domingo, 3 de julho de 2011

Bíblia, quem a escreveu? Computador busca autores do livro sagrado

Buscando os autores da Bíblia
Estudiosos israelenses usam software para estudar os estilos variados dentro de textos sagrados


JERUSALÉM - Um programa de computador desenvolvido por uma equipe israelense está jogando uma nova luz sobre o que os especialistas acreditam ser os múltiplos autores da Bíblia. O software usa, pela primeira vez, elementos de inteligência artificial para analisar o estilo e a escolha de palavras de forma a determinar as partes do texto escritas por diferentes vozes narrativas. Embora tenha variadas aplicações potenciais, o Livro Sagrado acabou tornando-se um tentador caso de teste para os criadores do programa.

Para milhões de judeus e cristãos, a crença de que Deus é o autor dos textos no núcleo do Antigo Testamento - conhecidos como a Bíblia Judaica, Torá, Pentateuco ou os Cinco Livros de Moisés - está na base de sua fé. Mas desde o advento dos modernos estudos bíblicos, os acadêmicos acreditam que eles foram escritos por vários autores diferentes que podem ser distinguidos pelas suas inclinações ideológicas, estilos linguísticos e nomes que usam para se referirem a Deus.

Em poucos minutos, trabalho de séculos
Atualmente, os estudiosos dividem esses textos em duas vertentes principais. Uma parte teria sido escrita por um indivíduo ou grupo conhecido como autor "sacerdotal", por causa de sua aparente ligação com o Templo de Jerusalém. Já a outra é classificada simplesmente como "não-sacerdotal" e há décadas os acadêmicos buscam separar que partes pertencem a que vertente. Quando o programa de computador analisou o Pentateuco, ele encontrou a mesma separação, concordando com a divisão acadêmica tradicional em 90% dos casos, isto é, recriando em poucos minutos os trabalho de séculos de diversos estudiosos, afirma Moshe Koppel, professor de ciências da computação da Universidade de Bar Ilan que liderou o grupo de pesquisadores.

"Desde então, fomos capazes de recapitular vários séculos de um difícil trabalho manual com nosso método automático", informou a equipe em um artigo apresentado na semana passada durante a conferência anual da Associação de Linguística Computacional em Portland, nos EUA. As passagens em que o programa discorda da interpretação acadêmica tradicional podem indicar pistas interessantes para os estudiosos da Bíblia. O primeiro capítulo do livro Gênesis, por exemplo, é atribuído a um autor "sacerdotal", mas o software indicou que não. Da mesma forma, o livro de Isaías geralmente é visto como tendo sido escrito por dois autores distintos, com o segundo assumindo a partir do capítulo 39. O programa concordou que o texto pode ter dois autores, mas sugeriu que o segundo começou a trabalhar seis capítulos antes, no 33.

As diferenças "têm o potencial de gerar discussões frutíferas entre os estudiosos", reconheceu Michael Segal , do Departamento de Bíblia da Universidade Hebraica e que não está envolvido no projeto. Na última década, programas de computador têm sido usados pelos estudiosos da Bíblia na busca e comparação dos textos, mas o novo software parece ter a habilidade de pegar os critérios desenvolvidos por eles e aplicá-los por meio de uma ferramenta tecnológica mais poderosa que a mente humana, disse Segal.

Antes de aplicar o programa no Pentateuco e outros livros da Bíblia, os pesquisadores primeiro tiveram que montar um teste objetivo que demonstrasse que o algoritmo criado por eles poderia distinguir corretamente um autor de outro. Para isso, eles misturaram passagens dos livros de Ezequiel e Jeremias em um único texto. O software separou o texto embaralhado em suas partes componentes "quase perfeitamente", anunciou a equipe.
A travessia no Mar Vermelho é narrada no livro do Êxodo 12-15

O programa reconhece escolhas de palavras repetidas, como os usos dos equivalentes hebraicos de "se", "e" e "mas", e também percebe sinônimos. Em alguns trechos, por exemplo, a Bíblia usa a palavra "makel" para se referir a um cajado, enquanto em outros é usado o termo "mateh" para o mesmo objeto. O software então separa o texto em vertentes que acredita terem sido o trabalho de pessoas diferentes.

