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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Professor de Campinas é o 1º pai a conseguir licença-paternidade no Brasil

Professor obtém na Justiça licença paternidade para cuidar de filho
Pedido de afastamento remunerado foi aceito por juiz federal de Campinas.
Mãe da criança de 1 mês de idade se recusou a cuidar do bebê.

Marcos terá quatro meses livres para cuidar do pequeno Nicolas
Um professor de enfermagem de Campinas (SP) conseguiu na Justiça o direito de se afastar do trabalho por 120 dias por meio de licença paternidade remunerada para cuidar do filho nascido em julho. O pedido foi aceito pelo juiz federal Rafael Andrade Margalho. Marcos Melo, de 36 anos, alega na ação que, após o término de um breve relacionamento com a mãe da criança, foi surpreendido com a gravidez da parceira, que se recusou a cuidar do bebê porque isso prejudicaria a sua carreira profissional.

Conheci a mãe do meu filho por meio de um amigo. Não chegamos a ter um relacionamento sério, saímos algumas vezes durante um ano. Em fevereiro, grávida de quatro meses, ela me disse que não nasceu para ser mãe. A partir daí, não tive dúvida de qual seria o meu papel.

Como ela também morava sozinha em Campinas e não queria contar para ninguém que estava grávida, combinamos com meus pais e ela ficou com eles em Presidente Venceslau (SP). Eu não falei que já tínhamos decidido que eu iria cuidar sozinho do meu filho porque não queria que rejeitassem ela em casa.

Passei quatro dias com eles e depois voltei para Campinas, porque precisava trabalhar. Só retornei quando o Nicholas ia nascer. Eu já tinha montado todo o enxoval e arrumado a bolsa para levar à maternidade.

Quando o bebê nasceu, fiquei muito emocionado. Ter um filho era um sonho que eu tinha desde os 23 anos, e que eu achava que não se realizaria mais. Vi ele e pensei: "Agora é de verdade". Pedi uma toalha para dar o primeiro banho nele e me perguntaram: "Mas você consegue?".

A mãe dele não queria amamentar e eu pedi para que esquentassem o leite que comprei, mas recusaram. No segundo dia, deixaram dar a mamadeira porque insisti muito. Fiz isso escondido outras vezes, para ninguém reclamar.

Passamos uma semana na casa dos meus pais. Eu sempre tive o sono pesado e fiquei com medo de que o Nicholas chorasse à noite e eu não acordasse. Pedi para minha mãe me acordar caso eu não levantasse. Mas bastou o primeiro movimento dele e eu despertei. Nesse momento, pensei: estou apto.

Antes de ir embora, expliquei a situação à minha mãe. A princípio, ela estranhou. Sei que ela esperava uma família mais tradicional, mas pedi que respeitasse nossa decisão.

Quando voltamos para Campinas, assinamos a guarda amigável e eu abri mão da pensão. O conciliador achou a situação inédita. Após sair do fórum, deixei a mãe do meu filho em casa. Ela disse "espero que vocês sejam muito felizes" e desde então somos só eu e o Nicholas.

DIAS DIFÍCEIS

Os primeiros dias foram difíceis. Eu acordava três ou quatro vezes à noite para dar mamadeira e de manhã tinha que ir trabalhar com ele. Os berçários não o aceitavam por ele ainda não ter tomado todas as vacinas.

Sempre acompanhado dele, pedi a licença [paternidade] no INSS e não permitiram por não ser algo previsto em lei. Passei também pela Defensoria do Estado de São Paulo e indeferiram meu pedido.

Em seguida, fui até a Defensoria Pública da União e explicaram que minha situação era atípica. Mesmo assim, queria tentar.

Entre as primeiras conversas com a defensora pública e a decisão da Justiça se passaram apenas dez dias. Achei que o Nicholas ia fazer 15 anos e eu ainda não teria uma resposta. Fiquei impressionado quando soube que o juiz tinha aprovado.

Me sinto realizado por saber que consegui algo tão importante. Meu filho é minha motivação e espero que nosso caso também seja motivador para outros pais.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Professor da USP que nega aquecimento global fica 'sem clima' para financiamento


Cético fica 'sem clima' para financiamento

Ser um cético do clima não é fácil no Brasil. As verbas de pesquisa são escassas, e é difícil publicar em revistas acadêmicas de prestígio.

Apesar de incertezas, dados sobre aquecimento estão cada vez mais fortes
Pesquisa confirma que aumento de CO2 inicia aquecimento

A avaliação é de Ricardo Augusto Felício, professor do Departamento de Geografia da USP e uma das principais vozes no país entre os que negam o aquecimento global.

"Camada de ozônio? Esse negócio não existe", diz o professor, antes de afirmar que a presença do gás varia sazonalmente. Ou seja, os populares "buracos" não passariam de ficção.

É assim que ele começa uma palestra de duas horas para alunos do 1º ano do ensino médio do colégio Avicena, na Zona Sul da cidade.

Fábio Braga - 11.mai.12/Folhapress

O climatologista da USP Ricardo Augusto Felicio, 42, é um dos principais cientistas que negam a interferência das atividades humanas no processo de aquecimento global

A iniciativa de conversar com Felício partiu dos próprios estudantes, após assistirem a uma recente entrevista do cientista no "Programa do Jô", na Rede Globo.

