O bisfenol A (BPA, na sigla em inglês) prejudica o comportamento sexual de roedores, especialmente dos machos. É o que mostra um trabalho publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). A substância, utilizada pela indústria química na produção de diversos tipos de plástico — e usada em mamadeiras, tem sido combatida por médicos e ambientalistas que defendem seu banimento.
O bisfenol A é usado na fabricação de plásticos como o PVC, que compõem as embalagens das mamadeiras(Pixland/Thinkstock)
RIO - A substância química bisfenol A (BPA, na sigla em inglês) usada na fabricação de diversos tipos de plásticos pode gerar problemas de sexualidade em roedores, sugere um estudo realizado nos Estados Unidos. Em mais uma pesquisa sobre os problemas que este componente pode causar à saúde, os cientistas descobriram que as fêmeas não eram atraídas por machos que haviam sido expostos ao bisfenol. Alguns dos pesquisadores acreditam que as alterações apresentadas pelos animais podem acontecer também com os humanos.
Os pesquisadores usaram o bisfenol na dieta de fêmeas no período de gestação. Os níveis da substância que eram usados nas comidas dos animais eram os considerados seguros para humanos. Depois de um tempo, os filhotes machos tinham dificuldade em atrair as fêmeas, assim como apresentaram um comportamento típico de fêmeas na hora de lidar com informações espaciais. Os filhotes do sexo feminino não pareceram ter sido afetados.
É possível que a exposição ao BPA altere os sinais hormonais masculinos, e que o componente provoque o mesmo efeito em homens, alterando as características do desenvolvimento sexual em meninos e meninas, afirmam alguns dos pesquisadores.
- O BPA parece suprimir a produção antecipada de testosterona. As fêmeas parecem poder perceber essa situação e são menos atraídas por esses machos - explicou Cheryl Rosenfeld, professor de Ciências Biomédicas na Universidade de Missouri e coautor do estudo.
Num estudo anterior, pesquisadores relacionaram o BPA a baixas contagens de espermas e a testículos menores em camundongos machos. Outra pesquisa sugeriu que uma roedora fêmea reduziu as taxas de gravidez quando acasalou com um macho exposto ao BPA.
O bisfenol tem sido muito combatido, provocando em alguns países a retirada do mercado de produtos que contêm a substância, incluindo mamadeiras e garrafas de água. No ano passado, a União Europeia e o Canadá baniram o uso de BPA em mamadeiras.
Também em 2010, o Ministério Público abriu inquérito civil público no Brasil para investigar os efeitos da substância para a saúde.
Os estudos em humanos ainda não são conclusivos. Mas Cheryl Rosenfeld, da Universidade de Missouri e coautora do artigo, aponta que os dados sugerem que garotos podem ser mais suscetíveis ao produto que garotas. A médica Ieda Verreschi, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo, concorda. "Estudos apontam que o bisfenol A imita o comportamento dos hormônios estrogênicos (grupo de hormônios sexuais que estimulam os caracteres femininos secundários)", diz. A sociedade iniciou uma campanha para o banimento do bisfenol no país, com o slogan "Diga não ao bisfenol A, a vida não tem plano B".
A importação e a venda de mamadeiras que contêm o BPA está proibida na União Europeia. A China também tem uma lei que proíbe a produção de frascos para alimentação infantil que contenham plásticos feitos com o produto químico. O BPA já foi banido no Canadá, na Costa Rica, na Malásia e em pelo menos 11 Estados americanos. No Brasil, a proibição do elemento químico está em discussão no Congresso. Em abril, a Justiça determinou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que regulamentasse em 40 dias a inclusão de um alerta sobre a presença da substância nas embalagens dos produtos. A agência conseguiu prorrogar o prazo até agosto e está recorrendo da decisão.
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Fonres: O Globo e Revista veja

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