O que o algoritmo não poderá responder, no entanto, é se a Bíblia é humana ou divina, admitem os pesquisadores. Três dos quatro envolvidos no seu desenvolvimento, inclusive Koppel, são judeus devotos que de uma forma ou de outra creem que a Torá foi ditada a Moisés por um único autor: Deus. Já para os acadêmicos, a existência de diferentes estilos na Bíblia indicam uma autoria humana. Para a equipe de pesquisadores israelenses, seu artigo não aborda "como e porquê essas distinções existem".

"Para aqueles que é uma questão de fé que o Pentateuco não é uma composição de múltiplos escritores, a distinção investigada aqui pode ser vista como uma multiplicidade de estilos", escreveram. Em outras palavras, não há razão pela qual Deus não possa ter escrito o livro com vozes múltiplas.

- Nenhuma pesquisa será capaz de resolver essa questão - resumiu Koppel.


O Globo

Corpos sem cabeças. Cadáveres decapitados são lançados em jornais do México

Corpos decapitados são lançados em jornais do México

Os corpos de dois homens decapitados foram lançados nas sedes de dois jornais no oeste do México, hoje, afirmaram promotores. Um porta-voz da promotoria informou que, aparentemente, os dois casos ocorreram simultaneamente.

Os corpos foram jogados diante dos diários Noroeste e El Debate, ambos da cidade de Mazatlán. Junto com os corpos, havia mensagens ameaçando o governador do Estado de Sinaloa, Mario López Valdez, e o prefeito de Mazatlán, Alejandro Higuera. Autoridades disseram que as mensagens eram dos cartéis Los Zetas e dos irmãos Beltrán Leyva.

"Acreditamos que os dois casos ocorreram simultaneamente. No caso do ''Noroeste'', o cadáver foi largado por volta de 1h40 (4h40 no horário de Brasília). Trata-se de um segundo homem decapitado, além do que foi deixado em frente ao jornal ''El Debate'', también em Mazatlan", explicou uma fonte da procuradoria.

O México é o país mais perigoso para jornalistas, segundo as Nações Unidas. Na década passada, pelo menos 66 deles foram mortos e mais de 10 estão desaparecidos.

Já morreram 37 mil pessoas em meio à luta entre forças oficiais e narcotraficantes, desde que o presidente Felipe Calderón lançou uma ofensiva militar contra os criminosos há quatro anos. A iniciativa, envolvendo reforços policiais e 50 mil soldados, até agora não consegue interromper a onda de violência. As informações são da Dow Jones.


AGÊNCIA EFE

O drama mexicano na guerra contra as drogas


Cinco anos após o início do conflito com o narcotráfico no México, cartéis de drogas expandem suas ações para países da América Central
ROTINA 
Mexicano ao lado do corpo do irmão, assassinado na cidade de Morelia. A guerra se espalhou pelo país e chegou à América Central
Desde 2007 até agora hoje, mais de 40 mil mexicanos morreram vítimas da guerra que é travada rua a rua pelas organizações criminosas e o governo de Felipe Calderón. Dia após dia os jornais contam histórias enlouquecidas de chacinas, decapitações, policiais e políticos corrompidos pelo narcotráfico. A ritmo de metralhadora, as editoras publicam livros sobre os principais cartéis e até a revista "Forbes" continua mantendo em sua lista de multimilionários o mítico Chapo Guzmán, o líder fugitivo do cartel de Sinaloa.

tomas bravo
Forças armadas atuam na repressão, mas vêm perdendo a guerra


O mal, portanto, tem sua cota de glória na vida cotidiana do México. O resto da paisagem é formado por autoridades sem prestígio nem credibilidade e uma sociedade assustada e invertebrada, como que ausente, sem capacidade de levantar a voz acima do ruído constante das armas de alta potência. No entanto, de um tempo para cá vão aparecendo histórias de pessoas comuns que, longe de hesitar ou cruzar a fronteira para os EUA, decidiram antepor a dignidade ao medo e enfrentar o terror, muitas vezes com a única proteção de seu peito descoberto.

Um cirurgião de Ciudad Juárez que foi percebendo que os bandidos cuja vida tentava salvar cada vez se pareciam menos com ele - um homem de 40 anos - e mais com sua filha adolescente. Uma prefeita da terra quente de Michoacán, uma das zonas mais perigosas do México, que um dia - depois que criminosos mataram seu marido - levantou a blusa e mostrou seu corpo marcado por tiros e sua decisão de não vacilar. Um vereador de Nuevo León ao qual os criminosos emboscaram três vezes, matando vários de seus escoltas. Um poeta que perdeu seu filho e agora percorre o país tentando a duras penas ressuscitar a consciência cívica, o orgulho de ser mexicano. São os novos heróis. O México heróico que luta contra o México selvagem.

