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sábado, 30 de abril de 2011

Malhação forte e rápida. É difícil, cansa, mas emagrece

Por que a malhação forte e rápida queima mais gordura do que exercícios amenos e demorados, embora gaste a mesma quantidade de energia


FRANCINE LIMA

Enquanto as academias de ginástica prometem resultados de capa de revista e as estatísticas de obesidade no planeta só crescem, a ciência tenta entender por que tanta gente malha, malha e não emagrece. Uma hipótese que tem recebido atenção dos especialistas é que talvez essas pessoas façam exercícios fáceis demais. Diversos estudos nos últimos anos sugerem que economizar na duração do exercício e apostar na intensidade pode ser mais eficiente do que o “devagar e sempre” recomendado pelos órgãos de saúde.

Entre as atividades físicas mais indicadas pelos médicos estão a caminhada, a corrida, a natação e a pedalada, classificadas como aeróbicas, por aumentar o uso de oxigênio na produção de energia. O que normalmente se diz é que, para emagrecer, é preciso fazer esses exercícios por mais de meia hora, pois só depois de uns 20 minutos o corpo passaria a usar a gordura como principal combustível. Mas essa convenção vem sendo contestada. O pesquisador Luiz Carlos Carnevali Jr., que acaba de lançar o livro Exercício, emagrecimento e intensidade do treinamento, diz que essa é uma meia verdade. “Para usar mais gordura durante o exercício, é preciso um esforço prolongado”, diz ele. “Mas, se o esforço for suficientemente intenso, a gordura será usada do mesmo jeito, depois do exercício.” Carnevali sustenta que a prática frequente de esforço físico intenso produz alterações metabólicas que explicam essa transformação.


SEM PARAR
Terezinha de Oliveira mostra, numa academia de São Paulo, os exercícios que a fizeram perder 13 quilos em dez semanas. Durante 30 minutos, ela intercalava exercícios aeróbicos, como a pedalada, com musculação e ginástica sem intervalos. "Era bem intenso", diz


Mesmo sem se debruçar sobre as explicações moleculares, um estudo publicado em 2008 na revista do Colégio Americano de Medicina do Esporte conseguiu demonstrar que a intensidade do exercício pode superar a duração em matéria de queima de gordura. Divididas aleatoriamente em três grupos, mulheres com obesidade abdominal (circunferência acima de 80 centímetros) fizeram caminhada ou corrida ao longo de 16 semanas. O primeiro grupo se exercitou cinco vezes por semana, com intensidade moderada, em sessões de aproximadamente uma hora. O segundo grupo se exercitou intensamente três vezes por semana, em sessões mais curtas, mas alcançando o mesmo gasto calórico do primeiro grupo (400 calorias) durante as sessões. O terceiro grupo não fez nada. No final, as mulheres que fizeram exercícios intensos tinham perdido muito mais gordura abdominal do que as que fizeram exercícios moderados pelo dobro do tempo (leia o quadro abaixo). A classificação de intenso ou moderado foi dada pela percepção de esforço das participantes no estudo. As mulheres do exercício moderado afirmavam estar ligeiramente cansadas no final da sessão, enquanto as do grupo da corrida puxada diziam estar cansadas ou muito cansadas. Se estivessem usando medidores de frequência cardíaca, o primeiro grupo estaria com batimentos entre 65% e 75% da capacidade máxima e o segundo mostraria batimentos acima de 85% da capacidade máxima.

Quando a intensidade é maior, a duração é inevitavelmente menor, pois os recursos orgânicos disponíveis para manter o esforço simplesmente se esgotam. E essa parece ser a vantagem de trocar a duração pela intensidade. Para o pesquisador Arthur Weltman, da Universidade de Virgínia, um dos responsáveis pelo estudo, a explicação para o efeito emagrecedor do exercício curto e intenso está no período de recuperação. “Não devemos levar em conta apenas as calorias efetivamente gastas durante o exercício”, diz Weltman. “Quando o exercício é intenso, o corpo precisa de muitas calorias para se recuperar. É nesse momento de recuperação que ele queima mais gordura.” Um dos responsáveis por isso parece ser o hormônio de crescimento, que estimula a queima de gordura e cuja produção é aumentada pelo esforço físico. Quanto mais intenso o exercício, mais hormônio do crescimento é liberado. Quando o exercício é moderado, quando não “perturba” o organismo, explica o pesquisador, a recuperação não requer tanta energia.

Foi preciso que Terezinha de Jesus de Oliveira perturbasse muito seu sistema energético para perder 13 quilos em dez semanas. Até então, ela fazia ginástica leve, sem resultados. “Eu fazia as aulas sem suar muito. Se ficasse um pouco cansada, já estava bom”, diz. O quadro mudou quando um professor a convenceu a participar de um programa especial de emagrecimento. Ela teve de suar para valer em circuitos de 30 minutos (metade do que duravam as aulas que costumava frequentar) que intercalavam ciclos de 3 minutos de exercícios aeróbicos com musculação e ginástica. O revezamento mantinha a frequência cardíaca sempre alta. “Era corrido, rápido e intenso”, diz Terezinha. “Eu saía de lá achando que não voltaria, mas acabei gostando por causa dos resultados. Saí da zona de conforto.”

