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sábado, 10 de dezembro de 2011

Tony Ramos se emociona ao relembrar cena que encantou o Brasil


Tony Ramos se emociona ao relembrar cena que encantou o Brasil
Ator tenta segurar as lágrimas ao descrever cena de 'Caminho das Índias'. Conheça ainda as censuras impostas às novelas durante a ditadura militar.



“Aquele beijo” está no ar. Mesmo com um ritmo puxado de gravações, Marília Pêra nos recebeu em casa com muitas histórias para contar. Ela mostra um álbum de fotografias. “A primeira novelinha que eu fiz foi na Rede Globo de televisão, foi “Rosinha do sobrado”. Em seguida, “A moreninha”, que gravamos em Paquetá. Era lindo, era tão bonito”, lembra a atriz.

“Houve um momento lá pelos anos 60 em que pensava-se que não seria bom fazer telenovela, porque o teatro é que seria nobre e não a telenovela. Eu nunca tive esse problema”, diz.

Glória Maria pergunta se ela sente saudade de algum personagem. “Adorei fazer ‘Brega & Chique’. A Milu, de ‘Cobras e lagartos’, do João Emanuel. Ela escrevia cenas para mim e eu não acreditava. Que bom que ele me deu essas joias para eu defender.”

Hoje, Marília Pêra é Maruska, a loura má de Miguel Falabella. “Fui correndo ao cabeleireiro e fiquei loura. Porque é o autor que manda no ator, no personagem. Mas ele nunca disse má. Ela é desequilibrada, bipolar, instável, mas não má.”

Susana Vieira era má em “Por amor”?

Romances proibidos, luta de classes, casamentos arranjados, inveja, traições. Os contrastes e os costumes do povo indiano e do povo brasileiro estavam em “Caminho das Índias”. Tony Ramos era Opash, e lembra com emoção de uma cena com Lima Duarte e Laura Cardoso.

“Levanto o chicote e ela fala: ‘Não bata no seu pai!’. Esse tempo, edição é fundamental. Porque houve esse tempo no estúdio, houve esse tempo entre os atores. Ele se ajoelha, faz a reverência ao pai. Reverência na Índia é fundamental para os mais velhos”, afirma o ator. Foi um momento perfeito que só foi ensaiado uma vez. “Não vou chorar, é que emociona. Se chorasse era até bom”, diz, emocionado. “Mas a profissão é que me toca mesmo. A profissão é isso.”

“Caminho das Índias” conquistou o prêmio Emmy Internacional na categoria Novela.

Em 1978, estava no ar a novela “Dancin' days”, uma daquelas histórias de Gilberto Braga de deixar todo mundo colado na tela da TV. Eram tempos de discoteca e o que aparecia nas pistas virava moda imediatamente.

“Isso foi uma inspiração divina, porque eu vi em uma capa de LP e botei na Sônia. Não fui para casa e bolei uma meia de lurex”, avisa a figurinista Marília Carneiro.


E quem não se lembra do guarda-roupa da Bebel, de “Paraíso tropical”?

“Aquelas saias curtas, aqueles saltos daquele tamanho que não é muito meu costume. Isso tudo ajuda a ancorar, a criar uma figura, uma pessoa”, opina Camila Pitanga.
“A química com Wagner Moura tem a ver com afinidade, com o desejo de trocar, de jogar”, analisa.
Nem sempre autores e diretores tiveram liberdade integral para criar. Houve um longo tempo de censura durante a ditadura militar.

“A censura era feita no texto, depois era feita na imagem, depois de aprovada recebia-se um certificado de aprovação. Aí que podia ir para o ar”, lembra Tony Ramos.

Em “Escalada”, a censura proibiu a menção ao nome do presidente Juscelino Kubitschek. O homem nu da abertura da novela “Brega & chique” foi liberado depois de muita negociação. O caso mais conhecido ocorreu em 1975. A primeira versão de “Roque santeiro”, de Dias Gomes, foi integralmente vetada.

“Nós fizemos 20 capítulos. E ia para o ar depois do Jornal Nacional. No jornal, o ministro da Justiça proibiu a novela. Aí nós ficamos perdidos”, conta Lima Duarte.

“Roque santeiro” só seria refeita dez anos depois. “Mudaram todo o elenco e só eu fiquei de sinhozinho Malta lá perguntando: estou certo ou estou errado?”, acrescenta o ator. “O Boni conta no novo livro dele que o doutor Roberto Marinho fez questão de assistir com ele o primeiro capitulo liberado. E o doutor Roberto Marinho, o Tycoon, o grande homem das comunicações, chorou. Isso foi lindo. Essas lágrimas candentes caíram sobre a liberdade.”

sábado, 29 de janeiro de 2011

O beijo proibido. Apesar do número recorde de gays nas tramas, TV está longe de exibir carícias

Leonardo Miggiorin, de 'Insensato Coração', 
interpreta um gay afetado
Os gays estão dominando a TV brasileira. A afirmação pode ser comprovada com a participação de uma transexual, duas bissexuais e dois homossexuais no "Big Brother Brasil 11". Nas telenovelas, a situação não é diferente. Seis personagens gays vão povoar o quiosque LGBT de Sueli (Louise Cardoso), em "Insensato Coração", de Gilberto Braga. Em "Ti-Ti-Ti", o surfista Thales (Armando Babaioff) trocará a mulher (Cláudia Raia) pela atenção de Julinho (André Arteche).

Com tantos atores dando vida a homossexuais, o mais óbvio seria pensar que a aceitação ao público gay é maior também nas ruas e que a TV brasileira estaria prestes a exibir o primeiro beijo entre um casal do mesmo sexo. Parece óbvio, mas não é verdade.