De pé junto à sala de cirurgia do Hospital Geral de Ciudad Juárez, o doutor Arturo Valenzuela, 45 anos e pai de uma adolescente, foi percebendo que há apenas três anos chegavam a sua sala dois feridos de bala por semana, às vezes três, sujeitos duros, herdeiros de uma estirpe acostumada a matar e a morrer segundo as regras da droga e da fronteira, mas que mês a mês a fisionomia dos feridos e dos mortos ia se suavizando até ter os traços de uma mulher jovem. Espantado, pensou em fugir.

"Para mim era fácil", reconhece. "Além da nacionalidade mexicana, tenho a canadense. Por isso pensei que estava na hora de experimentar outra vida, de tirar minha filha e meus pais daqui, de colocá-los a salvo cruzando a fronteira." A fronteira que separa Ciudad Juárez de El Paso. A cidade mais perigosa do mundo da cidade mais pacífica dos EUA.

Ao mesmo tempo que avaliava a possibilidade de ir embora, o doutor Valenzuela também constatava horrorizado que em Ciudad Juárez já haviam terminado os bandidos de 40 anos. Já não se tratava, portanto, de uma guerra tradicional entre cartéis. Tratava-se de uma guerra total. Empurrados pela pobreza, pela desigualdade, pela falta de afeto em uma cidade acostumada a tratar as mulheres como escravas - na linha de montagem ou na casa -, centenas de rapazes crescidos sob a intempérie de bairros sem asfalto nem escolas, sem energia elétrica nem água corrente, foram engrossando as fileiras do único exército que os aceitava. Em um ritmo endiabrado, sem capacidade de escolher, esses rapazes batizados à semelhança do último galã da última telenovela foram subindo rapidamente pela escada do crime. De falcão - o que alerta sobre a chegada da polícia - a camelo. De camelo a pistoleiro. De pistoleiro a morto.

O doutor Valenzuela pensou que a única maneira de tentar interromper esse último salto mortal passava por continuar ali. "Disse a mim mesmo que minha filha ou meus pais não eram os únicos que estavam passando mal. Que na biografia de minha consciência não poderia escrever com tinta indelével que quando minha cidade precisou de mim eu fui embora. Por isso me sentei com outros médicos para ver o que se poderia fazer..." Não é preciso escrever. O doutor Valenzuela decidiu ficar.

"A primeira marcha que organizamos foi em novembro de 2008. Cerca de 200 médicos, muitos com máscaras, por temor de represálias. Já haviam disparado os sequestros, as extorsões telefônicas e os homicídios com armas longas, embora não tantos como agora. Estavam começando a montar o Comitê Médico Cidadão e eu aderi. A primeira coisa que fizemos foi criar um site na Internet com informação prática para enfrentar os sequestros. Como pensa o sequestrador? Que vítima é mais vulnerável? Inclusive pusemos um botão de pânico para que as pessoas nos chamassem em caso de necessidade, porque já então ninguém confiava na polícia. É preciso levar em conta que no ano de 2007 em Ciudad Juárez foram denunciados sete sequestros. Em 2008 foram 28. No ano seguinte já havia mais de 200 denúncias...

As pessoas não sabiam o que fazer. Negociavam mal. Pagavam resgates espantosos. Cometiam erros que punham em perigo a vítima. E o pior de tudo: uma vez que pagavam, nunca mais os deixavam em paz, continuavam a extorqui-los. Muita gente começou a deixar a cidade."

O parágrafo anterior, sem interrupções, é a pura declaração do doutor Valenzuela. Nesse parágrafo, e nos que virão depois, está sintetizada a história do que aconteceu no México nos últimos cinco anos, a chave é apenas indicada na primeira frase da reportagem: os mexicanos não foram buscar a guerra, a guerra se plantou um dia na porta de suas casas. A verdadeira classe de tropa dessa guerra sem quartel - é bom não se equivocar - não é formada pelos milhares de militares tirados com urgência dos quartéis ou os milhares de policiais federais instruídos à pressa, conectados a uma detector de mentiras para certificar a pureza de suas intenções, armados até os dentes depois e finalmente postos a patrulhar as cidades que para muitos deles parecem hostis e distantes.