Alguns treinadores apostam no desconforto como parâmetro para suas aulas. Segundo o personal trainer José Alexandre s Filho, seus alunos frequentemente são levados a sentir “o coração batendo na traqueia”. “É assim que a gente prepara para uma oxigenação melhor”, diz José Alexandre. Para Julio Cezar Papeschi, dono de uma academia na Zona Norte de São Paulo, as pessoas às vezes vomitam de exaustão e, claro, nem todos se adaptam. Mas a ideia de perder o dobro do peso na metade do tempo tem apelo numa cidade onde sobram tentações calóricas e faltam horas nos dias de todo mundo. “Intensidade é a palavra do momento”, diz o empresário e professor de educação física. “Os alunos chegam aqui com uma cultura de pouco esforço, mas muitos mudam.”

Antes de se aventurar no mundo dos elevados batimentos cardíacos é necessário consultar um médico e avaliar, por meio de exames, o que sua saúde é capaz de suportar. O indicado é começar devagar e intensificar o treino algumas semanas depois, quando o corpo estiver condicionado. Carlos Eduardo Negrão, médico do Instituto do Coração da Universidade de São Paulo e especialista em fisiologia do exercício, duvida que pacientes obesos aceitem exercícios mais difíceis. “Já é difícil fazê-los aderir ao exercício moderado”, diz ele. Até que novos estudos confirmem a eficácia do exercício intenso, ele prefere continuar usando os de longa duração com seus pacientes. Para Claudia Forjaz, professora da Escola de Educação Física da USP e responsável pela área de atividade física da Sociedade Brasileira de Hipertensão, é provável que o treino intenso funcione para as pessoas saudáveis, mas é preciso cautela com quem sofre de pressão alta ou insuficiência cardíaca. “Ainda não sabemos o que acontece no longo prazo”, diz ela. “A ciência não estudou todos os riscos.”

REVISTA ÉPOCA

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Jack3d: Força extra na academia pode custar caro à saúde

Novo produto tem substâncias que podem causar arritmias e várias doenças

foto: Divulgação

O que o rótulo não diz
Efeitos.
 As sensações relatadas pelos adeptos do Jack3d são muito parecidas. Eles costumam sentir formigamentos pelo corpo, batimentos cardíacos acelerados, tontura e uma disposição fora de série para se exercitar

Substâncias. O Jack3d tem substâncias como creatina e teofilina, que na verdade é um broncodilatador, uma droga usada no tratamento de doenças respiratórias como asma. Essa substância já foi muito usada na década de 70 por nadadores. Em doses altas pode causar arritmia. A creatina ajuda no ganho de massa muscular, mas pode sobrecarregar os rins

Doenças.
 A médio e a longo prazo, quem tem tendência a hipertensão, diabetes e problemas cardíacos e de tireoide podem desencadear essas doenças

Lesões. Existe a propensão a lesões, já que a pessoa consegue levantar muito peso sem estar fisicamente preparada para o treino mais puxado

Um suplemento para tomar antes do exercício físico virou febre nas academias de ginástica. Com o nome de Jack3d, o produto promete dar energia, mais disposição e força na malhação e, como resultado final, aumentar a massa muscular. Mas surgem controvérsias sobre o estimulante, que não tem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Nos sabores lima limão, uva, frutas tropicais e framboesa, o suplemento, em pó, é vendido no "mercado negro" das academias e na internet por valores entre R$ 140 e R$ 200. No boca a boca, a recomendação é ingerir diariamente, até 40 minutos antes da musculação.

"A orientação é tomar de uma a duas doses (o escopo de medida vem dentro da embalagem) misturadas com água. Pela quantidade grande de creatina, tem gente que está tomando a cada dois dias porque é muito potente", conta um aluno de uma academia de Vila Velha.

No rótulo, os ingredientes descritos incluem proteínas e aminoácidos como methylhexaneamine, dibenzo, beta-alanina, teofilina, creatina e arginina. A cardiologista Isa Bragança, especialista em Medicina do Esporte e diretora da Clínica Médica Desportiva na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, alerta para o fato de que as pessoas estão tomando por conta própria um produto que nem se tem certeza do que é. "Esse estimulante também está sendo usado no Rio. As substâncias afetam o sistema nervoso simpático, aumentando a frequência cardíaca. A médio e longo prazo, quem tem tendência a hipertensão, diabetes e problemas cardíacos e de tireoide podem desencadear essas doenças", explica a médica.