De vez em quando, ele recebe grupos de estudantes interessados em saber o que seria a versão alternativa do ambiente. "É um trabalho de formiguinha", diz Felício.

O professor faz questão de avisar que há interesses políticos e econômicos por trás de conceitos científicos e de organizações como o IPCC.

"Vocês precisam saber: a ciência tem dono."

Quando uma aluna pergunta quem são esses donos, ele responde rapidamente: quem manda nos laboratórios são os mesmos que comandam o capital.

"Mas eu não sou marxista, nem ligado a nenhum partido político. É só uma constatação objetiva", disse.

"Eu já vou avisando aos meus alunos que eles vão ter de trabalhar. Aqui não vai ter bolsa", lamenta ele, que agora não quer mais "perder tempo" tentando financiamento, diz o autor do site "Fakeclimate".

Os pareceristas das revistas científicas também não costumam dar espaço para os céticos. "Eles são todos parte de um mesmo grupo. Nós acabamos tendo de publicar em revistas menores", diz Felício, que tem apenas três artigos originais em periódicos.

"Estou impressionada com tudo o que ele diz. Acho importante os alunos terem as duas versões", diz a coordenadora do colégio, Eliane Bonfim, que é bióloga.

domingo, 22 de abril de 2012

Professor é demitido por curso de drag: 'Mancha para empresa', diz patrão

Aluno do curso de drag queen mostrado pelo Fantástico é demitido
Professor de logística foi desligado da empresa no dia seguinte após a exibição da reportagem do Fantástico.

Professor de logística foi desligado da empresa no
 dia seguinte após a exibição da reportagem do Fantástico.
Dois domingos atrás, o Fantástico foi a Santos conhecer um curso que se destina a formar drag queens. Durante a gravação, um aluno se destacou e, quando voltou ao trabalho, o aprendiz de drag teve uma surpresa. E não foi nada agradável.

Foi Ailton aparecer no Fantástico na semana passada. “Sou psicólogo, administrador, professor da área de logística e quase drag.”, disse ele na reportagem.

No dia seguinte, tudo mudou. “Um dos meus chefes, simplesmente chegou para mim e disse que não era condizente com ele, que aquilo não era bom para empresa, não era bom para a imagem”, conta o professor.


A reportagem era sobre um curso de drag queen, e Ailton era um dos alunos. Ele andou de salto alto, dançou, cantou. Ele era professor de logística em uma escola, no centro de São Vicente, litoral de São Paulo. Ficou dois anos e meio no emprego. Na segunda-feira depois da reportagem, recebeu o aviso do chefe, antes mesmo de chegar ao trabalho. “Ele falou abertamente: ‘você está demitido’”, diz conta.

A carta de demissão diz que Ailton foi despedido "sem justa causa", mas ele acha que o motivo está claro. “Sofri um ato homofóbico”, desabafa.

Por isso, o professor registrou um boletim de ocorrência por "injúria". Contou à polícia que o patrão disse que ele era uma "mancha para sua empresa". Ailton ficou apenas com o segundo emprego, em uma entidade que oferece cursos profissionalizantes de graça.

O professor é homossexual assumido e alega que o agora ex-chefe sabia disso. “Eu não imaginava que fosse gerar essa polêmica toda”, se emociona Ailton.

Procuramos o dono da empresa. Ele conversou com nossa equipe, mas não quis gravar entrevista. Em uma nota, o advogado da escola contesta a versão de Ailton. Afirma que a empresa está “indignada com as inverdades mencionadas e que tomará medidas judiciais para proteger sua honra”.

O ex-patrão de Ailton negou qualquer tipo de preconceito, disse que já vinha pensando em demitir o ex-funcionário, porque o rendimento dele estava caindo e que Ailton também estava faltando. Ele achou melhor fazer o desligamento, depois que Ailton não apareceu na escola durante dois dias, porque estava participando do curso de drag queen.

(Veja vídeo)

Repórter: Você faltava?
Ailton: O único dia que eu faltei, foi exatamente no Sábado de Aleluia. Na quinta-feira, eu havia deixado uma atividade.

Para a presidente da Comissão Nacional de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil, demitir por causa de duas faltas é exagero.N

“Não houve nenhuma advertência e simplesmente a demissão? Dois dias de falta não ensejam a demissão desta forma como foi feito. Acho que isso fica evidenciado, que foi uma demissão causada por homofobia.”, afirma Maria Berenice Dias.

Chateados, os colegas do curso de drag queen mandaram recados para o ex-patrão de Ailton.

“Agora você deveria conversar com o Ailton e trazer ele de volta. Faz isso que eu to te pedindo. Chama ele de volta que eu acho que vai ser melhor pra todo mundo.”

“Eu aproveitaria o marketing que o Ailton teve, colocaria ele montado de drag na frente da loja. Eu garanto que ia ter muito mais público. Pensa nisso. Contrata ele agora como drag!”, sugere Zé Carlos Gomes, coordenador do curso .

Segundo a representante da OAB, Ailton pode pedir indenização por danos morais. Mas ele não se decidiu.

“Eu não sei te dizer até que ponto a indenização é interessante? Eu só sei de uma coisa: preconceito não pode existir.


Aluno do curso de drag queen mostrado pelo Fantástico é demitido