Os verdadeiros soldados à força desta guerra são os cidadãos. Os vereadores de pequenas cidades que, apesar da oferta de chumbo ou prata, decidem apertar os dentes e continuar servindo a suas comunidades. As professoras que, entre a aula de matemática e a de desenho, têm de encenar agora a de sobrevivência.

Em caso de tiroteio é preciso atirar-se ao chão, não levantar a cabeça, entoar o mais forte possível uma canção divertida. "Não acontece nada", dizia Martha Rivera Alanís a seus alunos de 6 anos enquanto lá fora repicavam as balas, "basta por seus rostinhos no chão. Vamos cantar forte uma canção: 'Se as gotas de chuva fossem chocolate!'" O vídeo que essa corajosa professora de Nuevo León gravou veio demonstrar até que ponto a violência já faz parte da vida cotidiana do México, mas também de que forma os mexicanos comuns a enfrentam de forma corajosa. "Tirando-lhe a vontade", para usar uma expressão local.

Jornalistas resistem

Como lhe tiram a vontade diariamente os jornalistas mexicanos do norte, até muito poucos anos atrás exerciam seu ofício decente e tranquilamente nos pequenos diários das cidades do norte, até que de um dia para o outro se transformaram em correspondentes de guerra. Só que eles não se vestem com coletes à prova de balas, não se gabam de ter estado em conflitos distantes nem dão conferências ao voltar.

Eles - os jornalistas de Chihuahua, de Tamaulipas, de Nuevo León - nem sequer têm de atravessar a rua para ir à guerra. Vão depois de deixar seus filhos no colégio, às vezes no mesmo colégio que os filhos dos criminosos, temendo cada dia que, depois de cobrir o último tiroteio no bairro mais violento da cidade, o telefone da redação toque e do outro lado uma voz muito convincente sugira que o reizinho local do cartel do Golfo ou dos Zetas não gostaria que esse ou aquele dado ocupasse a capa no dia seguinte. E apesar de tudo os jornalistas mexicanos continuam exercendo seu ofício.

A prova é que a ONU acaba de conceder ao México o duvidoso galardão de ter-se transformado no "país mais perigoso da América para exercer o jornalismo", um prêmio ao qual só se opta reunindo muitas coroas de flores.

CLÁUDIA DARÉ, DA CIDADE DO MÉXICO


Revista Época

Transgenitalização: Ele virou ela. E foi parar na penitenciária feminina


Ele virou ela. E foi parar na penitenciária feminina

Decisão foi tomada por juiz, porque detenta poderia "sofrer sérios abusos" em cadeia masculina


Olhos no futuro. Mesmo na prisão, 
Crislane  - nome que planeja adotar - não deixa
de lado a vaidade e sonha com a liberdade
De short e camiseta, ela entra na sala de maneira discreta. Esguia, exibe dentes brancos, lábios carnudos. Logo revela sua maior preocupação: os pelos visíveis em seu rosto. Em meio às 348 internas do Presídio Feminino de Tucum, em Cariacica, ela tem uma história incomum: sua identidade informa que é uma pessoa do sexo masculino, mas seu corpo, submetido a uma cirurgia de transgenitalização (substituição do pênis pela vagina), revela o contrário.

Crislane Santos, 34 - nome que planeja adotar, assim que obtiver autorização judicial -, não poderia estar presa entre homens porque poderia "sofrer sérios abusos físicos e sexuais por parte dos demais detentos", caso fosse para um presídio masculino.

É o que diz uma decisão do juiz Marcelo Menezes Loureiro, atendendo a argumentos do Grupo Especial de Trabalho em Execução Penal. Por isso a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) mandou Crislane para Tucum. Trata-se do primeiro caso desse tipo no sistema penal do Estado.

Presa com o companheiro sob acusação de tráfico de drogas - embora negue o crime, responsabilizando uma amiga que abrigou em sua casa pelo porte de 17 pedras de crack -, ela chegou a Tucum em março. Antes, teve que passar por outras unidades, onde diz ter se sentido humilhada e constrangida.

