Dependência emocional pode colocar vida em risco; saiba mais
Rio - Atualmente não é incomum, ao ligarmos a TV nos noticiários, nos depararmos com notícias sobre mulheres que foram agredidas por seus companheiros, chegando ao ponto de ficarem desfiguradas e, muitas, acabam dando declarações sobre o perdão e sobre o amor. Há quem fique indignado diante de tais afirmativas e não consiga compreender como essas mulheres, mesmo após tantas agressões físicas e psicológicas, conseguem perdoar o agressor.
"Entendemos que a violência tem um ciclo. A mulher passa pela fase de lua de mel, na qual tudo está bem e ela se sente amparada, depois vem a tensão e a crise, que culminam na violência em si. Ela pensa em tomar uma atitude, o companheiro pede perdão porque se arrepende e ela acredita e retorna ao relacionamento porque espera que tudo volte a ficar bem. Vulgarmente as pessoas acham que a mulher gosta de ficar nesta situação, mas não é verdade", explicou Branca Paperete, psicóloga da Casa Eliane de Grammont, da capital paulista, que presta atendimento psicológico e de assistência social a mulheres vítimas de violências doméstica e sexual.
Em muitos casos, o que acontece também é a dependência emocional em relação ao parceiro, visto que as mulheres tendem a idealizar o relacionamento e até mesmo o companheiro, sendo difícil para elas dissociar o homem por quem se apaixonaram daquele que lhes agride. Tatiana Ades, psicanalista e especialista em relacionamentos, da capital paulista, explica que "o amor patológico, é aquele que não é saudável, no qual a codependência afetiva se torna presente e o outro se transforma no centro de nossas vidas, chamo esse processo de cegueira emocional".
"E existe toda uma educação sexista que colabora com isso", disse Branca, lembrando que muitas mulheres crescem acreditando que só serão felizes se conseguirem se casar e até mesmo os meios de comunicação acabam reproduzindo esta ideia. "Também vemos muitas mães que dizem para as filhas, vítimas de violência, que 'é assim mesmo', 'não tem jeito', 'melhor com ele', mostrando que o comportamento acaba sendo transmitido", contou a psicóloga.
A violência doméstica, infelizmente, não é um problema que acontece apenas "com o vizinho". Pesquisa divulgada pelo Instituto Avon no dia 1º informou que seis a cada dez brasileiros conhecem uma mulher que foi vítima do problema, após ouvir 1800 brasileiros em todo o País. Andrea Jung, presidente mundial da Avon, chegou a destacar que o "medo de ser morta", que é um dos principais motivos citados pela maioria das mulheres que se mantêm conectadas ao companheiro é algo comum em outras nações e, por isso, criar hotlines para atender estas mulheres é essencial para ajudar a combater o problema.
"Leis e instrumentos de repressão não farão a mudança cultural tão necessária para que a mulher que sofre de violência doméstica seja respeitada. Só a compreensão da sociedade, de que esse é um drama caleidoscópico, de muitas facetas, fará isso, disse a socióloga Fátima Jodão, conselheira do Instituto Patrícia Galvão, organização sem fins lucrativos que luta pelos direitos das mulheres e é sediado em São Paulo (SP), durante divulgação da pesquisa na mesma cidade.
E os casos que chegam na Casa Eliane de Grammont costumam ser graves, com mulheres que sofrem violência emocional e física e até mesmo correm risco de morte. "Brincamos que este é um problema democrático, porque não afeta apenas uma classe social, faixa etária, religião ou raça", lembrou.
Tem tratamento
A dependência emocional em relação a um companheiro violento tem tratamento. "É um processo. Não acontece do dia para a noite, mas aos poucos conseguimos fazer com que essa mulher dissocie amor de violência e possessividade, porque muitas acham que são coisas relacionadas. O próprio homem acha que age por amor, por medo de perder e trabalhamos para mostrar que amor, afeto e respeito podem e devem andar juntos. Você não é do outro, você está com o outro em um relacionamento que deve ser construtivo", falou Branca.
Segundo Tatiana, as pessoas tendem a permanecer num relacionamento destrutivo, percebem que algo está errado, sentem-se infelizes, mas incapazes de colocar um ponto final. "Essa incapacidade já faz parte do problema, continuar sofrendo e infeliz num relacionamento destrutivo, mostra o quanto a autoestima da pessoa está baixa e é necessário uma ajuda profissional urgente."
Segundo a psicóloga da Casa Eliane de Grammont, nem sempre as mulheres vítimas de violência doméstica têm problemas de auto-estima. "É algo delicado. Ela não é vítima porque não se gosta ou não se acha bonita, mas sim porque não é a protagonista de sua vida. Auto-estima é diferente de passar batom ou colocar um vestido bonito, por isso não costumamos usar o termo para falar sobre mulheres que sofrem violência doméstica."