O cardiologista e especialista em Medicina do Esporte Tiago de Melo Jacques alerta para duas substâncias que estão no Jack3d: creatina e teofilina. "A creatina pode sobrecarregar os rins e as doses altas de teofilina, apesar de facilitarem a entrada de aminoácidos na musculatura, causam tremor nas mãos e pode induzir a uma arritmia cardíaca", diz o médico.

Já tem gente tomando Jack3d até para aguentar testes físicos em concursos, como se fosse uma bebida energética, afirma o personal trainer Diego Zanon. O profissional diz que também há risco de lesões e dores após os treinos, já que as pessoas acabam exagerando nos exercícios.

O Jack3d na internet
"Desde o segundo dia que sinto os formigamentos antes do treino, e os pesos já estão aumentando consideravelmente"
"Hoje tomei 3 scoops de jack3d. Já tô fervendo de calor"

"Senti formigações pelo corpo (mãos, pernas, cabeça) e a vontade de ir para academia treinar tão gigante que eu até saí de casa correndo"

"Tive um efeito colateral que foi uma taquicardiazinha. Então, quem tem problemas cardíacos pode ir tirando da cabeça esse produto"

"Hoje é meu segundo dia. Ingeri aproximadamente 7,5 g antes do treino. Treinei costas e bíceps hoje, sendo que logo no primeiro exercício fique TONTINHO da silva!

"Tive uma pequena tremedeira logo após tomar o produto; e após o treino tive um mal- estar absurdo, pensei que iria vomitar e desmaiar"

Componentes não são autorizados 


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclarece que o Jack3d é um produto comercializado nos Estados Unidos como suplemento dietético e que não está autorizado para comércio no Brasil como alimento devido à sua composição e finalidade de uso. O órgão também alerta que alguns dos compostos do produto não estão autorizados para uso em suplementos no Brasil (arginina, alfacetoglutarato, beta alanina e 1,3 dimetilamilamina) e não possuem segurança de uso demonstrada. Outros estão autorizados como alimentos para atletas, mas de forma isolada, e desde que atendam aos requisitos específicos de composição e rotulagem (creatina e cafeína). Além disso, o rótulo precisaria ser em português. Alguns ingredientes também não são aprovados pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão do governo americano que faz o controle de alimentos, medicamentos, suplementos e cosméticos no país.

Fonte: A Gazeta

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Academia dos despidos na Espanha: malhando como vieram ao mundo

Uma academia na Espanha apostou numa estratégia inusitada para escapar da crise econômica: começou a oferecer musculação para nudistas. A Easy Gym, em Arrigorriaga, é a primeira do tipo na Espanha.

"Com a crise, notamos que havia menos pessoas usando a academia", disse à BBC Merche Laseca, dona da academia. "Não sou um nudista, embora não tenha problemas com isso. Mas essa iniciativa tem a ver com dinheiro."

Laseca pesquisou antes de optar por enfocar o público nudista. Ela descobriu duas piscinas locais que já ofereciam sessões mensais para pessoas sem qualquer roupa.

Todos os anos, na cidade próxima de Sopelana, há uma corrida de pessoas despidas na areia. Há ao menos 12 praias naturistas na região basca da Espanha, onde Arrigorriaga se encontra, e muitas outras no resto da costa espanhola.

Jordi Alemany i Santanach
A dona da academia se decepcionou pela pequena procura na sessão inaugural: só quatro naturistas apareceram

NUDEZ NATURAL

"Sempre estamos interessados em novas atividades", explica Maite Vicuna, presidente da Associação Naturista Basca, que correu nu na academia na última semana.

"Fazer esporte sem roupas é natural - e muito mais confortável", diz.

Mas há quem ache que correr sem roupa pode não ser tão agradável assim. Os trajes esportivos, dizem eles, foram inventados por uma razão.

Mas o dono da academia nega que sua proposta seja impraticável.

"Ser um naturista não significa ser burro. Se uma mulher precisar, ela pode vestir um top", diz Merche Laseca. "Mas há ciclismo, levantamento de peso e aparelhos: há muita coisa que pode ser feita nu".

A Easy Gym diz prover toalhas para o conforto e prevenir escorregões no equipamento.

Mas alguns clientes de academias não se convenceram pelo conceito.

"Cada um, cada um", diz à BBC um dono de outra academia em Bilbao. "Mas acho que essa é a coisa mais anti-higiênica do mundo."

"São suas roupas que absorvem o suor quando você malha", diz Idoya Echevarria. "Então para onde vai todo o suor, se você está nu? Para as máquinas? O chão? Ou para a pessoa a seu lado?"

Mesmo após toda a pesquisa, a dona da academia se decepcionou pela pequena procura na sessão inaugural: só quatro naturistas apareceram.

"Mas as pessoas que vieram aproveitaram", diz ela. A partir de maio, a academia abrirá aos sábados à tarde e aos domingos só para clientes nus. E um professor já foi contatado para oferecer aulas de yoga ao público despido.

Folha Uol