A primeira foi uma delegacia em Cariacica. "Estava de salto alto, bem-vestida, de cabelos tratados, mas o policial me fez tirar a roupa para a revista, porque minha identidade traz meu nome de nascimento", diz Crislane, que em seguida foi mandada para uma cela em companhia do companheiro - um rapaz de 22 anos - e outros nove homens.

Mas um policial mandou que a retirassem da cela, e Crislane foi, então, para o Centro de Detenção Provisória (CDP) masculino de Viana, onde, mais uma vez, foi minuciosamente avaliada . Nova revista, nua de novo, agora ela foi fotografada. "Chorei, humilhada. Onde vão exibir aquelas fotos?", preocupa-se.

Depois do CDP, foi levada para o Presídio de Segurança Média, onde ficou por cinco dias até chegar ao Presídio Feminino de Tucum e ser revistada novamente, desta vez por agentes do sexo feminino.

Crislane garante que nunca fora presa antes. "Da cadeia você pode sair uma pessoa ótima ou má. Isso aqui não é vida para ninguém. Não sou delinquente. Sou inocente", assegura ela.

Usuária de cocaína, ela conta que conheceu uma jovem que, ao vê-la desempregada, lhe sugeriu trabalhar como babá na casa de uma irmã.

"Sou cabeleireira, estava em situação difícil e aceitei o emprego", diz Crislane. Ela diz que, na madrugada em que foi presa, estava na casa da mãe com o parceiro - a quem chama de marido - e a amiga. "Quando a polícia disse que havia prendido um rapaz na rua e que ele denunciou que fazíamos tráfico na casa, neguei. Não sabia que minha amiga havia escondido pedras de crack e um revólver no quintal", explica ela.

Os maiores desejos de Crislane, agora, são a conquista de sua liberdade e a obtenção de uma nova identidade com seu nome feminino. Mas ela também quer garantia de acesso a hormônios que possam fazê-la "mais feminina".

"Lá fora já discriminam por sermos diferentes. Imagine o que vão dizer de uma transexual que saiu de um presídio..."
Crislane Santos


"Lei não trata sobre essa questão", diz secretário 
Para evitar que sejam abusados sexualmente, homossexuais com características muito femininas não submetidos à cirurgia de transgenitalização são encaminhados pela Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) para o Presídio de Segurança Média 1 (PSME 1), em Viana. Ali, ficam juntos de acusados de pistolagem.

O secretário estadual de Justiça, Ângelo Roncalli, diz que a lei não trata da questão. E explica que desconhece caso semelhante ao de Crislane Santos, que foi encaminhada a um presídio feminino graças a uma ordem da Justiça, por ser transexual.

"É uma questão de bom-senso, que há que se respeitar", diz o secretário. Na última sexta-feira, o PSME 1 mantinha oito homossexuais - quatro deles travestis.

Assim como presos e presas heterossexuais, os homossexuais têm direito a visita íntima desde que tenham parceiros fixos.

Roncalli admite que, no futuro, o Estado deverá dispor de uma unidade prisional exclusiva para homossexuais assim como já existe em São Paulo. E, em decorrência do envelhecimento da população, a segmentação não deve parar por aí. No Chile, por exemplo, já existe presídio para idosos.

"A opção sexual do encarcerado não pode lhe trazer prejuízo, ainda mais se, sob a custódia estatal, correr risco de sofrer abusos"
Marcelo Loureiro
juiz

Atrás das grades

348 internas
É o número de mulheres que permanecem presas no Presídio Feminino de Tucum, em Cariacica.

Cláudia Feliz 
A Gazeta

sábado, 2 de julho de 2011

Cinco caminhos para o bem-estar

É consenso entre os pesquisadores que grande parte da felicidade, assim como a personalidade, é determinada já no nascimento. “A genética explica quase metade da variação da felicidade”, diz Ragnhild Bang Nes, do Instituto de Saúde Pública da Noruega. Mas, se a felicidade já está inscrita nos genes, não podemos alterá-la? Segundo Martin Seligman, é possível aumentar a duração e a intensidade das emoções positivas, mas a melhoria esbarra num teto: a personalidade de cada um. O conformismo, então, é o que nos resta? Não, responde Seligman. Para ele, a principal vantagem da teoria do bem-estar é permitir a qualquer um, independentemente de sua personalidade ou condição de vida, avançar para uma situação melhor. Como viver bem dependeria não só das emoções positivas, mas também de outros quatro fatores, cada um pode encontrar seu próprio caminho. “Minha razão para negar um lugar privilegiado para a emoção positiva é a libertação”, afirma o psicólogo em seu livro. “A visão de que a felicidade está ligada ao humor condena 50% da população do mundo, que é introvertida, ao inferno da infelicidade.” Na teoria do bem-estar, ou do florescimento, quem não é “para cima” pode compensar adicionando propósito e engajamento à própria vida. Por esse raciocínio, nem todo mundo conseguiria ser exatamente feliz, mas todos podem viver bem.