A melhor ajuda é a terapia, mas o primeiro passo é assumir que a doença existe, o segundo passo é buscar auxilio de um profissional e os grupos de apoio anônimos, como o MADA (mulheres que amam demais anônimas), o CODA (codependentes anônimos) e atualmente o HADA (homens que amam demais anônimos). "É impossível conseguir amar de forma saudável se estamos doentes, é importante manter sempre atividades que gostem de fazer e nunca abandonar nada por causa do outro, lembrem-se que o outro deve ser complemento saudável de sua vida e não o centro da mesma. Busque ajuda o mais rápido possível, amar demais é um vicio tão perigoso quanto qualquer outro e pode ser fatal", conclui Tatiana Ades.
O tratamento inclui conscientização da mulher que é vítima, por meio de terapias e aconselhamento com profissionais especializados e também da sociedade, para que o mal não volte a se repetir. Mulheres que são vítimas podem procurar orientação em diversas instituições, como a Patrícia Galvão - (11) 3266-5434 - ou a Casa Eliane de Grammont - (11) 5549-9339/5549-0335.
O DIA
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segunda-feira, 11 de julho de 2011
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Saiba que cuidados tomar com eletricidade que circula dentro de casa
A cada ano, em média, 350 brasileiros morrem por causa de descargas elétricas. É quase uma morte por dia.
Era pra ser mais um bico como pintor. “Eu ia aplicar textura na fachada da loja. Quando eu subi, só senti a pancada”, conta o vigilante Manoel João dos Santos.
A pancada foi uma descarga elétrica de 13,8 mil volts. Manuel sofreu queimaduras tão graves que até hoje, quase um mês depois do acidente, ainda não pode vestir camisa.
“Aquela ferramenta que estava na mão virou um fogo, Ela veio pra cima de mim”.
Manoel estava debruçado numa laje, pertinho da rede elétrica. “Até hoje eu não entendo como que deu errado ali. Porque eu tava com cautela justamente para não aproximar da rede, entendeu?”
Para tentar entender o que aconteceu com o Manoel, o Fantástico convidou um especialista em engenharia de segurança. Ele precisa ter encostado o rolo na fiação para ter levado o choque?
“Não necessariamente encostou, mas aproximou. A aproximação de qualquer objeto metálico, seja ele um andaime, seja ele um rolo, seja ele um vergalhão na construção civil que é comum, próximo à rede elétrica, há a passagem de corrente elétrica através de um arco elétrico”, explica Joaquim Gomes Pereira, da Engenharia de Segurança da USP.
O arco elétrico se forma quando o objeto que pode ser metálico ou não, atrai a energia da rede e gera um choque, que na maioria das vezes é fatal. Foi o que matou o cunhado do vigilante Jurandir da Silva.
“Meu sobrinho tinha saído para a rua, não levou a chave. Daqui ele jogou a chave, só que a chave em vez de ir pra baixo, ela foi direto no primeiro fio. Aí tinha uma haste de alumínio ali no canto, ele pegou a haste de alumínio, quando ele chegou perto aí deu choque, a haste foi para a rua, e ele caiu aqui no chão”.
“Nenhuma casa deveria estar a menos de um metro e meio da rede elétrica. Uma distância menor que essa é um risco muito grande de choque elétrico”, afirma Fernando Mirancos, diretor de operações da Eletropaulo.
Nesse caso, a gente pode falar de quem é a culpa?
“Geralmente isso acontece porque as pessoas vão construindo as suas casas depois da rede já implantada, completa Fernando.
A cada ano, em média, 350 brasileiros morrem por causa de descargas elétricas. É quase uma morte por dia. A maioria dos acidentes acontece na construção civil.
“Quando você pega alguém reformando a própria casa, enchendo uma laje, ela está tão feliz com aquela conquista que ela nem pensa que pode ter um acidente”, diz o consultor Renato Meirelles.
A gente está numa rua agora que tem vários exemplos de instalação errada de antena. “Quando ela foi sendo instalada, a pessoa correu o risco, porque se aproximou muito da rede de energia”, afirma Fernando.
“Se a antena cair por causa de um vento, se ela estiver mal fixada, vai atingir a rede e pode causar um acidente”.
Na casa de Clarice Alves, o risco de choque está logo na entrada. Uma barra metálica está apoiada ao lado da fiação exposta.
“Meu marido é soldador. Então esta barra de ferro, ele trouxe justamente ontem, não estava aí”, diz Clarice. “Mas os acidentes são exatamente assim, eles são exceções”.
A cabeleireira Francisca Silva tem que se virar com uma tomada só. Por isto usa uma régua. Só que o excesso de carga pode causar incêndio.
“O que que eu posso fazer? Eu tenho três aparelhos, eu não vou toda hora ligar e desligar, às vezes não dá tempo”.
“Tem que chamar um profissional capacitado para que ele dimensione este número de tomadas O custo não é elevado em função do risco que se corre por ter este tipo de instalação inadequada”, recomenda o professor Joaquim.
E se acontecer algo no salão?
