terça-feira, 6 de novembro de 2012

A pessoa nasce gay?

A pessoa nasce gay?

A Psicologia, a Medicina e a Sexologia não têm uma fonte única da causa da orientação sexual pelo mesmo sexo

O comportamento humano não é hegemônico. Conceitos e classificações são elaborados para questões de estudo e para dar um norte na maneira como pensamos e observamos.

Com isso, perdemos a possibilidade das diferenças e a capacidade de ver o fenômeno comportamental da forma como ele se apresenta. Quando falamos do feminino e do masculino imaginamos uma coisa única. Contudo, existem várias formas de expressão de cada gênero. Com a homossexualidade, seja ela masculina ou feminina, é da mesma forma.

A Psicologia, a Medicina e a Sexologia não têm uma fonte única da causa da orientação sexual pelo mesmo sexo. Essas ciências não a definiram por vários motivos, dentre os quais, os políticos e os científicos. Político no sentido de adequar um número cada vez maior de indivíduos à vida social e à pressão que os mesmos fazem nessas sociedades. E científico no sentido de que cada causa deve ser encontrada em um número significativo de seres humanos e isso não ocorre.

Por exemplo: foi encontrado em alguns homossexuais uma diferença no cromossomos X. Contudo, existem homossexuais que não têm essa característica genética, caindo por terra a ideia de causa genética. O que sabemos é que não é uma escolha, no sentido que uma pessoa acorda e decide ser homossexual. A Antropologia nos aponta que esse comportamento é comum desde o início da vida do homem na Terra. A Biologia mostra que a homossexualidade é comum em várias espécies animais - inclusive nos primatas. Frente à isso temos a tendência em dizer que essa orientação pertence ao ser humano, portanto, precisa ser aceita como tal. Se atualmente está aparecendo cada vez mais homossexuais é porque a sociedade tem permitido sua expressão com uma punição menor, embora ainda presente.

Dentro da homoafetividade ou do homoerotismo existem várias formas de expressão afetiva, comportamental e sexual. Há aqueles que se vestem como o sexo oposto e há os que são extremamente másculos ou femininos. Enfim, várias expressões de suas preferências. Na prática sexual há também diferenças: nem todos (as) têm necessidade de penetração vaginal ou anal, tem aqueles que só experimentam beijos, carícias e masturbação. Há os que gostam dos papéis sociais definidos, elegendo um para ser mais ativo e comandar a vida do casal, e outros que compartilham todos os poderes e comportamentos sexuais sem regras pré-estabelecidas, deixando os desejos e sentidos nortearem as ações que levam ao prazer.

Nós, humanos, somos plurais e em constante processo de mudança. Não somos seres acabados, o que quer dizer que o que pensamos e da forma que agimos não será assim para sempre. Como dizia Raul Seixas... “Uma metaformose ambulante"

Autor: Carlos Boechat Filho 

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