Cinco caminhos para o bem-estar
Ser feliz é a meta de todo ser humano, de um jeito ou de outro nós sempre buscamos fazer coisas que nos proporcionem prazer. Assim como queremos nos livrar daquilo que nos causa dor ou sofrimento. Mas muitas vezes a busca pela felicidade resulta em frustração, devido as expectativas além das reais possibilidades. O segredo para o bem-estar pode estar nas pequenas coisas, em simples gestos e atitudes que nos provocam sensações satisfatórias.

Abaixo postamos algumas dicas da New Economics Foundation para conquistar uma vida melhor

Conecte-se: Estabeleça relações com as pessoas à sua volta. Os relacionamentos são a base da vida diária e investir tempo neles enriquecerá seu dia e garantirá apoio quando precisar. As pesquisas mostram que quem tem menos de três pessoas em sua rede de contatos próxima – entre família e amigos – tem mais chance de desenvolver uma doença mental ou depressão.

Seja ativo: Caminhe ou corra, ande de bicicleta, pratique um esporte, dance. Os exercícios fazem as pessoas se sentir bem – o importante é cada pessoa achar a atividade que lhe dá prazer e que é adequada a seus limites. Estudos de longo prazo sugerem que a prática de uma atividade física previne o declínio das capacidades mentais e protege contra a ansiedade e a depressão.

Preste atenção: Seja curioso, saboreie os momentos da vida e tome consciência de como se sente. Refletir sobre suas experiências ajuda a descobrir o que realmente importa e garantir que você viva o presente. Uma pesquisa mostrou que pessoas treinadas a prestar atenção em seus sentimentos durante oito a 12 semanas apresentam melhora no bem-estar por anos.

Continue aprendendo: Tente algo novo, matricule-se em um curso, faça uma nova tarefa no trabalho. Tente consertar algo em casa. Aprenda a tocas um instrumento ou a cozinhar. Escolha um desafio que você vai gostar de perseguir. Os estudos sugerem que o bem-estar está ligado a ter metas _ desde que elas sejam estabelecidas pelos próprios indivíduos e tenham a ver com seus valores pessoais.

Doe-se: Agradeça a alguém, ajude um amigo ou um estranho. Sorria, faça trabalho voluntário, junte-se à associação do bairro. Olhe para fora, além de olhar para dentro de si. Fazer parte de uma comunidade traz benefícios – entre eles relações sociais mais significativas. As pesquisas mostram que as pessoas que têm um interesse maior pelo outro tendem a se considerar mais felizes.


O que importa para viver bem

O psicólogo Martin Seligman afirma que a felicidade é só um dos elementos responsáveis por nosso bem-estar. Conheça os outros





Fonte : Revista Época, Ed Globo

sexta-feira, 1 de julho de 2011

"Malhação" perde 40% de seu público em sete anos

"Malhação" não está acompanhando o recente crescimento de audiência da dramaturgia da Globo. A novela perdeu 40% de seu público nos últimos sete anos.

A temporada deste ano, que acabará em breve, segue em ritmo de queda. Em 2010, a trama teve média de 18,9 pontos. Já este ano, até a última quarta-feira, a média foi de 18,7. Cada ponto equivale a 58 mil residências na Grande São Paulo.

A informação é da coluna Outro Canal, assinada por Keila Jimenez e publicada na Folha desta sexta-feira (01). A íntegra da coluna está disponível para assinantes do jornal e do UOL.