Entrevistado pelo Caderno 2, o autor Gilberto Braga afirma que, no caso de "Insensato Coração", ainda não vai ser desta vez. "Ainda estamos avaliando se haverá um caso de amor homossexual. Pessoalmente, acho que o espectador não está preparado para a cena", acredita.

A polêmica em torno de um possível beijo gay na TV chegou até mesmo ao jornal inglês "The Guardian". Em matéria especial publicada neste mês, o periódico revela a explosão colorida na telinha nacional e afirma que, num país marcado pela homofobia e, por outro lado, por uma forte militância LGBT, a audiência de mais de 50 milhões de pessoas ainda espera a primeira troca de afeto em um folhetim.
Apesar do número recorde de gays nas tramas, TV
 está longe de exibir carícias

Jornalista e mestre em estudos voltados para o homossexualismo na TV, Eduardo Peret acredita que o preconceito é grande, mas que, uma hora, o beijo homossexual terá que acontecer. "Acredito que a própria sociedade vai cobrar uma postura das emissoras, em especial da Globo."

Em 2007, o progarma "Beija Sapo", da MTV, mostrou o primeiro beijo homossexual da TV brasileira. A atração comandada por Daniela Cicarelli foi um contraponto à polêmica de dois anos antes, quando Glória Perez escreveu uma cena de beijo entre Junior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Eron Cordeiro), em "América" (2005), mas viu a passagem não ir ao ar, por uma decisão da Rede Globo. No ano passado, a emissora também vetou um beijo entre os personagens de Hugo Leão e Fábio Henriquez, na minissérie "Clandestinos".

"Há uma forte cobrança comercial por parte de emissoras como a Globo. As novelas, por exemplo, são tratadas de duas formas. Quando o assunto é violência familiar, o uso de drogas e a crise econômica, o folhetim vira objeto de denúncia social. No caso da sexualidade, não. Há a possiblidade de mostrar a dignidade do afeto, como visto nos personagens de Rodrigo (Carlos Casagrande) e Tiago (Sérgio Abreu), em ?Paraíso Tropical? (2007). Mais do que isso seria chocar o público padrão", acredita Eduardo Peret.

O mesmo pensa Gilberto Braga. Para ele, a homossexualidade ainda precisa ser apresentada de forma branda. "É preciso mostrar que o homossexual pode viver uma relação social estável, quebrando vários estereótipos. Por isso, aptamos em não criar abertamente um núcleo gay na novela. Teremos personagens que circularão pela trama, cada um com sua própria história, sem levantar bandeira", complementa.

"O beijo lésbico, creio eu, será mais aceito, visto que faz parte da fantasia dos homens, o pilar da sociedade machista."Patric Barbosa, Psicólogo, 32 anos

"O beijo gay vai chocar sempre, pois não faz parte do comportamento padrão vendido pela sociedade."

Denise Correa, 45, Funcionária pública


Casos polêmicos

foto: Divulgação

Silvia Pfeifer e Christiane Torloni em Torre de Babel 

Pioneirismo
Primeiro casal gay a ganhar repercussão na TV brasileira, Sandrinho e Jéfferson (André Gonçalves e Lui Mendes) foram o centro das atenções em "A Próximo Vítima" (1995), de Silvio de Abreu. Por conta do personagem, André Gonçalves foi espancado nas ruas do Rio de Janeiro.

Intolerância

O público não aceitou o relacionamento lésbico de Rafaela e Leila (Christiane Torloni e Sílvia Pfeiffer, foto abaixo) em "Torre de Babel" (1998). Por um pedido da direção, o autor Sílvio de Abreu foi obrigado a matá-las na trama em um incêndio.

Delicadeza
A relação entre Clara e Rafaela (Aline Moraes e Paula Picareli) comoveu o público em "Mulheres Apaixonadas" (2003), de Manoel Carlos. O beijo se resumiu a um selinho.

Caricato

O caso entre Ubiraci (Luiz Henrique Nogueira) e Turcão (Marco Vilela), em "Senhora do Destino" (2004) rendeu boas gargalhadas. Por uma opção do autor Aguinaldo Silva, não existia nenhum contato físico.

Polêmica

A discussão em torno do primeiro beijo gay das telenovelas marcou a trajetória de Junior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Eron Cordeiro), em "América" (2005, foto abaixo). Glória Perez chegou a gravar a cena, que não foi exibida.

Início 
O primeiro gay a ser retratado na teledramaturgia brasileira foi o ricasso Conrad (Ziembinski), em "O Rebu" (1974), de Bráulio Pedroso, um gay caricato e vilão.

Selinho 

O primeiro selinho foi em "Um Sonho a Mais" (1985). Ney Latorraca era um travesti, a secretária Anabela Freire, que se casava com Pedro Ernesto (Carlos Kroeber).

Perseguido

Cecil Thiré ficou estereotipado após viver o vilão Mário Liberato, de "Roda de Fogo" (1986). O ator precisou revelar publicamente que não era homossexual.


foto: Divulgação

Bruno Gagliasso em cena da novela América 
Los Hermanos
Na Argentina, um beijo gay foi exibido recentemente no horário nobre da emissora Telefé, em "Botineras", entre os atores Christian Sancho e Ezequiel Castaño, que vivem dois jogadores de futebol na história.

Teen

Fenômeno entre os adolescentes, "Glee" teve seu primeiro beijo gay exibido no final de 2010, com grande sucesso de audiência.

Made in USA. 

Nos EUA, o primeiro programa a exibir um beijo gay no horário nobre foi "Will & Grace", na 2ª temporada. Entre 2004 e 2008, a TV americana produziu uma série lésbica, "The L Word"


A Gazeta - Gustavo Cheluje