença. Mas ele não estava com HPV, e então descobrimos que eu contraí da minha irmã, por usar a mesma toalha”, diz.

O tratamento foi longo e doloroso, mas Fernanda conseguiu ficar livre das feridas. “A pior parte é ficar sem sexo. Durante o tratamento tem que ter abstinência sexual. Mas meu namorado foi super compreensivo. E a falta de sexo não significa falta de intimidade”, afirma a estudante. De acordo com a especialista Carolina, o sucesso do tratamento é garantido. “Se ele for realizado corretamente, em sua grande maioria obtém-se a cura”, diz.

Apesar de existirem centenas de tipos do vírus, a maioria das infecções é ocasionada por apenas quatro tipos dele. As versões 16 e 18, que são responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero; e as versões 6 e 11, que causam 90% das verrugas genitais. Mas já existem duas vacinas que prometem ajudar na prevenção do papilomavírus.

Uma delas, fabricada pelo laboratório Merck Sharp & Dhome, protege contra esses quatro tipos mais comuns. Ela é indicada para mulher entre nove e 26 anos e chamada de “Vacina Quadrivalente”. A outra, a “Vacina Cervarix”, protege contra os tipos 16 e 18, e também é indicada para a mesma faixa etária. “Isso se propõe a provocar uma resistência contra o HPV mais letal para a mulher, aquele que comprova câncer de colo de útero. Para o mais comum, não tem essa eficácia”, explica Paolo Fasano. As vacinas são caras e são necessárias várias aplicações. Antes de qualquer procedimento, é importante conversar com um médico.

O ginecologista explica que os tipos de HPV que provocam verruga não costumam gerar câncer no útero. “Por isso a gente faz muito papanicolau no Brasil. Ajuda a detectar a doença, quando não aparecem as verrugas”, conta Paolo.

Para evitar o contágio sexual, é necessário o uso de preservativo. Nada mais simples. Mas existe uma ressalva: a transmissão é feita pelo contato da pele. Ou seja, a parte que a camisinha não cobre, pode passar ou pegar o HPV. Por isso são necessários exames de rotinas em ginecologistas e urologistas e muita atenção ao surgimento de verrugas e coceiras nos órgãos genitais.

“É importante realizar exame ginecológico a cada seis meses, para que haja um controle regular com coleta de material do colo do útero”, conta Carolina. Além de causar câncer no colo do útero, o HPV também pode ocasionar câncer no pênis. “O preservativo é importante desde o início da relação sexual, nas preliminares, pois o atrito auxilia o contato”, lembra o ginecologista Paolo Fasano.

Como sempre, é importante lembrar o uso de preservativo e de exames médicos. HPV é uma doença séria e cada vez mais comum.

Ana Gissoni
AgênciaMBPress





Apesar de ser conhecido por causar câncer de colo do útero, o HPV também pode atingir os homens, causando câncer de pênis, além de tumores no ânus, boca e faringe. Hausen (O cientista Harald zur Hausen ganhador do o Nobel por descobrir que o HPV causa o câncer de colo do útero)esteve em São Paulo para a inauguração do Centro de Pesquisas em Oncologia do Hospital A.C Camargo e concedeu entrevista a VEJA.com.

Qual é a gravidade do HPV (papilomavírus humano)?
É uma infecção muito séria, mas pode confundir porque o paciente nem sempre apresenta sintomas e pode não saber que está infectado. Passam-se entre 10 e 15 anos até que a lesão se transforme em um tumor. Inicialmente, não é uma infecção muito grave e, em grande parte dos casos, é possível lidar com isso sozinho, já que o sistema imunológico elimina o HPV naturalmente. Porém, 10% das mulheres têm um risco maior de desenvolver câncer do colo de útero mais tarde.

O que mudou desde a sua descoberta? Qual foi o impacto para saúde pública após saber que existe uma relação entre o HPV e o câncer do colo do útero?
Com a descoberta, soubemos que 100% das pessoas com câncer de colo do útero eram positivas para esses vírus. Além disso, que alguns tipos desses vírus são de alto risco e responsáveis por tumores malignos. E ainda os estudos epidemiológicos realizados na América do Sul, que permitiram uma visão mais profunda e um conhecimento maior dos fatores de risco para o desenvolvimento do câncer.

Qual a importância da vacina contra o HPV?
A vacina é importante porque ela dá 100% de proteção contra os tipos responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo do útero: o HPV-16 e HPV-18. A vacina também é capaz de proteger contra outros dois tipos. Então, em termos de proteção, é possível dizer que a vacina previne 80% dos casos de câncer do colo do útero, principalmente contra as lesões pré-cancerosas. A eficiência da vacina é comprovada e a imunização contra o vírus tem pelo menos oito anos de duração - sabemos que ela pode durar ainda mais. Além disso, os efeitos colaterais são leves e os resultados muito eficazes, se comparados com a não utilização da vacina. O grande problema da vacina é o preço. Ela é extremamente cara.

O senhor acredita que é possível erradicar o câncer de colo do útero?
Sim, eu acho que é possível erradicar o câncer de colo do útero. Se há intenção de erradicar esse vírus, é preciso realizar um programa global de vacinação. Se você considerar o número de casos que ocorrem nos países e se você pudesse retirar 80% disso, acho que seria um grande avanço. Nesse caso, para garantir o fim, é necessário não vacinar apenas as meninas, mas os garotos também – antes do início da atividade sexual.