Blenda Gomes/TV Globo
Elenco em cena de "Malhação", novela adolescente que perdeu 40% do seu público nos últimos anos

ERIC
Eric, interpretado por DUAM SOCCI é o grande galã do colégio, o mais esperado em todas as festas. A chegada de Pedro (Bruno Gissoni), com quem passa a ter que dividir as atenções, não o agrada nem um pouco. É convencido, rico e esperto o suficiente para saber se impor. Eric é do tipo que faz besteiras e depois se arrepende, mas não sabe como voltar atrás. Começa a temporada como namorado de Catarina.
Duam Socci e Bernardo Mesquita

Ator de 'Malhação' encalha em site de compras coletivas

Anúncio de jantar com o ator Duam Socci, de 'Malhação', da Globo (Reprodução)

Duam Socci, o Eric de Malhação, está encalhado em um site de compras coletivas. No ar pelo menos desde sexta-feira, o anúncio de um jantar com o ator no Dia dos Namorados não tinha nenhum interessado às 20h desta segunda-feira. E a oferta é vasta. Por 149,80 reais, valor que implica desconto de 50%, quem adquirir o convite tem direito à refeição no restaurante Alecrim, zona oeste do Rio, e a um pocket show de Duam, que também é músico e está solteiro, segundo o texto do site.

"Farei um pocket show num estilo entre a MPB e o rock. Eu estou num momento muito espiritualizado e as músicas escolhidas para esse showzinho refletem isso", conta Duam. "Eu não quero ser reconhecido apenas como mais um rostinho bonito ou como alguém que não tem talento, apenas beleza exterior", complementa o ator, que diz ter como objetivo fazer do evento um meio de "democratização" da sua arte.

Segundo Alvaro Socci, que é pai de Duam e o idealizador do jantar, o filho faz "música jovem com conteúdo". "É o que eu chamaria de música de fogueira, para cantar em lual", diz o produtor musical, que é também empresário do ator. Alvaro diz que não se sente frustrado com a aparente falta de interesse de internautas em Duam até o momento. Para ele, o placar do site - que fala em procura zero - pode ser uma estratégia de divulgação. "A gente não sabe se os números dali são verdadeiros, a gente não sabe a estratégia do site."

Alvaro disse que o fato de o jantar cair no Dia dos Namorados foi quase por acaso. "Duam grava de segunda a sábado e só tem o domingo livre. Calhou de um dos domingos seguintes à ideia ser Dia dos Namorados", diz. "Mas o evento não é fechado para meninas que queiram passar algumas horas com Duam. Meninos, mães, pais e avós são bem vindos", completa, convocando compradores.

*Atualização: após a notícia de que estava encalhado, o ator Duam Socci conseguiu enfim vender os ingressos para o seu jantar romântico com pocket show.

Beijo entre homens é vetado em novela do SBT

De novo, não foi desta vez que foi ao ar um beijo entre dois homens na TV. Marcado para ser exibido no dia 7 de julho, o segundo beijo gay de "Amor e Revolução" foi vetado pela direção do SBT.

Segundo o autor Tiago Santiago, a cena já estava gravada desde a semana passada. "Foi um decisão soberana da direção e acatei. Resta esperar fazer alguma novela que eu tenha mais oportunidade", lamentou o autor.

A cena do beijo foi gravada por Jeová (Lui Mendes) e Chico (Carlos Artur Thiré).

Lourival Ribeiro/Divulgação/SBT
Chico (Carlos Artur Thiré, esq.) e Jeová (Lui Mendes) em cena da novela "Amor e Revolução"

Esta é, inclusive, a segunda vez que Lui perde a chance de interpretar um beijo gay na TV. Na novela "A Próxima Vítima" (Globo), em 1995, ele era Jefferson.

Na época, a relação do personagem com Sandro (André Gonçalves) causou polêmica, e o beijo entre o casal também foi vetado.

Em maio, após anunciar com alarde, o SBT exibiu o primeiro beijo gay da TV entre Marcela (Luciana Vendramini) e Marina (Gisele Tigre), em "Amor e Revolução". A audiência, no entanto, permaneceu nos cinco pontos. Cada ponto equivale a 58 mil domicílios na Grande SP.

O SBT, via assessoria, disse que a decisão de cortar a cena de um novo beijo foi baseada em uma pesquisa.

Segundo o canal, os dados apontaram "insatisfação do público, em geral, em relação às cenas de violência demasiada e beijo gay explícito, que incomodaram a maioria das famílias brasileiras".

Para Leandro Rodrigues, membro da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, o veto é um retrocesso. "Mais que um beijo gay seria um beijo entre um branco e um negro, uma dupla forma de questionar o preconceito", diz.


SAMIA MAZZUCCO
FOLHA