“Quem vai perder sou eu, NE?”, disse Francisca
Uso de réguas são as principais causas de acidentes dentro de casa. Nas tomadas, a falta do fio terra, que protege de choques elétricos, também aumenta os riscos.
“Eletricidade não apresenta nenhum tipo de denúncia, não tem cheiro, ela não tem cor, ela não tem ruído, ela tem tato, mas quando você percebe o tato, você já está eletrocutado”.
“Depois que toma um choque, vê que o negócio é bem mais sério que a gente pensa, pode até tirar a vida, como tirou a do meu cunhado”, diz o vigilante Jurandir da Silva.
Fonte: Fantástico
Era pra ser mais um bico como pintor. “Eu ia aplicar textura na fachada da loja. Quando eu subi, só senti a pancada”, conta o vigilante Manoel João dos Santos.
A pancada foi uma descarga elétrica de 13,8 mil volts. Manuel sofreu queimaduras tão graves que até hoje, quase um mês depois do acidente, ainda não pode vestir camisa.
“Aquela ferramenta que estava na mão virou um fogo, Ela veio pra cima de mim”.
Manoel estava debruçado numa laje, pertinho da rede elétrica. “Até hoje eu não entendo como que deu errado ali. Porque eu tava com cautela justamente para não aproximar da rede, entendeu?”
Para tentar entender o que aconteceu com o Manoel, o Fantástico convidou um especialista em engenharia de segurança. Ele precisa ter encostado o rolo na fiação para ter levado o choque?
“Não necessariamente encostou, mas aproximou. A aproximação de qualquer objeto metálico, seja ele um andaime, seja ele um rolo, seja ele um vergalhão na construção civil que é comum, próximo à rede elétrica, há a passagem de corrente elétrica através de um arco elétrico”, explica Joaquim Gomes Pereira, da Engenharia de Segurança da USP.
O arco elétrico se forma quando o objeto que pode ser metálico ou não, atrai a energia da rede e gera um choque, que na maioria das vezes é fatal. Foi o que matou o cunhado do vigilante Jurandir da Silva.
“Meu sobrinho tinha saído para a rua, não levou a chave. Daqui ele jogou a chave, só que a chave em vez de ir pra baixo, ela foi direto no primeiro fio. Aí tinha uma haste de alumínio ali no canto, ele pegou a haste de alumínio, quando ele chegou perto aí deu choque, a haste foi para a rua, e ele caiu aqui no chão”.
“Nenhuma casa deveria estar a menos de um metro e meio da rede elétrica. Uma distância menor que essa é um risco muito grande de choque elétrico”, afirma Fernando Mirancos, diretor de operações da Eletropaulo.
Nesse caso, a gente pode falar de quem é a culpa?
“Geralmente isso acontece porque as pessoas vão construindo as suas casas depois da rede já implantada, completa Fernando.
A cada ano, em média, 350 brasileiros morrem por causa de descargas elétricas. É quase uma morte por dia. A maioria dos acidentes acontece na construção civil.
“Quando você pega alguém reformando a própria casa, enchendo uma laje, ela está tão feliz com aquela conquista que ela nem pensa que pode ter um acidente”, diz o consultor Renato Meirelles.
A gente está numa rua agora que tem vários exemplos de instalação errada de antena. “Quando ela foi sendo instalada, a pessoa correu o risco, porque se aproximou muito da rede de energia”, afirma Fernando.
“Se a antena cair por causa de um vento, se ela estiver mal fixada, vai atingir a rede e pode causar um acidente”.
Na casa de Clarice Alves, o risco de choque está logo na entrada. Uma barra metálica está apoiada ao lado da fiação exposta.
“Meu marido é soldador. Então esta barra de ferro, ele trouxe justamente ontem, não estava aí”, diz Clarice. “Mas os acidentes são exatamente assim, eles são exceções”.
A cabeleireira Francisca Silva tem que se virar com uma tomada só. Por isto usa uma régua. Só que o excesso de carga pode causar incêndio.
“O que que eu posso fazer? Eu tenho três aparelhos, eu não vou toda hora ligar e desligar, às vezes não dá tempo”.
“Tem que chamar um profissional capacitado para que ele dimensione este número de tomadas O custo não é elevado em função do risco que se corre por ter este tipo de instalação inadequada”, recomenda o professor Joaquim.
E se acontecer algo no salão?
“Quem vai perder sou eu, NE?”, disse Francisca
Uso de réguas são as principais causas de acidentes dentro de casa. Nas tomadas, a falta do fio terra, que protege de choques elétricos, também aumenta os riscos.
“Eletricidade não apresenta nenhum tipo de denúncia, não tem cheiro, ela não tem cor, ela não tem ruído, ela tem tato, mas quando você percebe o tato, você já está eletrocutado”.
“Depois que toma um choque, vê que o negócio é bem mais sério que a gente pensa, pode até tirar a vida, como tirou a do meu cunhado”, diz o vigilante Jurandir da Silva.
Fonte: Fantástico
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