Sabemos que o câncer de colo do útero pode ser prevenido, mas por que não houve uma redução no número de casos em países em desenvolvimento nas últimas três décadas?
São dois grandes problemas. O primeiro é que os países mais pobres não possuem um sistema eficaz de prevenção. Como as lesões não são diagnosticadas e nem removidas, há um aumento significante de 70 a 80% de chances de desenvolvimento do câncer. O segundo motivo recai sobre o preço elevado das vacinas. Muitos países em desenvolvimento não conseguem proporcionar essa opção para a população por conta do alto custo.

Nos Estados Unidos, apenas 6% das mulheres que realizam o exame papanicolau apresentam anormalidades e precisam de um acompanhamento médico. Qual é a utilidade desse exame para a prevenção?
A vacinação e esse exame são para situações completamente diferentes. O exame é capaz de detectar lesões que precisam ser removidas cirurgicamente, que já estão instaladas em pessoas que foram infectadas. Já a vacina previne contra os tipos já citados anteriormente. É preciso lembrar que ainda existem outros tipos não protegidos pela vacina e que ela também não é capaz de curar lesões. Ainda é importante ressaltar que a vacina é eficaz quando aplicada antes do início da atividade sexual.

Recentemente, pesquisadores afirmaram ter modificado o vírus da herpes, que serviu para tratar com êxito o câncer de cabeça e de pescoço. O senhor acredita que no futuro nós vamos encontrar uma relação maior entre o câncer e as doenças infecciosas?
Em geral, 21% dos tipos de câncer estão ligados a alguma infecção. Não apenas vírus, mas também bactérias, parasitas. Minha suspeita é que esse número deve crescer no futuro e vamos ter mais ligações entre os casos de câncer e infecções. É uma área importante para ser pesquisada.

E o senhor acha que as pesquisas estão no rumo correto? O que é possível dizer para incentivar os novos cientistas?
Nunca é fácil definir se as pesquisas estão no rumo certo ou não. Porque sempre estamos abertos a grandes surpresas. É importante incentivar o interesse de novos cientistas para essa área, da infecção e o câncer. Porque quando eu comecei a trabalhar nesse campo de pesquisa, e encontrei a relação entre o HPV e o câncer, ninguém acreditava em mim.

Por conta de falsas promessas, algumas pessoas parecem céticas em relação ao tratamento do câncer. É possível incentivar o otimismo?
As preocupações com a prevenção são uma boa razão para que as pessoas sejam otimistas. É possível perceber um movimento maior que visa prevenir o câncer. Além disso, se você olhar para países com uma estrutura completa para tratar pacientes com câncer, você vê que em pelo menos 50% dos casos é possível encontrar a cura.

E o que o senhor indica para prevenir o aparecimento do câncer? Hábitos de vida podem influenciar?
Com certeza. Em primeiro lugar, se você não fuma, você reduz uma série de fatores de riscos para desenvolver alguns tipos de câncer. Se você não expõe a sua pele sem proteção ao sol, você diminui drasticamente as chances de desenvolver o câncer de pele. Se você mantém uma dieta saudável, se há uma redução na quantidade de carne vermelha, você também tem menos chances de desenvolver alguns tipos de câncer. Então há uma série de mudanças de hábitos que podem refletir diretamente na sua saúde. O mais importante é informar a população de todas essas possibilidades porque parece que não há muita informação sobre isso circulando ao redor do mundo.


Sem problemas entre lençóis



Uma vida sexual saudável requer cuidados com a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e também com a contracepção. Confira os principais métodos:
- Adesivo: o anticoncepcional sob a forma de adesivo deve ser colado na pele (braços, nádegas ou abdome). Ele libera, aos poucos, hormônios que evitam a ovulação e dificultam a penetração dos espermatozoides no óvulo.
- Anel vaginal: é inserido pela própria mulher, como se fosse um absorvente interno. Libera aos poucos os hormônios que impedem a ovulação.
- Camisinha feminina: uma pequena bolsa de plástico que se adapta à vagina e protege o colo do útero, a vagina e a genitália externa.
- Camisinha masculina: revestimento de borracha fina, que é colocado no pênis quando o mesmo está enrijecido.
- Diafragma: colocada dentro da vagina e associada a um espermicida, impede a passagem dos espermatozoides.
- DIU: o dispositivo engrossa o muco do colo uterino, criando uma barreira para os espermatozoides. Ele precisa ser colocado dentro da vagina por um ginecologista.
- Injeção: trata-se de uma injeção de hormônios parecidos com os da pílula anticoncepcional
- Pílula: comprimidos orais que combinam hormônios artificiais, estrógeno e progestágeno.

Fonte: Revista Plástica e Beleza, Ministério da Saúde e Prosex

Referências: 
www.inca.gov.br
www.gineco.com.br/hpv 
www.virushpv.com.br/
www.diariodasaude.com.br/
www.aids.gov.br 
www.dst.com.br/pag05.htm
www.drauziovarella.com.br
www.bayerscheringpharma.com.br
www.febrasgo.org.br/arquivos/diretrizes/079.pdf 
www.contepralguem.com.br/
http://boaforma.abril.com.br/comportamento/saude-mulher/cuidado-com-virus-hpv-489430.shtml

Nenhum comentário:

Postar um comentário