segunda-feira, 25 de março de 2013

Chacina em Vila Velha. Quatro jovens são assassinados

Vila Velha: quatro jovens são assassinados em chacina 
Três deles foram encontrados enfileirados na rua. Crime teria ligação com disputa pelo tráfico de drogas


Quatro amigos foram executados, por volta das 14 horas desta segunda-feira (25), durante uma chacina, no bairro Barramares, em Vila Velha. As vítimas tinham entre 17 e 18 anos. Um deles foi assassinado a facadas dentro de uma casa e os outros três mortos com tiros à queima-roupa no meio de uma clareira, no local conhecido como Beco de Santa Leopoldina. A motivação dos crimes, segundo a polícia, é a guerra entre gangues rivais do tráfico de drogas da região.
Foto: Vitor Jubini
Garoto observa corpos no bairro Barramares, em Vila Velha
Policiais que estiveram no local da chacina acreditam que os adolescentes estavam na Rua Guaratinga quando foram rendidos pelos assassinos. O jovem Dioni Patrick Silva dos Santos, 17 anos, tentou fugir e invadiu uma casa na tentativa se de defender, mas acabou morto a tiros pelo bando.

Os outros três amigos, identificados como sendo o zelador Elias dos Anjos, 18, o estudante Isaías Barbosa dos Santos, 17, e Wélio Oliveira Pinto, 17 anos, foram levados até uma clareira, de chão batido, ao lado do terreno do Pinicão da região, distante há cerca de 700 metros.

Lá, eles foram mortos com tiros, que atingiram principalmente as cabeças das vítimas. Inclusive, havia sinais de chamuscamento em uma das vítimas, o que indica que os atiradores realizaram os disparos bem próximo dos jovens. 

Os três corpos ficaram amontoados. Populares disseram ter ouvido mais de 20 disparos no momento do crime.

Isaias e Wélio garotos usavam apenas bermudas e estavam sem chinelo. Já o zelador Elias dos Anjos também estava sem camisa e vestia uma calça e meias brancas. O tênis e o cordão foram levados pelos assassinos, segundo familiares. 

Parentes que estiveram no local da chacina também sentiram falta também dos cordões, relógios e celulares dos outros dois jovens. Por volta das 17h30, o transporte de cadáver da Polícia Civil chegou ao local e removeu os corpos até o Departamento Médico Legal (DLM), em Vitória.

Desespero
O assassinato dos quatro amigos assombrou parentes de outros rapazes que costumam andar com o grupo. Um trabalhador de 25 anos chegou a cena do crime desesperado na expectativa de ver os mortos.

“Pensei que um deles pudesse ser meu irmão, de 18 anos, mas graças a Deus confirmei com a polícia que não era ele. Fiquei aliviado”, contou o trabalhador, que se recusou a dar o nome por medo de represálias.

Ele disse ter motivos para ter medo de que um dos jovens executados fosse o irmão mais novo. “Meu irmão anda com essa gangue. Já foi ameaçado várias vezes, fazendo, inclusive, com que meus pais se mudassem para fora do Estado, com medo de acabarem vítimas dessa confusão entre traficantes”, contou.

Ele disse que já tentou tudo o que podia para tirar o irmão da vida do tráfico. “Agora, eu não sei nem mesmo onde ele está. Quando quer, liga para mim e fala como está, mas evita me encontrar”, lamentou.
Operação

O secretário de Estado de Segurança Pública, André Garcia, acompanhou pessoalmente a operação montada pelo comando do 4º Batalhão de Polícia Militar, na região de Terra Vermelha, em Vila Velha, onde na tarde de ontem quatro jovens foram mortos, de acordo com a polícia, por conta da disputa do tráfico de drogas na região.
Cinquenta e cinco militares do 4º BPM e do BME são utilizados na operação. Porém, até às 21h30, ninguém ainda havia sido preso.

Mais cedo, o secretário havia se pronunciado sobre o crime. “Não vamos tolerar evento dessa natureza, a resposta será dura. Deixa a gente triste e comovido, mas ninguém aqui vai abaixar a cabeça para uma situação dessa. Daremos uma resposta contundente para a sociedade, o ato dessas pessoas não passará impune. Não interessa a vida pregressa das vítimas, estamos lutando pela vida”, declarou André Garcia.


Foto: Vitor Jubini
Parentes entraram em desespero no local do crime

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